quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 53



INTERNATIONAL HEROES
KIM FOWLEY (EUA)
Edição original: Capitol
Produtor(es): Jeffrey Cheen
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Ajudou um número quase infindável de artistas, enquanto produtor, compositor de canções, manager, editor e tudo o mais, tanto na América como em Inglaterra. O rock'n'roll nunca teria sido como foi se não fosse esta personagem frequentemente esquecida, que aos 72 anos ainda continua por aí a dar pontapés à margem da grande indústria. Tem uma discografia a solo impossível de desprezar (e de encontrar, por vezes) e tinha que aparecer nesta colheita de 73 com este disco magnífico, recheado de muita pop americana, muito glam, o que é sublinhado na própria capa do disco, e já com muitas piscadelas de olho ao que seria, muitos anos depois, o pós-punk e a new wave britânica, atestando o seu reconhecido estatuto de visionário e pioneiro. "International Heroes" nunca foi reeditado, pelo menos oficialmente, em CD. Há cópias à venda por 80 dólares no eBay. É o problema que enfrentam habitualmente os colecionistas de Fowley.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O novo Gala Drop sai daqui a um mês



"Broda", o novo álbum dos Gala Drop, sai no dia 30 de março. Foi escrito e gravado com Ben Chasny, o Six Organs of Admittance e guitarrista dos Comets on Fire, durante a sua última passagem por cá para concertos. A mistura e a masterização ficaram novamente a cargo de Rafael Toral. O álbum será editado em 12 polegadas pela própria Gala Drop Records, tendo distribuição nacional da Mbari e internacional (Europa, EUA e Japão) da influente Honest Jon's.

Entretanto, o grupo prepara-se para viajar pela Europa, durante o mês de março, em mais uma digressão:

13 @ Coimbra, Salão Brasil
14 @ Azkoitia, Matadero Ekintzak
15 @ Pau, La Centrifugueuse
16 @ Paris, Espace B
17 @ Caen, La Loupiote
18 @ Lille, La Peniche
20 @ Haia, 330 Live
21 @ Colónia, King Georg
22 @ Bruxelas, Ateliers Claus
23 £ Amesterdão, OCCII
24 @ Antuérpia, Muziekclub Petrol
26 @ Toulouse, TBA
28 @ Barcelona, Centro Gallego
29 @ Madrid, El Perro
30 @ Lisboa, Lux (c/Hype Williams e Tropa Macaca, e DJ sets de Kyle Hall e de Brian DeGraw // bilhetes a 12€ à venda a partir de amanhã)
31 @ Guimarães, Centro Cultural Vila Flor

Os Gala Drop vão ainda também ao Primavera Sound do Porto, no início de Junho, e ao Boom, em Idanha-a-Nova, no início de Agosto.

http://soundcloud.com/gala-drop/broda/s-XmEeD

100 discos de 1973, n.º 54



NOVOS BAIANOS F.C.
NOVOS BAIANOS (Brasil)
Edição original: Continental
Produtor(es):
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Para pito, para grito e o menino deixa a vida pela bola...
Só se não for brasileiro nessa hora


Música e futebol. O grande cliché brasileiro. Nesta altura, os Novos Baianos viviam em comunidade numa quinta, ou melhor, num sítio, o sítio do vovô, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Vinham da Bahia e tinham a fama de não se deixarem levar por empresários ou editoras, consagrando a independência no seu estatuto. Tinham já dois álbuns, "É Ferro na Boneca" e "Acabou Chorare" (o primeiro lugar da lista dos 100 melhores discos brasileiros de sempre da Rolling Stone Brasil). Naquele sítio, passavam o tempo a fazer música e a jogar à bola. Dizia-se que mais do que uma banda, mais do que uma família, os Novos Baianos eram uma equipa de futebol. Vale muito a pena ver o documentário gravado com base neste disco (youtube abaixo).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nova jam dos Lightning Bolt, que encontraram um anel no ouvido

Para compra, descarga livre ou escuta em streaming no bandcamp.

100 discos de 1973, n.º 55



BONGO ROCK
THE INCREDIBLE BONGO BAND (EUA)
Edição original: Mr. Bongo
Produtor(es):
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The Incredible Bongo Band nunca foi, na verdade, uma verdadeira banda, mas sim um daqueles projetos de laboratório, com sucesso, que acabou por estabelecer a patente de uma fórmula revisitada ao longo das décadas e frequentemente constituída por alguns, senão mesmo pela totalidade, destes ingredientes: surf, exotismo, muitos bongos ou congas e muitos metais. Michael Viner era gestor na MGM Records, em 1972, quando lhe foi atribuída a tarefa de acrescentar alguma música à banda sonora do filme de terror de série B "The Thing with Two Heads". Com o compositor Perry Botkin Jr., criou "Bongo Rock" e "Bongolia", canções cujo sucesso comercial fizeram a dupla levar o trabalho à edição deste álbum. Em 1974 houve outro álbum e a fake band ficou-se por aí, tendo o material vindo a assistir, mais tarde, os pioneiros do sample no hip hop, ou, ainda muito mais tarde, no drum'n'bass. As versões de "Let There Be Drums" e "Apache" marcam presença mais ou menos habitual no Bailarico Sofisticado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 56



AFRODISIAC
FELA KUTI (Nigéria)
Edição original: Regal Zonophone
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E aqui está o outro álbum de Fela Kuti nesta lista. Resulta da compilação de singles lançados previamente na Nigéria e regravados, de propósito para este álbum, em Londres. Todos os temas são cantados numa língua local. "Jeun Ko Ku" (youtube abaixo) foi o primeiro grande hit de Fela na Nigéria, tendo vendido 200 mil discos em meio ano. "Alu Jon Jonki Jon" baseia-se numa história africana a respeito de um cão que esconde a sua progenitora no céu durante uma época de fome (leiam-na aqui).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 57



CHICO CANTA
CHICO BUARQUE (Brasil)
Edição original: Phonogram/Philips
Produtor(es): Roberto Menescal
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A minha tristeza não é feita de angústias
A minha tristeza não é feita de angústias
A minha surpresa
A minha surpresa é só feita de fatos
De sangue nos olhos e lama nos sapatos
Minha fortaleza
Minha fortaleza é de um silêncio infame
Bastando a si mesma, retendo o derrame
A minha represa

(In "Fortaleza")

É um disco à parte na carreira de Chico Buarque. É a banda sonora da peça "Calabar: o Elogio da Traição", escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra. Censurada na altura da estreia -- tal como o próprio disco, que teve de sair com o nome que é conhecido até hoje e não com o mesmo da peça, e com dois dos temas, "Anna de Amsterdam" e "Vence na Vida Quem Diz Sim", em versão instrumental, desprovida da voz e das letras que não agradaram aos censores -- a peça contava a história de Domingos Calabar (séc. XVII) numa versão diferente daquela que a história guardou: a de um traidor à pátria portuguesa na altura das invasões neerlandesas do Nordeste brasileiro. Pela habitual via da metáfora, a peça questionava a propaganda oficial do regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. "Chico Canta" é, portanto, uma banda sonora de uma peça, não tendo porém um tema musical central e recorrente, mas uma mistura generosa de géneros -- até fado aqui se encontra -- e de ideias diferentes para arranjos. Dificilmente entrará nas listas dos melhores discos de Chico Buarque, e até há quem se dedique a tecer-lhe duras críticas, mas se entendermos que este é um daqueles artistas em que até as obras menores se destacam entre as de outros menos propensos ao toque de génio, "Chico Canta" tem que aparecer nesta colheita de 73.

Esta noite, o CCB acolhe o mediterrâneo



Mistico Mediterraneo, projeto do trompetista sardenho Paolo Fresu, com o bandoneonista Daniele di Bonaventura e o coro corso A Filetta. O jazz da ECM aos banhos no mediterrâneo.

Mais nomes para o FMM

A organização do Festival de Músicas do Mundo de Sines revelou mais três nomes para o cartaz da edição deste ano. Três espetáculos originários de África. Do Mali vem a cantora e guitarrista Fatoumata Diawara. Do Níger, para um regresso a Portugal depois de um belo concerto ao fim da tarde no Jardim das Oliveiras do CCB, no ano passado, teremos o grupo Bombino. O terceiro nome é o de Jupiter & Okwess International, do Congo-Kinshasa, músico que se tornou um pouco mais conhecido para o mundo através de "The Dance of Jupiter", da dupla francesa Renaud Barret e Florent de la Tullaye, os mesmos que descobriram os Staff Benda Bilili, que encerraram o FMM de há dois anos. Jupiter participa também na última aventura por terras africanas de Damon Albarn, que resultou no disco "Kinshasa One Two", lançado no final do ano passado. Não há ainda datas para estas atuações. Mais informação aqui.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

dSCi: quatro, mas primeiro.

corta_unhas on Vimeo.


Os dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, por aqui mui apreciados, vão lançar o seu primeiro álbum neste próximo sábado, com concerto no MusicBox. Para primeiro álbum, vem com o título "4", uma vez que, afinal, já é o quarto registo do grupo. Para trás ficaram, "I" e "II", EPs editados pelo próprio grupo, e a cassette "SADITREVNiSAIEHCLOcIMEsSAUd", pela A Giant Fern. "4", que pode ser escutado na íntegra no bandcamp dos semicolcheias, vai para já ter uma edição exclusiva em vinil, com selo partilhado entre o próprio grupo (através da Associação Terapêutica do Ruído), as editoras portuguesas A Giant Fern e Experimentáculo e as editoras italianas Another Shame, Eclectic Polpo, Fooltribe e Human Feather. À semelhança do que já aconteceu nos discos anteriores, irá haver mais tarde uma edição digital gratuita, através da Enough Records.

O concerto no MusicBox terá a primeira parte de Tapete, projeto de spoken word de Raquel Lima, que será acompanhada por saxofone, violoncelo, percussão e contrabaixo. Os bilhetes custam o habitual preço de 6 euros, com oferta de bebida. A meia-noite marca o início.

Depois do MusicBox, os dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS partem para a "Kebab Tour", mais uma digressão europeia, a quinta, em que passarão por mais de quinze países, ao longo de quase três meses:

Fevereiro
25 - Lisboa, MusicBox

Março
29 - Pontevedra, Liceo Mutante
30 - Xixón, TBA

Abril
3 - Bera, Kataku Ostatua
4 - Urretxtu, Urretxuko Gaztetxea
5 - Toulouse, The Petit London
6 - Tarbes, Celtic Pub
7 - Donostia, Mogambo
11 - Gasteiz, Ibú Hots
12 - Bordéus, L'Antidote
13 - Livernon, Le Clan Destin
14 - Clermont-Ferrand, October Equus
15 - Lyon, MJC Monplaisir
16 - Orléans, 5éme Avenue
17 - Caen, Ecuyes
19 - Reims, Appart Café
20 - Amiens, Accueil
25 - Utrecth, Bike Wars
27 - Wormerveer, De Groote Weiver
28 - TBA (Alemanha), TBA
30 - TBA (Alemanha), TBA

Maio
1 - Berlim, Rigaer 78
3 - Leipzig, Zoro
5 - Brno, Boro Klub
11 - Zagreb, Spunk
22 - Puglia, San Francisco Alessano
24 - Puglia, I Sotterranei Copertino
25 - Puglia, Notedivino Ruffano
27 - Lazio, DalVerme Roma
30 - Emilia-Rom, XM24

Junho
16 - Don Benito, Rincón Pío Sound

Águas das fontes não calai, ó ribeira não chorai...

...que ele não deixou de nos cantar nestes 25 anos.

100 discos de 1973, n.º 58



TUBULAR BELLS
MIKE OLDFIELD (Inglaterra)
Edição original: Virgin
Produtor(es): Tom Newman, Simon Heyworth, Mike Oldfield
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Estreia em disco de Mike Oldfield, multi-instrumentista que ficou famoso por duas coisas, essencialmente: este "Tubular Bells" e aquele "otoverme", para usar o termo perfeito do Miguel Esteves Cardoso, que é "Moonlight Shadow", single lançado dez anos depois. Esqueçamos rapidamente o segundo, se possível, tanto para mais quando temos no prato este "Tubular Bells", uma obra única na galeria essencial do prog, ou, quanto mais não seja, um lado A que merece ficar bem guardado na história da música feita nos anos 70. É o prog no seu formato menos obscuro, menos virado para dentro, chegando até a ter elementos pedagógicos e, simultaneamente, lúdicos, como mostram os momentos finais da primeira parte, em que a voz de Vivian Stanshall apresenta os instrumentos que se seguem no processo de aplicação e/ou substituição de camadas sonoras de Oldfield. É um disco que carrega consigo um número infindável de trivialidades trazidas com o tempo. O seu número de catálogo original é "V2001", o que o define como o primeiro lançamento da Virgin, de Richard Branson, que apostou no que outras editoras tinham rejeitado com o receio de não o saberem vender ("Tubular Bells" acabou por permanecer na tabela de vendas britânica durante... 279 semanas e é o 34º disco mais vendido de sempre no Reino Unido). Branson usou até o nome do disco para batizar alguns dos seus aviões. A capa do álbum rapidamente se tornou um ícone e há dois anos foi escolhida para ser um dos dez selos da restrita coleção com capas famosas dos correios britânicos, lado a lado com "London Calling", "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", "Screamadelica", "Division Bell" ou "Parklife", entre outros. Muito do sucesso alcançado deveu-se, há que dizê-lo, à exposição mediática conseguida através do filme "Exorcista", do mesmo ano, onde se podia escutar o solo de piano que abre o disco.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Thurston em Lisboa vezes dois (e uma delas é mesmo no aquário!)

A ZDB acaba de anunciar que a vinda a Lisboa do Thurston Moore vai dividir-se por duas atuações diferentes.

A primeira, no dia 12 de Março, terá lugar no Teatro Trindade, e terá possivelmente "Demolished Thoughts", álbum do ano passado, como prato principal, bem como a companhia em palco de Samara Lubelski (violino), John Moloney (bateria) e Keith Wood (guitarra), à semelhança do que acontecerá, aliás, no dia anterior, no Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães, no contexto da programação "Guimarães 2012, Capital da Cultura".

A grande novidade de hoje é que Thurston Moore vai também estar na própria ZDB, na sala Aquário, no dia 13, com "carta branca para fazer barulho ou tocar canções bonitas à acústica". A entrada para este concerto especial está reservada a sócios da ZDB, no contexto do programa de fidelidade que a galeria redesenhou no início deste ano e que pode aqui ser consultado.

100 discos de 1973, n.º 59



NEW YORK DOLLS
NEW YORK DOLLS (EUA)
Edição original: Mercury
Produtor(es): Todd Rundgren
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Quaisquer meia dúzia de palavras que se escrevam sobre a origem do punk terão que meter os New York Dolls ao barulho. Havia ali algo, logo neste disco de estreia, que lembrava os primeiros discos dos Rolling Stones, o glam de Marc Bolan (na música e no visual claramente andrógino) ou o rock pesado dos MC5 ou dos Stooges, mas os Dolls estavam a oferecer algo que, ao mesmo tempo, era substancialmente diferente do que se fazia à altura. Diferente e polémico: numa votação levada a cabo pela Creem (a influente revista de rock'n'roll, da qual se diz ter inventado o termo "punk rock" e que na altura tinha como editor o mítico Lester Bangs), o grupo ganhava em ambas as categorias de melhor e... de pior grupo de 1973.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 60



TANX
T. REX (Inglaterra)
Edição original: EMI / T.Rex Wax Co
Produtor(es): Tony Visconti
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Diz-se que Marc Bolan queria deixar para trás o glam, que na altura reinava no Reino Unido e do qual foi um dos principais impulsionadores, com o intuito de se aproximar das audiências americanas. Em "Tanx" surgiam novos efeitos de guitarra, coros femininos, metais, novos truques de estúdio. Mas seria a queda no abismo, com a formação dos T. Rex a desintegrar-se durante as próprias gravações e Bolan cada vez mais sozinho. Mais discos viriam a ser editados até à morte de Bolan a 16 de setembro de 1977, mas "Tanx" foi o desfecho de uma carreira de sucessos atrás de sucessos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Procura-se mochila com CDs (ou pistas)

O meu bom amigo António Pires foi assaltado este fim-de-semana, depois de ter estado a passar música no Povo, no Cais do Sodré. Qualquer ajuda que pudesse levar o António a recuperar pelo menos parte dos discos será muito bem-vinda.
(...) na noite de sábado (por volta das quatro e meia), fui assaltado à porta de casa -- em Massamá -- depois de uma sessão de DJ no Povo, Cais do Sodré. Estou bem (não me agrediram), mas roubaram-me uma mochila cheia de CDs --. cerca de 50 a 60 --, todos originais, à exepção de um ou dois. Entre os CDs contam-se discos de fado e outra música portuguesa (Oquestrada, Real Combo Lisbonense...), inúmeras colectâneas de música africana, latino-americana e world music em geral, alguns discos de reggae (Bob Marley, Alpha Blondy, colectâneas), Manu Chao (dois), Freshlyground, Miriam Makeba, Rachid Taha, Caravane Palace, Amy Winehouse, La MC Malcriado, Os Tubarões, M.I.A., Major Lazer, Tom Jones, Marvin Gaye, etc, etc, etc... E, como era sábado de Carnaval, até coisas como "Sambas de Enredo", "Disco Fever", "Divas Exotica", "Como Fazer Strip Para o Seu Marido"... Se, por acaso, detectarem algumas coisas destas que chamem mais a atenção em lojas de discos em segunda mão (virtuais ou as Carbonos ou Cash Converters), na Feira da Ladra (onde eu irei amanhã) ou assim, digam-me por favor. E-mail: pires.ant@gmail.com

100 discos de 1973, ponto de situação (61-100)

(Como tudo começou: prólogo.)

61. BETTY DAVIS "Betty Davis" (post)
62. RAUL SEIXAS "Krig-Ha, Bandolo!" (post)
63. BRUCE SPRINGSTEEN "Greetings From Asbury Park, N.J." (post)
64. SECOS & MOLHADOS "Secos & Molhados" (post)
65. BUFFY SAINTE-MARIE "Quiet Places" (post)
66. EDU LÔBO "Edu Lôbo [aka Missa Breve]" (post)
67. GONG "Angel's Egg" (post)
68. BERT JANSCH "Moonshine" (post)
69. BRUCE SPRINGSTEEN "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle" (post)
70. FELA KUTI "Gentleman" (post)
71. PAUL SIMON "There Goes Rhymin' Simon" (post)
72. STEVIE WONDER "Innervisions" (post)
73. YOKO ONO "Feeling the Space" (post)
74. VAN MORRISON "Hard Nose the Highway" (post)
75. RAIL BAND "Buffet Hotel de la Gare Bamako" (post)
76. JETHRO TULL "A Passion Play" (post)
77. AHEHEHINNOU VINCENT & ORCHESTRE-POLY-RYTHMO DE COTONOU DAHOMEY "Ahehehinnou Vincent & Orchestre-Poly-Rythmo De Cotonou Dahomey" (post)
78. BETWEEN "And the Waters Opened" (post)
79. THE WHO "Quadrophenia" (post)
80. AMON DÜÜL II "Vive La Trance" (post)
81. BLACK SABBATH "Sabbath Bloody Sabbath" (post)
82. JOAN BAEZ "Where Are You Now, My Son?" (post)
83. PETER HAMMILL "Chameleon in the Shadow of the Night" (post)
84. EMBRYO "We Keep On" (post)
85. POPOL VUH "Seligpreisung" (post)
86. THE ROLLING STONES "Goats Head Soup" (post)
87. CONRAD SCHNITZLER "Rot" (post)
88. LINK WRAY "Be What You Want To" (post)
89. ELVIS PRESLEY "Elvis" (post)
90. NEIL YOUNG "Time Fades Away" (post)
91. THIN LIZZY "Vagabonds of the Western World" (post)
92. LYNYRD SKYNYRD "(pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd)" (post)
93. PLANXTY "The Well Below the Valley" (post)
94. ASH RA TEMPEL "Starring Rosi" (post)
95. LED ZEPPELIN "Houses of the Holy" (post)
96. THIRSTY MOON "You'll Never Come Back" (post)
97. HUGH MASEKELA "Introducing Hedzoleh Soundz" (post)
98. MOTHER MALLARD'S PORTABLE MASTERPIECE COMPANY "Mother Mallard's Portable Masterpiece Company" (post)
99. PAULINHO DA VIOLA "Nervos de Aço" (post)
100. ELVIS PRESLEY "Aloha from Hawaii" (post)

100 discos de 1973, n.º 61



BETTY DAVIS
BETTY DAVIS (EUA)
Edição original: Just Sunshine Records
Produtor(es): Greg Errico
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Betty Davis carrega até hoje o apelido de Miles Davis, com quem esteve casada durante apenas um ano (67/68). Depois do casamento, Betty foi para Londres trabalhar como modelo, tendo regressado aos EUA no início dos anos 70, com o objetivo de gravar com Carlos Santana (que mais tarde a definiria como "a mulher Black Panther verdadeiramente feroz", que ninguém podia domesticar). Com a ajuda de Greg Errico, baterista dos Sly and the Family Stone, reuniu uma série de (excelentes) músicos da costa leste para gravar o seu próprio material. O resultado é este disco de estreia, um conjunto explosivo de funk carregado de atitude, com letras com conteúdo sexual explícito, o qual viria aliás a prejudicar a divulgação do disco.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 62



KRIG-HA, BANDOLO!
RAUL SEIXAS (Brasil)
Edição original: Philips
Produtor(es): Marco Mazzola, Raul Seixas
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Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

(in "Ouro de Tolo")

Citado como o primeiro álbum a solo de Raul Seixas, este "Krig-Ha, Bandolo!" (o título vem do grito de guerra do Tarzan) não foi a estreia em discos deste que foi um dos maiores génios chanfrados do rock brasileiro. Já tinha havido "Raulzito e os Panteras" (1968) e o estranho "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez" (1971), que fez Raul ser despedido da CBS. "Krig-Ha, Bandolo!" traz grandes temas, como "Metamorfose Ambulante" (recentemente recuperado pelo filme "Cidade de Deus"), "Mosca na Sopa" ou "Ouro de Tolo". Também traz muito azeite, pelo menos aos ouvidos de hoje: tal como Alceu Valença, em Seixas foi sempre muito ténue a linha de separação entre a genialidade e o espalhanço. Em 2007, a Rolling Stone Brasil escolheu-o para 12º melhor álbum brasileiro de sempre.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 63



GREETINGS FROM ASBURY PARK, N.J.
BRUCE SPRINGSTEEN (EUA)
Edição original: Columbia
Produtor(es): Mike Appel, Jim Cretecos
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Primeira etapa da carreira de Bruce Springsteen, "Greetings from Asbury Park, N.J.", trazia logo no título a referência incontornável ao estado que viu nascer e crescer o músico. Aos 23 anos, acompanhado por aqueles que viriam a ser conhecidos por E Street Band, Springsteen aparecia com um conjunto de temas folk com arranjos elétricos onde já falava com romance, poesia e esperança de episódios mais difíceis da vida urbana, naquela que rapidamente se tornou a imagem de marca do escritor de canções. Facilmente se compreendem as comparações com Bob Dylan, que tinha assinado pela Columbia uma década antes, e Van Morrison. Não vendeu muito, tal como o sucessor "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle", do mesmo ano (mais abaixo nesta lista), mas ambos os discos fizeram de Springsteen um favorito da crítica.