segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 68



MOONSHINE
BERT JANSCH (Escócia)
Edição original: Reprise
Produtor(es): Danny Thompson
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Oitavo álbum de Bert Jansch, uma das figuras proeminentes do revivalismo da folk das ilhas britânicas nos anos 60 e 70. Fez parte dos Pentangle, mas isso não o impediu de se dedicar ao seu projeto solo, antes, durante e depois, até ao seu falecimento, em outubro do ano passado. Os Pentangle suspenderam a sua atividade alguns meses depois da gravação por Jansch deste "Moonshine", disco que acabou por ficar na sombra dos trabalhos mais tardios da banda.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 69



THE WILD, THE INNOCENT & THE E STREET SHUFFLE
BRUCE SPRINGSTEEN (EUA)
Edição original: Columbia
Produtor(es): Mike Appel, Jim Cretecos
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Segundo álbum de Springsteen -- a estreia, com "Greetings From Asbury Park, N.J.", foi também neste ano de 1973 e é de esperarem encontrá-la também nesta lista, mais lá para a frente. Tido por muitos como um dos seus melhores trabalhos (e pelo próprio Springsteen que o tocou na íntegra num concerto no Madison Square Garden, há dois anos), ainda que apenas tenha tido reconhecimento comercial quando Springsteen explodiu para o mundo com "Born to Run", em 1975, este "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle" ajuda, já nesta altura, a definir os contornos daquele que tem sido, na opinião deste vosso escriba, o confronto recorrente na história do músico mais icónico de Nova Jérsei: composições magníficas, algumas delas mesmo praticamente inumanas de tão fora-de-série que são, contra arranjos que frequentemente resvalam para a tina do azeite, daquele que escorre das secções de metais que realçam o que já está realçado por natureza, daquele que é salpicado pelos teclados que surgem mais altos do que tudo o resto apenas para ferirem os nossos ouvidos. E isto é tanto mais provável de acontecer quanto mais está envolvida a E Street Band, que aqui ainda não havia sido batizada como tal. Mas, atenção, nem este é o exemplo mais flagrante deste confronto, nem o azeite sai vencedor, nem o disco deixa de poder ser ouvido do princípio ao fim as vezes que queiramos, na época em que queiramos.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 70



GENTLEMAN
FELA KUTI (Nigéria)
Edição original: EMI
Produtor(es): Fela Kuti
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Africa hot, I like am so...
I know what to wear
But my friends don't know
E put im socks
E put im shoe
E put im pant
E put im singlet
E put im trouser
E put im shirt
E put im tie
E put im coat
E come cover all with him hat
E be gentle man!
E go sweat all over
E go faint right down
E go smell like shit
E go piss for body, e no go know
I no be gentuluman at all O
I be Africa Man Original


Eis o imperador do afrobeat em todo o seu esplendor de ritmo e afirmação política. Em crioulo nigeriano, Fela Ransome Kuti (aqui ainda não tinha trocado Ransome por Anikulapo) atacava a mentalidade colonial que alguns dos seus conterrâneos continuavam a exibir depois da saída dos ingleses do país, ilustrada pelo ridículo do uso de fato e gravata num continente onde o calor é incontornável, ao mesmo tempo que proclamava a afirmação africana pela qual lutou até ao fim da vida. "Gentleman" marca também a adoção de mais um papel para Kuti, o de saxofonista tenor, ao qual depressa se adaptou depois da saída do saxofonista Igo Chico dos Africa 70, a banda que então acompanhava Kuti. "Gentleman" é essencialmente composto pelo tema que lhe dá título, uma longa improvisação de quase quinze minutos. No lado B, surgem "Fefe Naa Efe" e "Igbe". Este é o segundo disco de Kuti em 1973. O outro foi "Afrodisiac", que também irá aparecer nesta lista.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Steve Shelley é daqueles tipos que dorme apenas duas horas por dia

Steve Shelley, que vai fazer 50 anos no próximo mês de junho, não pára. O pendurar de botas dos Sonic Youth dar-lhe-á ainda mais tempo para se dedicar a outros projetos, seguramente, mas o lugar que, desde 1985, ocupava atrás da bateria do grupo nova-iorquino (ou que ainda ocupa, se quisermos ser otimistas), não o impediu, nos tempos mais recentes, de ser, por exemplo, patrão da Smells Like Records, que lançou os Blonde Redhead e a Cat Power ou recuperou os discos do Lee Hazlewood, entre outros, de ser o gestor dos selos SYR e Goofin', dos próprios SY, de manter atualizada a sua participação no blip.fm, de blogar no vampireblues.net, ao lado de Chris Lee, John Agnello e Howe Gelb, e, claro, de ser baterista de meio mundo, ora em estúdio, ora ao vivo, ora em ambos os contextos. Em 2007, esteve no coletivo The Million Dollar Bashers. Em 2009, gravou e fez concertos pelos The High Confessions, com Chris Connelly, dos Revolting Cocks e dos Ministry. Desde 2010 que anda a viajar pelo mundo a tocar Neu!, com Michael Rother e Aaron Mullan, nos Halogallo 2010. No ano passado, juntou-se aos Disappears, uma banda de Chicago que se prepara agora para lançar o terceiro álbu, via Kranky, e que conta com Shelley para a digressão por várias cidades americanas e europeias. O próximo álbum (e a digressão) do M. Ward também conta com ele na bateria. Ao longo dos últimos cinco anos, e se não contarmos com os SY, já entrou em mais de 15 discos. Procrastinar? Nunca. Gosto de gente assim.

100 discos de 1973, n.º 71



THERE GOES RHYMIN' SIMON
PAUL SIMON (EUA)
Edição original: Columbia-Warner
Produtor(es): Paul Simon, Phil Ramone, Muscle Shoals Rhythm Section, Paul Samwell-Smith, Roy Halee
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Conseguisse todo o álbum alcançar a boa disposição paulsimonesca do tema de abertura, "Kodachrome" (youtube abaixo), e teríamos aqui um clássico. Ainda assim, "There Goes Rhymin' Simon" tem sido muito bem recebido desde que saiu pela crítica generalista: duas nomeações para grammy (melhor voz masculina e álbum do ano), posição 267 na lista dos 500 melhores álbuns de sempre da Rolling Stone,

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os primeiros nomes do fêmêmê são grandes demais

Primeiro, uma pequena historieta. Andava eu, aqui há meses, pelas ruas frias de Riga, quando vejo cartazes para um espetáculo a acontecer em breve com o mítico trompetista sul-africano Hugh Masekela, sucesso nos meios do jazz norte-americano, músico de Bob Marley nos seus primeiros discos, figura incontornável do afrobeat ao lado de Fela Kuti, companheiro de estrada de Paul Simon durante a digressão de "Graceland", marido durante algum tempo da não menos mítica Miriam Makeba, etc. "Mas estes cabrões destes letões têm o Masekela por cá e nós não?", pensava eu com a inveja de habitante de país pequenino e periférico para com outro país pequenino e periférico. Pois esse desequilíbrio vai ser desfeito e a inveja vai sumir porque, aos 73 anos, virá a Portugal, para um concerto no FMM Sines. Esta é uma das duas primeiras revelações do programa do festival. Masekela toca no castelo, dia 28 de Julho, o último sábado. Seria perfeito se do alinhamento do concerto constasse o tema... "Vasco da Gama":



Mas há mais. O segundo nome anunciado para o cartaz do FMM 2012, neste caso, um par de nomes, é outra bomba. Desde há muito considerado como o melhor intérprete de banjo do mundo, o norte-americano Béla Fleck junta-se a um nome gigantesco da música africana, que já passou pelo palco do FMM: a maliana Oumou Sangaré. A colaboração conjunta resulta de um projeto que Fleck tem levado a cabo em África desde 2005 e que resultou em vários discos, um dos quais "Throw Down Your Heart, Africa Sessions Part 2", com Sangaré, que ganhou o Grammy para melhor álbum de world music no ano passado. Fleck e Sangaré tocam no castelo, no primeiro sábado, 21 de Julho. (Ah, o Fleck não vem com os seus Flecktones, pelo que ainda não será desta que teremos oportunidade de deixar cair o queixo no chão ao ver ao vivo o baixista Victor Wooten...)



O FMM Sines tem lugar, como já é habitual, nos últimos dois fins-de-semana de Julho. Mais informações aqui.

Hoje temos rockalhame na ZDB

Vêm de Brooklyn, têm dois álbuns e alguns EPs e chamam-se The Men (não confundam com os outros MEN formados por fulanas das Le Tigre e igualmente provenientes de Brooklyn ou ainda com os The Men da Califórnia que tiveram algum sucesso comercial nos anos 90). Na primeira parte há Loosers. Mais informação aqui.

100 discos de 1973, n.º 72



INNERVISIONS
STEVIE WONDER (EUA)
Edição original: Tamla
Produtor(es): Stevie Wonder, Robert Margouleff, Malcolm Cecil
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É um dos melhores discos de Stevie Wonder. É também um dos mais pessoais, já que o músico toca todos os instrumentos (ou quase todos) em pelo menos seis das nove faixas que compõem "Innervisions". Ganhou um Grammy para melhor álbum do ano (Wonder já tinha um Grammy para melhor performer masculino com o anterior "Talking Book"), tendo ficado associado ao grave acidente que o músico sofreu apenas três dias após o lançamento do disco. A Rolling Stone escolheu-o para 23º melhor álbum de sempre na lista que publicou em 2003.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O relato dos Tinariwen, escondidos no mato

O surto de violência que eclodiu na semana passada na região de Tombuctu, no nordeste do Mali, apanhou de surpresa, e da pior maneira, muitos dos habitantes daquela região, que se têm vistos obrigados a abandonar em massa as suas casas. No meio do conflito estão os Tinariwen que deram hoje o seu testemunho da situação, via facebook:
‎"Hi everyone. Soon after the uprising broke out last week, people started leaving the centre of our home villages, to avoid any fighting between the rebels and the Malian army. We've been out here in the bush, for quite a few days, with many women, children and old people. Some of us are suffering from hunger and the terrible cold. It's really very very cold at night around this time of year. Things are tough for sure, but everyone is holding up. Thanks to everyone for their thoughts and prayers for us. Keeping sending them. We really hope that everything is going to be ok. Thanks, Tinariwen."

Na próxima sexta-feira, há...

100 discos de 1973, n.º 73



FEELING THE SPACE
YOKO ONO (Japão)
Edição original: Apple
Produtor(es): John Lennon, Yoko Ono
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"Feeling the Space" não é um disco de experiências como tinham sido os primeiros dois álbuns. A mudança já se apercebia no anterior "Approximately Infinite Universe", também de 1973. É um disco de canções, que ainda assim demora um pouco a colar aos ouvidos. É atravessado, do início ao fim, pelo tema do feminismo.

Run Run Run by Yoko Ono on Grooveshark

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Se não é desta que ele vem a Portugal...

A boa gente do Primavera Sound acaba de enviar aos seus contactos um mail com a frase "Jonathan Richman y Sonny and The Sunsets de gira por España" por assunto (email reproduzido abaixo). Em Março, o músico norte-americano prepara-se para dar seis concertos (SIM, MEIA DÚZIA DE CONCERTOS, LERAM BEM) por várias cidades de Espanha:

17 - Madrid, Casa de América
18 - Múrcia, 12&Medio
20 - Barcelona, Cinemes Girona
21 - Bilbau, Kafe Antzokia
22 - Avilés, Centro Cultural Internacional Avilés
23 - Zarautz, Lizardi Antzokia

É verdade que Jonathan Richman tem passado boa parte da sua vida recente aqui neste país que no mapa aparece ao nosso lado. Ainda assim, não costumam chegar notícias como esta, a darem conta de atividade, leia-se concertos. Esta podia ser uma boa oportunidade para finalmente o termos por cá. Há uma meia dúzia de anos, chegou a estar agendado concerto no Santiago Alquimista, que acabou por ser cancelado. No ano passado, gorou-se nova oportunidade de o vermos num palco nacional. SERÁ DESTA? Fariam este vosso escriba ficar feliz, senhores promotores.
(Entretanto, alguém para partilhar carro até Avilés ou Madrid?)



Jonathan Richman y Sonny and The Sunsets de gira por España

El veterano e influyente Jonathan Richman vuelve de gira a nuestro país con una extensa lista de fechas confirmadas en las que se verá acompañado del habitual Tommy Larkins a la batería. Richman comenzó su carrera al frente del grupo de culto The Modern Lovers, una de las piedras angulares del proto-punk, aunque poco después arrinconará la distorsión para consagrar su vida a ese rock'n'roll repleto de dispares influencias y tocado en acústico con puntuales acompañamientos. Algunos de sus discos más aplaudidos son "Rockin'n'Romance", "Rock'n'roll with the Modern Lovers" y la banda sonora de "There's Something About Mary" (película en la que también aparece narrando la historia a través de sus canciones). Su último disco es "O Moon, Queen of Night on Earth".

Sonny Smith es uno de los artistas más interesantes de los últimos tiempos. Escritor de teatro y novela, no fue hasta pasada la treintena que decidió coger una guitarra y ponerse a cantar canciones. Primavera Sound y Buenritmo le traen en marzo con una gira muy especial: unos Sunsets españoles formados para la ocasión por Germán Carrascosa (Los Bananas, La Otra Gloria, Orquesta del Caballo Ganador…) y Jordi Irizar (La Estrella de David, Sedaiós,…), un supergrupo que serán sus compañeros de gira también en Europa, donde viajarán para presentar "100 Records, vol.3" (Buenritmo / Glitter End, 2012) y “Hit After Hit” (Fat Possum, 2011), su último disco como Sonny and the Sunsets hasta la fecha.

Los detalles de fechas, salas y precios son:

SONNY AND THE SUNSETS
- Viernes 2 de marzo. Sala Bukowski (Donostia). Anticipada 10€ / Taquilla 12€
- Sábado 3 de marzo. Sidecar (Barcelona). Anticipada 12€ / Taquilla 15€
- Domingo 4 de marzo. Siroco (Madrid). Anticipada 12€ / Taquilla 15 €
- Lunes 5 de marzo. Colegio Mayor (Valencia). Entrada gratuita.

Organizado por Primavera Sound y Buenritmo

JONATHAN RICHMAN
- Sábado 17 de marzo (+ Las Ruinas). Casa De América (Madrid). Anticipada 15€ / Taquilla 20€
- Domingo 18 de marzo. 12&Medio (Murcia). Anticipada 9€ / Taquilla 12€
- Martes 20 de marzo. Cinemes Girona (Barcelona). Anticipada 17€ / Portal 15€ / Taquilla 20€
- Miércoles 21 de marzo. Kafe Antzokia (Bilbao). Anticipada y taquilla 15€
- Jueves 22 de marzo. Centro Cultural Internacional Avilés (Avilés). Anticipada 8€ (socios 6€) / Taquilla: 8€
- Viernes 23 de marzo. Lizardi Antzokia (Zarautz). Anticipada y taquilla 7€

Organizado por Primavera Sound y Heart Of Gold

100 discos de 1973, n.º 74



HARD NOSE THE HIGHWAY
VAN MORRISON (Irlanda do Norte)
Edição original: Warner Bros.
Produtor(es): Van Morrison
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"Hard Nose the Highway" é um dos álbuns de Van Morrison mais atacados pela crítica. Convenhamos que fica a léguas de distância dos discos anteriores, como o hiper-badalado "Astral Weeks" (1968) ou "Moondance" (1970), e que dificilmente o irlandês veio a recuperar desta quebra criativa. Mas o primeiro lado deste disco, quanto mais não seja, composto por faixas como "Snow in San Anselmo", "Warm Love", que se tornou um favorito do cantor (youtube abaixo) ou a faixa que dá título ao álbum, continuam a ouvir-se muito bem.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Já há data, alinhamento e capa para Batida na Soundway

A entrada na Soundway na música atual propriamente dita -- o selo tornou-se conhecido pela reedição de material antigo -- vai ser feita com o projeto Batida, de Pedro Coquenão, como aqui se dava conta há dias. Hoje ficou-se a saber que o disco terá edição nos três formatos habituais da editora -- CD, LP e MP3 --, que a data de saída é 19 de Março (podendo já ser pré-encomendado), que a capa é a que se mostra mais abaixo e que o alinhamento vai ser ligeiramente diferente da edição da Farol, de 2009 (o disco perde também o título anterior, "Dance Mwangolé"):

1. Pronto pra Batida feat. MCK
2. Alegria (*)
3. Yumbala feat. Circuito Feixado
4. Tirei o Chapéu feat. Ikonoklasta
5. Puxa feat. Beat Laden
6. Bazuka (Quem me rusgou)
7. Tribalismo feat. Circuito Feixado (apenas no CD)
8. Ka Heueh feat. Ngongo
9. Saudade feat. Bob da Rage Sense
10. Cuka feat. Ikonoklasta

(*) Comicamente, um eventual erro da Soundway faz apresentar a faixa como sendo "Alergia" (sairá assim no alinhamento impresso no disco?)

Mais informações em www.soundwayrecords.com/catalogue/batida.html

100 discos de 1973, n.º 75



BUFFET HOTEL DE LA GARE BAMAKO
RAIL BAND (Mali)
Edição original: RCAM
Produtor(es):
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Criada em 1970, a Rail Band (ou Super Rail Band ou Bamako Rail Band ou ainda Super Rail Band of the Buffet Hotel de la Gare, Bamako) era uma banda... pública. Trabalhavam para os caminhos de ferro malianos, sob a tutela do Ministério da Informação e tocavam no bar Buffet do hotel da estação de Bamako para os viajantes cansados, como parte da estratégia para a preservação e difusão das tradições mandingas, ainda que a banda misturasse as formas ancestrais com as sonoridades cubanas que estavam em voga naquela zona de África desde os anos 40, com guitarras eléctricas e secção de metais, isto sem tirar destaque privilegiado a instrumentos enraizados na cultura mandinga como a kora ou o balafon. Por ela passaram, reparem só, Salif Keita (o primeiro vocalista, quando tinha apenas 21 anos) e, sucedendo-lhe, Mory Kanté.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 76



A PASSION PLAY
JETHRO TULL (Inglaterra)
Edição original: Chrysalis
Produtor(es): Ian Anderson
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Como um disco conceptual, com uma única faixa repartida por ambos os lados de uma banda de progs ingleses, chega ao primeiro lugar da billboard americana (em Inglaterra ficou-se pelo 13º) é um mistério difícil de perceber, pelo menos à luz dos dias de hoje, passados quase quarenta anos. Mas tal já tinha acontecido com o outro álbum conceptual do grupo, a obra prima "Thick as a Brick", de 1972, na altura tido como o primeiro disco de rock a apresentar uma única faixa. Eram os tempos gloriosos do prog. "A Passion Play" pode ser escutado na íntegra, aqui no youtube abaixo.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 77



VINCENT AHEHEHINNOU
& ORCHESTRE-POLY-RYTHMO DE COTONOU DAHOMEY

VINCENT AHEHEHINNOU & ORCHESTRE-POLY-RYTHMO DE COTONOU DAHOMEY (Benim)
Edição original: Albarika Store
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O Benim, antigo Dahomey, é aquele pequeno país africano da costa norte do golfo da Guiné, ladeado por Togo (e um pouco mais para ocidente pelo Gana) e pela Nigéria. Ou seja, estávamos em plena afrobeatlândia e a Orchestre Poly-Rythmo (ou Orchestre Poly-Disco ou Orchestre El Ritmo ou ainda Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou) era uma das bandas mais importantes daquela região e daquele género. Era, não. Continua a ser e continua a fazer digressões pelo mundo inteiro. A edição original deste disco era composta por quatro faixas de dança absolutamente arrebatadoras. A boa gente da Analog Africa reeditou o disco no ano passado, com o título "The First Album" e a designação atual da banda, Orchestre Poly-Rythmo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 78



AND THE WATERS OPENED
BETWEEN (Alemanha)
Edição original: Vertigo
Produtor(es): Ulrich Kraus
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Mais um grupo semi-obscuro dos tempos gloriosos do krautrock. A sua composição era de uma variedade excêntrica, o que trouxe repercussões óbvia à música que faziam. Entre os principais, havia: Peter Michael Hamel, compositor clássico, tocava sintetizador nos Agitation Free (há de vir um disco destes nesta lista); Robert Eliscu, americano, era o oboé convidado na Berliner Philharmoniker e oboista dos Popol Vuh; Cotch Black, outro americano, percussionista, havia tocado com Bob Dylan; Roberto Detrée, argentino, guitarrista, harpista e "motocelista" (de "motocelo", um violoncelo de uma única corda friccionada por uma roda motorizada), costumava tocar música latina. O resultado desta miscelânea de origens e de posturas pode-se escutar facilmente neste belo disco de composições simultaneamente clássicas, cósmicas, orientais, vanguardistas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 79



QUADROPHENIA
THE WHO (Inglaterra)
Edição original: Track/Polydor
Produtor(es): The Who, Kit Lambert
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E eis os The Who, um dos grupos mais (sobre)valorizados dos anos 70, com o seu álbum mais ambicioso, "Quadrophenia", segunda ópera rock de um grupo que nesta ideia foi pioneiro (a primeira havia sido "Tommy", de 1969).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

100 discos de 1973, n.º 80



VIVE LA TRANCE
AMON DÜÜL II (Alemanha)
Edição original: United Artists
Produtor(es): Olaf Kübler, Amon Düül II
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Parte da dinâmica criativa da música alemã (e das artes em geral) no final dos anos 60, início dos 70s, deveu-se às comunas que brotavam um pouco por todas as grandes cidades do lado ocidental (incluindo Berlim). Os Amon Düül II, de Munique, pioneiros na cena art rock, representam um dos resultados mais bem sucedidos desta história de vivências em comum, de partilha e intercâmbio de ideias entre diferentes formas de expressão artística. Ao sétimo álbum de estúdio, os Amon Düül II já andavam mais perto da canção do que das deambulações prog de trabalhos anteriores, mas "Vive la Trance" fica para sempre como um dos melhores discos do grupo, só talvez ultrapassado pelo debutante "Phallus Dei" ou pelo "Tanz der Lemminge". A faixa aqui escolhida, "Mozambique", é dedicada à ativista alemã Monika Ertl, assassinada nesse ano e que havia ficado conhecida por "vingadora de Guevara", embora nunca tenha ficado provado que tenha morto o executor de El Comandante.