terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Artistas mais ouvidos por aqui em 2010

(Bom, ouvidos a partir dos computadores ligados ao last.fm)

1. Ali Farka Touré & Toumani Diabaté
2. Peter Gabriel
3. Vampire Weekend
4. LCD Soundsystem
5. Donovan
6. Johnny Bokelo
7. B Fachada
8. David Bowie
9. Einstürzende Neubauten
10. Taken by Trees
11. Shellac Of North America
12. Les Shleu Shleu
13. Vashti Bunyan
14. Bill Callahan
15. Swans
16. Konono No.1
17. Univers Zero
17. José Afonso
19. Amanaz
20. Sonic Youth
20. The Buzzcocks
20. Orchestre Empire Bakuba

Os melhores concertos de 2010 (11 a 20)

11. Prince Rama @ ZDB (1/12)
O mundo só teria a ganhar com mais bandas como os Prince Rama. Ora psicadélicos, ora tribais, vozes bem colocadas à... Kate Bush, composições que parecem ter saído da imaginação do... Brian Eno. Magia, magia, magia. (Ah, e uma guitarrista-teclista linda de morrer.)

12. Tinariwen @ FMM (30/7)
De tantas vezes que cá vieram, já não constituem propriamente uma surpresa. Mas também não estamos exactamente fartos. Bem pelo contrário. O que interessa é que conseguiram hipnotizar aqueles que os viam no castelo de Sines com o ritmo e as malhas de guitarra que trouxeram do deserto. VÍDEO

13. Shellac @ Primavera (28/5)
Tinha-os visto dias antes, na ZDB. Tinha-os visto há exactamente um ano, neste mesmo palco ATP, no Primavera. Tinha contra mim um horário pouco contornável do festival. Mas mesmo assim, não era possível deixar escapar mais esta oportunidade de os ver ao vivo. Mais houvesse, mais seriam. VÍDEO

14. Michael Rother & Friends Present Neu! Music @ Primavera (29/5)
O revivalismo do kraut tem destas coisas boas: o lendário Michael Rother junta mais dois músicos, um dos quais o atarefadíssimo Steve Shelley, para reproduzirem ao vivo reportório dos Neu!... As gerações mais novas só podem agradecer. VÍDEO

15. Times New Viking @ ZDB (21/4)
É uma daquelas coisas cheias de frenesi, de ruído, de gritaria e de rebuçados sónicos, em que não se consegue ficar quieto. Times New Viking de volta, já!

16. Tortoise @ Primavera (27/5)
Escrevi na altura: "[Por comparação com os Ui] Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock." VÍDEO

17. Vashti Bunyan @ Lux (13/5)
Um dos acontecimentos do ano. Termos tido, em 2010, a possibilidade de ver esta lenda (quase) esquecida da folk britânica, é um privilégio intemporal. VÍDEO

18. Johan Karlberg (Radioclit) @ Lx Factory (13/2)
Mais um que desafiaria o conceito de concerto, se ainda vivessemos no século passado.
Festarola até às tantas em mais um magnífico "Baile" da Madame. O que eu lamento não ter visto os Very Best no Sudoeste.

19. Wimme @ FMM (29/7)
"Há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio." VÍDEO

20. Paus com Dj Riot & Dj Ride @ Lux (16/12)
Eu disse que ia haver mais Paus nesta lista. E a mais concertos tivesse assistido, mais Paus aqui haveria. Mas desta vez, só desta vez, Paus e agulhas tanto bateram que até fizeram faúlhas. Tenho pena de ter perdido o primeiro "Só desta vez", mas a segunda oportunidade deu para perceber o quanto esta boa gente se esforça para criar estas apresentações únicas. VÍDEO

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

OM na ZDB e no Passos Manuel, em Janeiro

Depois da boa notícia a dar conta da vinda dos Japanther, eis mais uma resposta a um dos velhos pedidos aqui da casa: OM. A dupla californiana vem à ZDB e ao Passos Manuel, a 30 e 31 de Janeiro, respectivamente. Celebremos!
(A primeira parte, em ambas as salas, na ZDB vai estar a cargo do baterista Gabriel Ferrandini.)



A ZDB já anunciou entretanto a restante programação para o primeiro mês de 2011:

7 (sexta) - JP SIMÕES
14 (sexta) - "Noite às Novas" (Rudolfo, EITR, Robert Foster, Alek Rein)
15 (sábado) - PHILL NIBLOCK, GERD STERN, KATHERINE LIBEROVSKAYA
20 (quinta) - JAPANTHER, SHELLSHAG
22 (sábado) - NICK NICOTINE & HIS MYSTICAL ORCHESTRA
30 (domingo) - OM, GABRIEL FERRANDINI

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Já repararam que...

...em 2011 vamos ter por cá a candidata a banda mais chanfrada de sempre, os Monotonix? São duas datas, 26 e 27 de Fevereiro, no Porto e em Lisboa, no Hard Club (ainda com Larkin e Glockenwise) e na ZDB. Vai ser absolutamente perigoso (e bom, claro). Espreitem a actuação destes israelitas no Milhões de Festa deste ano:

Os melhores concertos de 2010 (21 a 30)

21. Diplo @ Primavera (28/5)
Os puristas do rock nunca chamariam a isto um concerto. Deu para pular, deu para dançar, deu para fazer um festão pela noite dentro como poucas bandas conseguem fazer. Foi o quê, então? (Foi uma pena não ter conseguido ver Major Lazer...) VÍDEO

22. Lee 'Scratch' Perry @ Primavera (29/5)
Já começo a perder a conta ao número de vezes que vi o senhor Perry (e para o ano vai haver mais). Talvez, por isso mesmo, ele não fosse a opção mais óbvia no cartaz ultra-congestionado do Primavera, mas o destino prega partidas porreiras e esta foi uma delas. VÍDEO

23. Vitorino e Janita Salomé Com Grupo De Cantadores De Redondo @ FMM (28/7)
O Alentejo não seria o mesmo se não tivessemos os irmãos Salomé. E este foi um dos momentos mais bonitos, arrepiantes até, do FMM, que este ano inaugurou o slot no horário para o final de tarde no castelo (curiosamente, dois outros espectáculos que surgem mais abaixo, Kimi Djabaté e 34 Puñaladas, foram também à mesma hora, no mesmo espaço). VÍDEO

24. Kimi Djabaté @ FMM (30/7)
Já sabemos, mas ainda não somos muitos, que o Kimi Djabaté é um dos músicos maiores que connosco convivem. É grande nos discos, é grande nas actuações a solo, mas experimentem deixá-lo aparecer com a banda completa, incluindo o genial Galissá na kora. VÍDEO

25. Paus @ Churrasco (3/7)
Ok, foi um acontecimento. Churrasco para os amigos à porta da garagem onde a banda ensaia, bateria siamesa cá fora e, claro, uma apresentação dessa incrível máquina de ritmo com energia a rodos. E ainda há mais Paus nesta lista, mais acima.

26. Oquestrada @ Incrível Club (23/3)
Outros que abriram a porta de casa ao público. Ver os Oquestrada no Incrível, que os viu nascer, é uma experiência única.

27. 34 Puñaladas @ FMM (29/7)
Quem os viu e quem os vê. Cinco anos depois, os 34 Puñaladas voltaram a Sines, voltaram a dar um espectáculo ao fim de tarde, mas agora, numa formação mais reduzida, e com as guitarras e o tremendo calor da voz do Alejandro Guyot a darem ao tango a dignidade e a ousadia que realmente merece. VÍDEO

28. Lee Ranaldo & Rafael Toral @ ZDB (21/4)
Não é em qualquer noite de copos que esbarramos sem querer num Steve Shelley ou que vemos o seu parceiro Lee Ranaldo numa pequena sala cujos cantos conhecemos melhor que certas partes da nossa casa, mas, para lá do acontecimento social, e tal como nas vezes anteriores que este por cá passou a solo (Gulbenkian ou São Jorge, por exemplo), houve texturas e outras brincadeiras com a guitarra que nos fizeram subir à estratosfera da imaginação. VÍDEO

29. Pavement @ Primavera (27/5)
Eram o principal motivo para a romaria ao Primavera deste ano. E, mesmo que tudo o resto houvesse corrido mal, restar-nos-ia este belo momento. VÍDEO

30. Mission Of Burma @ ZDB (24/5)
Não saírem ofuscados pela actuação dos Shellac, na mesma noite, era missão quase impossível, mas foi magnífico ouvir "That's When I Reach For My Revolver" e outras por um trio de veteranos pelos quais não se sentiu a passagem da idade.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os melhores concertos de 2010 (31 a 40)

31. Dan Kaufman's Shiboleth @ Lounge (14/10)
Se eu aqui elegesse a figura do ano, Dan Kaufman podia bem estar lá no topo (ou perto dali). Este ano, esteve cá com os Barbez (esperem por mais desta lista) e, mais tarde, com um projecto semi-improvisado, ao lado de dois portugueses, Enrique TK e Gustavo Costa. Composições de origem judaica, algumas delas com mais de dois mil anos, em formato surf-rock, melopeias à Constellation ou outros desvarios sonoros.

32. Anonima Nuvolari @ Musicbox (7/1)
Dêem-lhes um palco, dêem-lhes público, se querem ver. Fazem um festão. Aliás, nem é preciso dar-lhes nada. Palco para eles é qualquer sítio. O público, esse, anda sempre atrás do combo de doidos. A festa está, por isso, sempre garantida.

33. Beak≫ @ Primavera (28/5)
Geoff Barrows, dos Portishead, a fazer... kraut à moda dos Neu!. Pode estar na moda, mas foi muito bom. VÍDEO

34. Panda Bear @ Lux (12/2)
O disco tarda a sair, mas vamos tendo a oportunidade de ouvir as novas canções em concertos como este. E quando a coisa rola em sítios como o Lux, rola bem. VÍDEO

35. Tiguana Bibles @ Barreiro Rocks (14/11)
A árvore genealógica do rock'n'roll de Coimbra já é imensa e poucos são os que se deixam dormir à sua sombra. Victor Torpedo, Kaló, Pedro Serra e a suprema voz de veludo da inglesa Tracy Vandal metem-nos dentro de um filme do David Lynch (qual 3D, qual quê).

36. Oquestrada @ Tasca Do Chico (11/3)
Os últimos anos têm trazido aos Oquestrada novos e maiores palcos, discos (edição nacional e uma edição internacional regravada), mas é bonito ver que o grupo continua fiel aos espaços onde nasceu, onde a Lisboa popular ainda escorre pelas paredes. VÍDEO

37. Ruby Suns @ Lx Factory (18/6)
Chegaram a Lisboa em formato reduzido, mas nesta noite pouco se perdeu da essência deste magnífico tropicalismo made in Nova Zelândia.

38. Gala Drop @ Coliseu Dos Recreios (22/4)
O entusiasmo da banda em abrir para Sonic Youth, no Coliseu dos Recreios, foi tanto que a luz foi abaixo. Mas o que se tinha passado até então mostrou que, aos poucos e poucos, o projecto vem a merecer ter a atenção de todo o mundo posta neles. VÍDEO

39. Beach House @ Primavera (28/5)
A noite ia caindo, compondo o cenário para um dos mais belos espectáculos da edição deste ano do Primavera. Menos gente houvesse e teria sido quase perfeito. VÍDEO

40. Real Combo Lisbonense @ Alameda (4/10)
Só indo a um baile do Real Combo é que se percebe a festança que João Paulo Feliciano e companhia montaram. Não é indicado, contudo, para pés-de-chumbo. VÍDEO

No próximo sábado...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PJ Harvey... voou

Ainda há poucos dias foi anunciada a data de 25 de Maio, na Aula Magna. A procura de bilhetes foi tão célere que, quase instantaneamente, a organização anunciou a segunda data, o dia seguinte. No site de venda dos bilhetes, a informação disponível permite concluir que também esta segunda data já esgotou enquanto o diabo esfrega o olho. Também não é difícil, de tão pequena que a Aula Magna é para a expectativa das nossas gentes por este regresso de Polly Jean Harvey aos palcos.
Quem não se abotoou a um bilhete tem agora que esperar que haja mais datas acordadas.

Os melhores concertos de 2010 (41 a 50)

Desta vez, não há por aqui grande tempo, nem paciência, para listas inacabáveis de discos e afins. Só concertos, e mesmo assim, com pena de não ter assistido a dezenas e dezenas de espectáculos que aconteceram ao longo de 2010 e nos quais, pelas mais diversas razões, não pude aparecer. Este é aliás um dos anos em que assisti a menos concertos. Deu ainda assim para juntar alguns dos que mais apreciei e fazer esta lista meio tosca cuja publicação agora se inicia:

41. The Fall @ Primavera (27/5)
Escrevi na altura: «tiveram um arranque enérgico, proporcionado por um dos temas-título do novo álbum “Your Future Our Clutter”, e a esperada sobranceria de Mark E. Smith, que se entreteve por várias vezes a mexer nos amplificadores dos seus músicos. Excelente versão do “Strychnine”, dos Sonics, uma vez gravada para uma Peel Session e depois tornada habitual ao vivo». VÍDEO

42. Ui @ Primavera (27/5)
Eram, nos anos 90, uma das bandas que mais queria ver em palco. Tanto tempo depois, chegou a oportunidade de ver aqueles dois baixos com bateria, "circunspectos mas exímios na linguagem do pós-rock que ajudaram a inventar. VÍDEO

43. Orquestra Imperial @ Alameda (4/10)
Começaram bem com algo que não me recordo de alguma vez ter visto: substituíram os "nossos" Real Combo Lisbonense sem deixar a música cair. Depois, animaram como se pretendia as gentes que estavam ali para o Baile da República.

44. Guadalupe Plata @ Barreiro Rocks (14/11)
Foram um dos nomes mais falados no SXSW, parece que arrasaram no Primavera e, obviamente, a passagem pelo Barreiro fez também mossa. Eles têm o blues todo.

45. Dávila 666 @ Barreiro Rocks (14/11)
Chamam-lhes os Black Lips de Porto Rico e, se calhar, até conseguem ser melhores. Foram um dos maiores estrondos sonoros do Barreiro Rocks deste ano. VÍDEO

46. Kočani Orkestar @ Martim Moniz (18/9)
Mais de 15 anos separaram os dois espectáculos a que assisti da Kočani, mas deu para perceber que estes ciganos da Macedónia continuam a ser, a par com a Fanfare Ciocărlia, uma das brass bands mais empolgantes das balcãs.

47. Pixies @ Primavera (28/5)
É um tanto ou quanto confrangedor ver este regresso dos Pixies prolongar-se sem (quase) nada de novo a aparecer, mas sempres são os Pixies, sempre deu para assistir a (mais um) desaguisado entre o Frank Black e a Kim Deal e... houve "Winterlong" do Neil Young! VÍDEO

48. Grupo Fantasma @ FMM (29/7)
Num ano em que o FMM deu especial atenção à expressão latina, estes texanos souberam pôr toda a gente a dançar sem parar. VÍDEO

49. Forro In The Dark @ FMM (30/7)
Não foram exactamente os Forro in the Dark dos discos, mas foram o ritmo que se queria naquela noite junto à praia. VÍDEO

50. B Fachada @ Bons Sons (Cem Soldos) (21/8)
Já um fenómeno de popularidade incrível, mesmo antes de começar a vender azeite, num concerto bonito, numa aldeia bonita. VÍDEO

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PÁRA JÁ TUDO. Japanther no Porto e em Lisboa!

Andei anos aqui a pedir que cá viessem. Chega de peditório! Eles vêm cá. Ian Vanek e Matt Reilly, dois miúdos de Brooklyn que andam desde 2001 a fazer estragos com o nome de Japanther vão pisar os palcos do Café au Lait, no Porto, e da ZDB, em Lisboa, a 19 e 20 de Janeiro, respectivamente. As produções estão a cargo da Lovers & Lollypops e da ZDB.



E para as primeiras partes de ambos os espectáculos trazem os Shellshag, outro duo de Brooklyn.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Só desta vez (II)

Hoje há Paus no Lux, com DJ Ride e DJ Riot. O início está marcado para as 11h, os bilhetes custam 8€ e estão à venda no Lux, na Flur e na Louie Louie (se não esgotarem entretanto, como é evidente).
O filme do ensaio promete coisa boa para esta noite:

Só desta vez - Paus convidam Dj Ride & Dj Riot from Tiago Pereira on Vimeo.



Primeiro, Paus. Depois, as geminídias. Programa perfeito.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais um

Mais um concerto anunciado com largos meses de antecedência: Marky Ramone, baterista dos Ramones desde 1978 até ao fim da banda e principal portador da mensagem Gabba Gabba Hey nestes últimos anos, vai voltar ao Santiago Alquimista: dia 8 de Junho de 2011.
(Notícia do Billy.)

PJ Harvey em Maio

Atravessamos uma época em que o anúncio dos concertos de média e grande dimensão é feito cada vez mais cedo. A última novidade é a vinda de PJ Harvey a Lisboa, para um concerto no dia 25 de Maio, na Aula Magna. O anúncio foi feito na sua página de facebook. Polly Jean virá acompanhada do trio de produtores do novo álbum, "Let England Shake": Flood, John Parish e Mick Harvey.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eat Skull! Logo! No Lounge!



Esta noite é noite de Eat Skull. A Filho Único traz ao Lounge esta malta de Portland, em parte descendente dos Hospitals (dois deles fizeram parte do grupo de Adam Stonehouse), mas com uma pop lo-fi (ou canções-farrapo, como lhes chama o Miguel Arsénio do Bodyspace) distante da selvajaria sonora e física daqueles. Ou talvez não tão diferente ao vivo, algo que se poderá perceber mais logo...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Povo que canta nas bancas

Michel-Marie Giacometti morreu há 20 anos, mas o seu nome perdura na memória daqueles que tiveram a sorte de o apanhar, através da televisão, a palmilhar, de gravador em punho, um país em que tudo ficava muito mais longe de tudo o resto, em que as tradições ainda se viviam no trabalho do campo, na faina do mar, em festas e celebrações únicas. Grande parte do que hoje conhecemos da história da música portuguesa, e, de uma forma mais abrangente, dos hábitos culturais e sociais dos portugueses do século passado, principalmente os portugueses que viviam fora dos centros urbanos, devemos ao trabalho coordenado por este etnólogo de origem corsa.

Felizmente, desde os Gaiteiros de Lisboa à família Pereira (tanto o pai, o músico Júlio, como o filho, o realizador Tiago), e entre tanta outra gente, há quem teime em não deixar cair o trabalho de Giacometti no esquecimento. Contudo, além dessas citações e de alguns (poucos) vídeos perdidos no youtube, tem sido difícil encontrar evidências do trabalho de Giacometti. Por absurdo que pudesse parecer, as gerações mais novas tinham até há bem pouco tempo, maior contacto com a folk americana recolhida por outro grandes etnomusicólogo, Alan Lomax, do que com os cantes de trabalho portugueses recolhidos por Giacometti.

Mas isto está a mudar. Hoje mesmo, o Público dá início à venda, com o jornal, de uma colecção de livros, DVDs e CDs onde é recuperada, na íntegra, a série "Povo que Canta", que Giacometti apresentou na RTP entre 1970 e 1974. Inclui ainda dois outros filmes de Giacometti, "Rio de Onor" e "Alar da Rede", e dois trabalhos inéditos em CD, "O Ladrão do Sado" e "Uma Longa Militância". Preço especial de lançamento: 5,9€ (8,9€ nas restantes entregas). É APROVEITAR, GENTE.

Há mais tempo, mas já neste ano de 2010, saiu também para os escaparates uma espécie de revisitação a "Povo Que Canta", com Ivan Dias e Manuel Rocha a repisarem os passos dados por Giacometti e a descobrirem o que aconteceu às tradições recolhidas há quarenta anos. O trabalho foi reunido em seis DVDs e já está à venda.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Amanhã, Gala Drop no M

Os Gala Drop acabaram de lançar, pela norte-americana Golf Channel Recordings, o EP "Overcoat Heat" (único formato: 12"). Já se encontra à venda na Flur e na Louie Louie e a banda vai apresentá-lo ao vivo amanhã, no Espaço M (antiga Casa d'Os Dias da Água, na rua D. Estefânia, 175). Do cartaz da festa, que está agendada para iniciar-se às 22h, fazem também parte Magina, que acabou de editar o CD-R "Nazca Lines", e, para o resto da noite, o japonês DJ Kent (Force of Nature e Backwoods).

Com a cortesia dos Gala Drop, e com um agradecimento especial ao António do Vai uma Gasosa pela dica do player, aqui estão os temas de "Overcoat Heat":

1. Drop








2. Rauze








3. Izod








4. Overcoat Heat








quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Hoje é dia de nos metermos nos assuntos dos blues

Já andam aí há alguns anos. Ensinaram-nos que os blues, nos tons mais fiéis ao género original, podem ser interpretados e ouvidos por malta nova. Agora convidam-nos a provar, a quem ainda disso precise, que um disco desta velha coisa do delta do Mississipi pode ocupar com a mesma galhardia o espaço da estante lá em casa.

Chamam-se Nobody's Bizness, contam com a voz de Petra e de Catman (que também pega na harmónica e se senta em frente ao piano, quando é caso disso), as guitarras, o banjo e dobro dos irmãos Luís e Pedro Ferreira, o baixo de Luís Oliveira e a bateria de Isaac Achega. Acabaram de lançar "It's Everybody's Bizness", álbum de estreia produzido a meias entre os próprios e Paulo Miranda, onde reúnem temas clássicos do género e ainda um punhado de originais.

Hoje dá-se o lançamento oficial do disco, com concerto no Maxime, a partir das 23h. Metamo-nos nesse tal assunto dos blues.

(Até lá, aproveitem para ler este belo press release escrito pelo António Pires.)

A História dos blues está feita de encruzilhadas. A lendária encruzilhada na quinta Dockery onde Robert Johnson terá vendido a alma ao diabo em troca de se tornar o melhor guitarrista de sempre. A escolha que foi apresentada pelo destino a T-Bone Walker, John Lee Hooker, B.B. King ou Muddy Waters: continuo a tocar guitarra acústica ou passo para a eléctrica e a minha música chega assim a mais pessoas (e, quem sabe, até mudo o futuro de toda a música popular)? A decisão de vida que Ali Farka Touré teve que tomar: serei para sempre taxista ou mecânico de automóveis ou tenho como missão vir a ser músico profissional e lançar as pontes definitivas entre os blues e a música da África Ocidental? Ou a encruzilhada que Eric Clapton encontrou quando percebeu que a sua vida não podia continuar dependente do álcool e das drogas duras: deixo esta merda ou serei para sempre conhecido como "o drogado que deixou o filho cair da janela e morrer"?

Ao fim de alguns anos a cantar e a tocar as canções dos bluesmen que mais amam e admiram, as questões que os Nobody's Bizness encontraram na sua encruzilhada pessoal não foram tão dramáticas nem tão românticas ou bizarras quanto estas, mas foram, mesmo assim, difíceis de resolver: continuaremos para sempre a fazer versões ou vamos em frente, pomos a cabeça no cepo e mostramos o que valemos também enquanto autores? E foi isso mesmo que fizeram. Ou, pelo menos, a cinquenta por cento. Depois de, em 2005, terem editado um álbum ao vivo gravado na Capela da Misericórdia, em Sines, onde interpretavam temas de Robert Johnson, Willie Dixon ou Lonnie Chatmon, os Nobody's Bizness têm agora um álbum em que seis das doze canções têm assinatura do grupo (com a preciosa ajuda de João MacDonald nas letras de uma delas). E saíram-se brilhantemente da tarefa! Nos seus originais estão toda a paixão e ensinamentos que sempre retiraram dos blues, mas também o amor que têm pela country, pelo bluegrass, pela folk norte-americana (ou por um eventual eixo canadiano que une Leonard Cohen, Neil Young e Joni Mitchell), pelo jazz e por uma visão aberta das músicas do mundo. E, ao lado de várias versões de Willie Dixon (ainda e sempre) ou William Broonzy, aqui estão meia dúzia de originais que põem desde já os Nobody's Bizness num elevadíssimo patamar criativo.

Uma outra encruzilhada, digamos paralela (se é que se pode falar de paralelas quando também se fala de encruzilhadas - mas essa é uma boa questão para os geómetros resolverem), que os Nobody's Bizness encontraram foi a opção de gravar, ou não, em estúdio. Tendo o palco como território natural para a sua música, como é que o brilho da voz de Petra, a magia da harmónica e a profundidade de voz de Catman, as finíssimas filigranas das guitarras e banjos dos irmãos Ferreira e os tapetes voadores de Luís Oliveira e Isaac Achega poderiam ser recriados - porque é de recriar que aqui se trata - em estúdio? A questão era complicada mas resolveu-se de forma fácil: tendo como aliado Paulo Miranda, que com os Nobody's Bizness co-produziu o disco no seu AMP Studio, em Viana do Castelo, o grupo lisboeta rapidamente descobriu no estúdio minhoto uma extensão da sua sala de ensaios onde todos se sentiram confortáveis e a sua música pôde fluir livremente. E, se o primeiro álbum circulou por um grupo restrito de fãs fiéis e habituais, os Nobody's Bizness são agora everybody's bizness, para ouvir de ouvidos limpos e alma aberta.

António Pires
Outubro de 2010


Alinhamento do disco:

1 - I want a little boy (Murray Mercher/Billy Moll)
2 - Don't go no further (Willie Dixon)
3 - Time waster (Nobody's Bizness)
4 - When monday comes (Nobody's Bizness) *
5 - Nobody (no guidance song) (Nobody's Bizness)
6 - This pain in my heart (Willie Dixon)
7 - When the lights go out (Willie Dixon)
8 - Roll mamma (Nobody's Bizness)
9 - Blues for the month of june (João MacDonald/Nobody's Bizness)
10 - The blues don't care (Gwill Owen/Charles Olney)
11 - Black, brown & white (William Broonzy)
12 - Show's up! (Nobody's Bizness)

* Com Francisco Silva (Old Jerusalem) e Ana Figueiras (Unplayable Sofa Guitar) nos coros.