sexta-feira, 30 de abril de 2010

Duas mãos

Noutros tempos, uma resposta frequente de Adolfo Luxúria Canibal a perguntas do género "a quem é que os Mão Morta se dirigem?" era algo como: "Os Mão Morta dirigem-se tanto ao miúdo traquinas da última carteira como ao intelectual de óculos da primeira". Ou outras palavras parecidas. Com o tempo, fosse pelo permanente desejo da banda, enquanto colectivo, em arriscar pisar novos terrenos sonoros, fosse pela entrada de novos elementos provenientes de outras andanças, fosse pelo que fosse, os Mão Morta vieram alargando a sua base de seguidores, ao mesmo tempo que deixavam claro (e continuam a deixar) provas de vida inegáveis. Do ponto de vista estritamente musical, que é olhar para a carreira do grupo como descrever um elefante pela tromba, meteram-se no trip-hop com "Tu Disseste", foram ao nu-metal com "Cão da Morte", experiência que ganhou com o tempo (falo por mim, obviamente) e que acabou por, de alguma forma, moldar os arranjos ao vivo para temas mais antigos, como os mais pesados do disco "Mutantes S.21". Pelo caminho, reforçaram a expressão conceptual e dramática como ninguém por cá (e poucos lá fora) consegue, com projectos como "Müller..." e "Maldoror". Hoje, 25 anos depois dos primeiros concertos, e para responder àquela tal pergunta usando o mesmo tipo de metáfora, o Adolfo teria que demorar mais tempo a apontar os estereótipos da sala de aula. E parte desta noite no Coliseu dos Recreios teve a ver com isto, como numa ilustração viva do que têm sido estes 25 anos e do que poderão ser os próximos.

Apetecia-me escrever 500 ou 1000 linhas sobre "Tiago Capitão", tema que abriu o primeiro dos três encores da noite, que encerra o novo "Pesadelo em Peluche" e que é, na minha opinião, o melhor momento dos Mão Morta nos últimos anos. Ainda que não seja especialmente rico ou diversificado de composição ou de arranjos, podendo resumir-se a um riff de piano, ao qual vão sendo sobrepostos e contrapostos cânones nos outros instrumentos, inclusive na voz de Adolfo, num refrão também ele repetitivo -- "Vamos em frente, olho por olho, dente por dente, ó Capitão" -- há algo por ali que mexe em memórias e afectos, talvez a atmosfera de canção antiga de revolução, de canção de partisanos em homenagem a um herói nunca esquecido no tempo... cheguei até a imaginar o tema no reportório do Zeca Afonso. Não é tão bom quando a música nos faz ter estas viagens?

O contraponto de "Tiago Capitão", e daí o título deste texto rapidamente amanhado por falta de tempo para mais, foi "Como um Vampiro". Confesso que tenho grandes dificuldades em conceber o grupo neste registo (inédito) de "gótico alla Heroes del Silencio" -- lamento não encontrar outra forma menos ofensiva de o dizer -- ainda para mais com o vocalista dos Moonspell, segunda voz no disco e no palco desta noite, que ainda trouxe um colorido, passe o termo, mais folclórico à ocasião.

Entre os novos temas, aos quais faltará certamente a necessária rodagem (ainda que, surpreendentemente, tenham corrido muito melhor do que esperava para uma primeira apresentação, fosse quem fosse que estivesse em palco), destaco ainda "O Seio Esquerdo de R.P.". Juntamente com "Tiago Capitão" e "Estância Balnear" (que, salvo erro, faltou) constitui um dos melhores momentos do disco. Houve ainda, claro, a recuperação de canções antigas, que funcionam sempre -- começaram, aliás, por agarrar desde logo o público com "Oub'Lá" e "E Se Depois".

Foi bom, mas também foi estranho. Certamente que os extremos a que aludi ajudaram muito a esta sensação de estranheza com que saí (não fui o único, entre os que me rodeavam) do Coliseu depois destas duas horas ou mais de concerto. Uma coisa é garantida: venham mais, que até agora, não nos cansámos. E eles também não.

Alinhamento, obtido em parte com ajuda da reportagem da querida Lia no Blitz (para o fim, a ordem já não é certa, desculpem): Oub'Lá, E se Depois, Teoria da Conspiração, O Seio Esquerdo de R.P., Fazer de Morto, Como um Vampiro, Budapeste, Novelos da Paixão, Amesterdão, Barcelona, Vamos Fugir, Cão da Morte, Anarquista Duval, Tiago Capitão, 1º de Novembro, Quero Morder-te as Mãos, Velocidade Escaldante e Charles Manson. Actualização, com ajuda do Nuno Proença: 1. Oub'Lá, 2. E Se Depois, 3. Teoria da Conspiração, 4. Penitentes Sofredores, 5. Tu Disseste, 6. O Seio Esquerdo de R.P., 7. Fazer de Morto, 8. Como Um Vampiro, 9. Budapeste (Sempre a Rock & Rollar), 10. Novelos de Paixão, 11. Tardes de Inverno, 12. Em Directo para a Televisão, 13. Amesterdão (Have Big Fun), 14. Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real), 15. Vamos Fugir, 16. Cão da Morte, 17. Anarquista Duval // 18. Tiago Capitão, 19. Paisagens Mentais / 20. 1º de Novembro // 21. Quero Morder-te as Mãos // 22. Velocidade Escaldante, 23. Charles Manson

quinta-feira, 29 de abril de 2010

É hoje!



Hoje dá-se o regresso, 11 anos depois, dos Mão Morta ao Coliseu dos Recreios, com o novo álbum, "Pesadelo em Peluche", que entrou directamente para o 3º lugar de vendas, e os 25 anos de carreira a contarem como motivos. As portas abrem às 20h30 e o concerto está marcado para começar uma hora depois. Os bilhetes para a plateia custam 20 euros.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Forro in the Dark e outros "latinos" no FMM



Mauro Refosco (tambor zabumba), Davi Vieira (percussão), Guilherme Monteiro (guitarra), e Jorge Continentino (saxofone e pífaro) são quatro brasileiros emigrados em Nova Iorque, como tantos outros. Músicos, como tantos outros. Mas os quatro formam também o colectivo Forro in the Dark, único na forma como casa o forró do Nordeste brasileiro com outras músicas, do rock ao jazz, numa maneira, digamos, muito nova-iorquina. Tornaram-se especialmente conhecidos quando David Byrne os apadrinhou e desde então tem sido aclamados por meio mundo. Vão estrear-se em Portugal com um concerto em Sines, na madrugada de 30 de Julho, junto à praia.

O próximo FMM vai, aliás, ter mais música de expressão ou tons latinos. É o caso da cantora Céu, também brasileira e cada vez mais famosa nos EUA, ocupando na tabela billboard uma posição que já não se via desde Astrud Gilberto, nos anos 60. O seu espectáculo vai ser dia 28 de Julho, no Castelo. Dias antes, a 24 sobe ao palco de Porto Covo, La 33, uma orquestra colombiana de salsa. Da Argentina, e cinco anos depois, regressam ao FMM os 34 Puñaladas: dia 27, no auditório do Centro de Artes de Sines. Na madrugada de 28, actuam na praia os peruanos Novalima. Também na praia, mas na madrugada seguinte, uma estreia em palcos europeus: Las Rubias del Norte vêm dos EUA, não são de origem latina e vêm do canto clássico, com um projecto que recupera a música latina dos anos 30 a 50 do século passado, que dominava as ondas da rádio antes do rock entrar em força. Finalmente, no que a este conjunto de novidades latinas no FMM diz respeito, outro colectivo norte-americano, Grupo Fantasma, também destacado para a praia, para a madrugada de 29.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vashti Bunyan um dia antes e com B Fachada na primeira parte

Qual Papa, qual Cova da Iria, qual quê. 13 de Maio vai ser o dia de Vashti Bunyan no Lux, antecipado que foi, num dia, o primeiro concerto por cá da mítica figura da folk inglesa dos anos 60. E a primeira parte vai estar a cargo de um valor enorme da nova música portuguesa, B Fachada. Os bilhetes custam 12€ e vão ser colocados à venda na Flur, na Louie Louie e na bilheteira do Lux, a partir da próxima quinta-feira, dia 29 de Abril.

domingo, 25 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mas este gajo só fala de alinhamentos?

Como é que dois alinhamentos tão semelhantes...
Perdoem-me os que não tiveram oportunidade de ver os Sonic Youth, no ano passado, no Primavera Sound, mas não consigo deixar de reagir ao concerto desta noite sem ter por referencial aqueloutro. Como é que dois espectáculos com alinhamentos tão semelhantes, conseguem ser tão diferentes, pelo menos nas reacções que provocaram a mim e, suspeito, a outros que, como eu, também lá estiveram? Será porque hoje estávamos numa sala cheia, comprimida, com muito calor e muito suor, e não numa doca, ao ar livre, entre largos milhares de pessoas, entre horários de dezenas e dezenas de outras actuações? Será porque os temas mais recentes estão agora mais rodados ao vivo? Será porque hoje a banda esteve efectivamente melhor, sem ostentar aquele ar de frete do ano passado? Será porque a empatia com o público foi outra? Será pelo clima de euforia com que toda a gente -- pelo menos ao meu redor -- ansiava pelo concerto de hoje? Não sei. O que sei é que tudo hoje, desde os temas mais recentes até coisas antiquíssimas como "Shadow of a Doubt", "Schizophrenia", "Cross the Breeze" ou "Death Valley '69" soava (e fazia suar) de uma forma que me fez sentir um miúdo a ir aos seus primeiros concertos no Coliseu (tal como o André, que tem 14 anos e saiu de lá com um sorriso de orelha a orelha). Estes foram os "meus" Sonic Youth. Os meus e os de muita gente, ao longo de várias gerações. E provavelmente vão por cá andar ainda em 2020 ou 2030, a conquistar novos públicos e a manter estas relações "para a vida" com as gerações mais antigas. Pelo menos, é o que o espectáculo de hoje sugere.
Muito bem estiveram também os Gala Drop. Surpresa ou não, o cosmos alucinante que o grupo serve tão bem modo dub -- hoje com uma incursãozita por uma cena mais disco-trashy -- acabou por colher bastante entusiasmo junto de público que não os conhecia e que até protestou pelo acontecimento estranho ao último tema. É que as luzes apagaram-se e, segundos depois, aconteceu o mesmo ao som. Toda a gente ali por perto imaginou que terão sido "calados", mas fontes próximas da banda (sempre quis usar esta expressão) garantiu que foi uma falha técnica. Há quem não acredite...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Hits are for squares" ou afinal, o alinhamento vai ser outro

Ao que tudo indica, o alinhamento dos concertos dos Sonic Youth nestas quinta e sexta-feira, em Lisboa e Porto, vai ser diferente daquele que foi tocado em Barcelona e na primeira das datas de Madrid, esta semana, ao contrário do que anunciava aqui. Acontece que aquele alinhamento de hits antigos se deveu ao facto de Mark Ibold, baixista dos Pavement e -- desde a saída de Jim O'Rourke -- também baixista dos SY, não ter conseguido voar para Espanha a tempo daqueles primeiros dois concertos. Entretanto, chegou e já pôde estar presente na segunda data de Madrid e também já se encontra por Lisboa, com o resto da banda. Pelo que se conta, embora ainda não tenha conseguido encontrar nada, com a presença de Ibold, o alinhamento já foi (e será, portanto) diferente.
(Ah, e a performance do Lee Ranaldo na sua Fender Jaguar suspensa no tecto, com a percussão de Rafael Toral, esta noite, foi soberba. E os Times New Viking, que são os filhos rebeldes dos Pavement, ao vivo, são também devastadores.)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Canal Panda

"This is Happening", LCD Soundsystem, álbum do ano? Vai estar nas listas, certamente, mas se há uma certeza inabalável, perfeitamente inabalável (e inapelável), é que o videoclip para o primeiro single, "Drunk Girls", é das melhores coisas que já foram vistas nos últimos tempos no que ao casamento entre imagens e música diz respeito. E diz-se que foi realizado por Spike Jonze.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ainda mais a respeito dos SY (spoiler)

(E esta não é para ser lida para quem se aborrece quando vê o alinhamento de canções antes do concerto.)




(Vamos dar aqui alguns espaços, para não haver percalços da vossa parte.)









(Ok, um bocadito mais de espaços.)


















(Está quase, se andarem mais para baixo, vão acabar por ver o alinhamento...)











(Foram avisados)










(3)












(2)












(1)
















(Ok, aqui vai.)









(Só mais algumas linhas, por causa dos últimos distraídos.)















Setlist do concerto no Razzmatazz, ontem em Barcelona, a acreditar no fã que a deixou no last.fm (obrigado, João Belo, pela dica):




1.Candle 2.Bull in the Heather 3.Catholic Block 4.Stereo Sancity 5.Hey Joni 6.The Sprawl 7.Cross the Breeze 8.Trilogy:The Wonder 9.Trilogy:Hyperstation 10.Skip Tracer 11.Shaking Hell 12.White Cross 13.Expressway to Yr Skull (ENCORE) 14.Tom Violence 15.Brother James (ENCORE 2) 16.Shadow of a Doubt 17.Death Valley '69

Quem é que esperava temas do último álbum ou até mesmo temas inéditos, como não é raro nos Sonic Youth? Os Sonic Youth em modo nostalgia. :)
(VAI SER B-R-U-T-A-L, CLARO.)

Apesar do Eyjafjallajökull, há Sonic Youth

Só para sossegar os mais receosos fica aqui a nota de que, apesar das restrições no espaço aéreo e apesar ainda de não haver respostas da entidade organizadora dos concertos por cá às duvidas entretanto surgidas, os Sonic Youth conseguiram chegar a Barcelona, onde actuaram ontem (eis uma prova aqui, por exemplo). Seguem-se hoje e amanhã os concertos no La Riviera, de Madrid, sendo que na quarta-feira teremos o Lee Ranaldo na ZDB com o Rafael Toral (e ainda os Times New Viking), e os esperados concertos de Sonic Youth, nos coliseus de Lisboa e Porto, nos dias subsequentes.

sábado, 17 de abril de 2010

E, já agora, também sobre a celebração do objecto

Por trás da celebração das lojas de discos, naturalmente se esconde a celebração do próprio objecto que naquelas é transaccionado, consultado, discutido, admirado. A esse propósito, veja-se, por exemplo, esta edição luxuosa que a editora belga Crammed acabou de lançar:




Congotronics Vinyl Box Set


Imaginem que, sob este aspecto deslumbrante, se podem encontrar:
- O primeiro álbum dos Konono nº1, "Congotronics";
- O segundo álbum, a editar em breve, dos mesmos Konono nº1, "Assume Crash Position" (LP duplo);
- A compilação "Congotronics 2";
- O álbum dos Staff Benda Bilili, "Très Très Fort", uma das grandes obras primas lançadas no ano passado (e que vamos poder assistir ao vivo no próximo FMM Sines);
- O álbum dos Kasaï Allstars, "In The 7th Moon, The Chief Turned Into A Swimming Fish And Ate The Head Of His Enemy By Magic";
- Um livro de fotografias tiradas em Kinshasa sobre toda a cena "Congotronics";
- Uma pen de 2GB com nove vídeos e mp3s de todos os cinco álbuns aqui incluídos;
- Um sete polegadas com faixas inéditas dos Kasaï Allstars, uma das quais com a colaboração dos norte-americanos... Akron/Family!

Ufa. Até dói.
Tudo isto por 80 libras (para já, em pré-compra durante quatro semanas) e com entrega para o final do mês de Junho.

Hoje é RSD



A Pitchfork apresenta na íntegra, a partir de hoje e durante uma semana, "I Need That Record!", um documentário sobre o declínio das lojas independentes de discos nos EUA.
Não vejam o documentário hoje. Hoje é dia para celebrarmos as (boas) lojas de discos que temos (e que queremos continuar a ter). Hoje é o Record Store Day.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sábado é RSD

O próximo sábado é o grande dia das lojas independentes de discos, o "Record Store Day". Há quase um milhar de lojas de discos por todo o mundo que depois de amanhã vão celebrar o dia de forma especial, com concertos, sessões de deejaying e outras iniciativas. O dia serve também de mote para bandas como os Blur, entre muitas outras, lançarem edições especiais. Por cá, e à semelhança do que já aconteceu no ano passado, o dia é celebrado por alguns dos nossos santuários de perdição:

* A FLUR (Lisboa) é uma das mais empenhadas e vai contar com concerto de Pedro Magina (Aquaparque), sendo que a actuação de Bill Orcutt foi cancelada, por causa das restrições aéreas no Reino Unido provocadas pelas cinzas do vulcão islandês. O Teatro Praga fará uma apresentação especial para "Demo, Um Musical", de Kevin Blechdom, Christopher Fleeger e Andres Loo. Haverá ainda sets de DJ Ride, Vítor Belanciano, Nuno Galopim, Rui Tentúgal e Bros. Rui Miguel Abreu fará uma visita guiada a capas de discos sob a temática "Electrónica e Espaço". No balcão vão estar Joaquim Albergaria, Rui Miguel Abreu, Isilda Sanches, Joana Bernardo, Sérgio Hydalgo, etc. E há também, claro, as inevitáveis promoções, algumas das quais já activas, que podem ser consultadas aqui.

* A JO-JO'S/CD-GO (Porto) vai ter espectáculos de Soaked Lamb (12h), Cavalheiro (16h), Complicado (17h) e Andrew Thorn (18h30). Os discos, o equipamento hi-fi e o merchandising terão 20% de desconto, ao passo que os livros e revistas estarão 10% mais baratos.

* A LOUIE LOUIE (Lisboa, Porto e Braga), terá desconto de 20% em todos os artigos. Na loja de Lisboa vai haver uma exposição retrospectiva de capas de discos da Factory.

* A CARBONO (Lisboa) aproveita e celebra também o seu 17º aniversário. Vai oferecer t-shirts da loja e pacotes surpresa com CDs.

* A TREM AZUL (Lisboa), que estará ocupada em larga parte com a Festa do Jazz terá ainda assim oportunidade de celebrar o RSD através de promoções em alguns artigos.

O site www.recordstoreday.com indica ainda que a WAHWAH (Aveiro) vai associar-se ao dia, mas não é indicada a forma com que o vai fazer. Se alguém souber, se alguém souber de outras iniciativas noutras lojas nacionais, por favor: comentários. E, já agora, para quem se vir perdido em Lisboa, há por cá isto.

Vêm aí o Indie

Vem aí mais um Indie, o festival de cinema independente de Lisboa, que pelo sétimo ano volta a colocar parte da cidade em alvoroço com uma programação criteriosa e atenta. Entre 22 de Abril e 2 de Maio, oito salas vão estar a funcionar durante centenas de sessões de projecção. Entre os vários blocos de programação (consultar aqui), a música volta a ter um espaço importante. Aqui, o principal destaque vai para a estreia mundial de "Significado - A Música Portuguesa se Gostasse Dela Própria", de Tiago Pereira, já aqui falado (só é pena que haja apenas uma sessão, para mais na sala menor do São Jorge). Há também um documentário sobre o festival All Tomorrow's Parties, com actuações de Animal Collective, Sonic Youth, Lightning Bolt, Akron/Family, Grinderman e dezenas de outros nomes incontornáveis num festival que já é mítico. Há filmes sobre a nova música popular de Angola, há os documentários gravados recentemente no MusicBox (ver aqui) e, entre outras propostas, o último documentário sobre os Doors, de Tom DiCillo, "When You're Strange". Mas aqui fica a programação completa do IndieMusic:

All Tomorrow's Parties
Jonathan Caouette (Doc, Reino Unido, 2009, 82')
Un 45 tour de cheveu (ceci n'est pas un disque)
Frank Beauvais (Exp, França, 2009, 7')
23 Sex, 00h00, São Jorge 3
1 Sáb, 23h00, São Jorge 3

Angola - Histórias da Música Popular
Jorge António (Doc, Portugal/Angola, 2005, 52')
Kuduro - Fogo na Museke
Jorge António (Doc, Portugal/Angola, 2007, 52')
27 Ter, 21h45, Culturgest Peq. Auditório

O Lendário "Tio Liceu" e os Ngola Ritmos
Jorge António (Doc, Portugal/Angola, 2009, 52')
30 Sex, 21h30, Culturgest Grande Auditório

Leonard Cohen: Live at the Isle of Wight 1970
Murray Lerner (Doc, EUA, 2010, 64')
24 Sáb, 00h00, São Jorge 3
2 Dom, 18h45, São Jorge 3

Dealema (MusicBox Club Docs)
Paulo Prazeres (Doc, Portugal, 2010, 58')
28 Qua, 19h, São Jorge 1

JP Simões (MusicBox Club Docs)
Paulo Prazeres (Doc, Portugal, 2010, 58')
26 Seg, 19h, São Jorge 1

Micro Audio Waves (MusicBox Club Docs)
Paulo Prazeres (Doc, Portugal, 2010, 58')
27 Ter, 19h, São Jorge 1

Terrakota (MusicBox Club Docs)
Paulo Prazeres (Doc, Portugal, 2010, 58')
29 Qui, 19h, São Jorge 1

X-Wife (MusicBox Club Docs)
Paulo Prazeres (Doc, Portugal, 2010, 58')
30 Sex, 19h, São Jorge 1

On the Road to Femina
Jorge Quintela (Doc, Portugal, 2010, 58')
Life Ain't Enough for You
Paulo Furtado (Exp, Portugal, 2010, 3')
No Way to Leave on a Sunday Night
Paulo Furtado (Exp, Portugal, 2010, 3')
I Just Wanna Know (What We're Gonna Do)
Paulo Furtado (Exp, Portugal, 2010, 3')
25 Dom, 18h, São Jorge 1

Significado - A Música Portuguesa se Gostasse Dela Própria
Tiago Pereira (Doc, Portugal, 2010, 42')
B Fachada Tradição Oral Contemporânea
Tiago Pereira (Doc, Portugal, 2009, 52')
2 Dom, 16h15, São Jorge 3

Strange Powers - Stephin Merrit and The Magnetic Fields
Kerthy Fix/Gail O'Hara (Doc, EUA, 2009, 82')
29 Qui, 00h00, São Jorge 3

Villalobos
Romuald Karmakar (Doc, Alemanha, 2009, 110')
29 Qui, 21h45, São Jorge 1
2 Dom, 21h30, São Jorge 3

We Don't Care About Music Anyway…
Cédric Dupire/Gaspard Kuentz (Doc, França, 2009, 80')
23 Sex, 16h15, São Jorge 3
1 Sáb, 21h30, São Jorge 3

When You're Strange
Tom DiCillo (Doc, EUA, 2009, 90')
23 Sex, 19h00, São Jorge 1
25 Dom, 00h00, São Jorge 3

(Os bilhetes já se encontram à venda.)

Temos um Sónar aqui mesmo acima de nós

O Sónar Galicia, a nova extensão do festival barcelonês, que se realiza na Corunha enter 17 e 19 do mês de Junho (e é sempre mais giro dizer Xuño), está a ficar com uma programação apelativa. Entre concertos e sets de deejaying, vai haver LCD Soundsystem, Air, Hot Chip, 2manydjs, Laurent Garnier, Sasha, Booka Shade, Matthew Herbert's One Club, Fuck Buttons, Flying Lotus, Fat Fish, Uffie, Broadcast, anbb / Alva Noto + Blixa Bargeld, Carte Blanche (DJ Mehdi & Riton), Delorean, The Slew featuring Kid Koala,Cora Novoa, Grobas , Viktor Flores, O.M.E.GA, John Talabot, Ino, Eme DJ, 6PM, Fake Robotique, Fluzo, Caradeniño DJ, BFlecha vs Mwëslee, Cauto, David M, entre outros. E entre o contigente de artistas, encontram-se também os "nossos" valentes Octa Push e ainda Labrador + P.MA (já agora, alguém me confirma que este é P.MA, artista visual nortenho, é o Pedro Maia da movida bracarense dos anos 80, tendo integrado a formação dos Bang Bang, uma versão pré-histórica dos Mão Morta?).
O passe para os três dias custa 50€, havendo bilhetes diários.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pesadelo em escuta

"Pesadelo em Peluche", o novo álbum dos Mão Morta, cuja saída para as lojas ocorrerá na próxima segunda-feira, já pode ser escutado na íntegra no myspace da banda, pelo menos durante esta semana.

Hoje há The Sticks


Mais uma noite Filho Único no Lounge, hoje com os ingleses The Sticks, que já cá vieram fazer a primeira parte dos Black Lips na Caixa Económica Operária, no ano passado. Tocam também amanhã em Coimbra, no Via Club, tendo já passado por Bragança ontem, aparentemente.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Uma viagem pela Ocitânia, paragem nº5



Quem: LO CÒR DE LA PLANA
Onde: Marselha
Quando: 2001-...
Como: Meia dúzia de homens que mantém bem viva a tradição das polifonias ocitanas, cantando na língua da sua nação. Estiveram em Sines há dois anos.
Mais: myspace.com/locordelaplana