segunda-feira, 1 de junho de 2009

Records catalans

Aproveito para partilhar alguns dos momentos vividos ao longo de um fim-de-semana com tanto de inesquecível quanto de cansativo:

U. Os dez melhores concertos, por ordem de preferência: Neil Young, Shellac, My Bloody Valentine, Jason Lyttle, Liars, Black Lips, The Jesus Lizard, Spectrum, Sonic Youth, The Vaselines.

Dos. Neil Young curto demais. Houve vários pontos de contacto com o concerto em Lisboa, no ano passado. Das canções mais conhecidas, não houve (e foi uma pena) o "Words" e várias outras, mas houve "Cinnamon Girl", "Down by the River", "Mansion on the Hill" e, a única nova, "Get Behind the Wheel". Mas do que mais se notou a falta, e daí também o concerto ter sido relativamente curto face ao que se esperava, foi dos temas longos, daqueles em que Young abraça a guitarra, explora a distorção, procura o feedback, sem pressa de terminar a relação de amor com as seis cordas. Alinhamento: Mansion on the Hill, Hey Hey My My, Are you Ready for the Country, Everybody Knows this is Nowhere, Pocahontas, Spirit Road, Cortez the Killer, Cinnamon Girl, Oh Mother Earth (Natural Anthem), Needle and the Damage Done, Unknown Legend, Heart of Gold, Old Man, Down by the River, Get Behind the Wheel, Rockin' in the Free World, A Day in the Life (encore).

Tres. A maior desilusão do festival? Sonic Youth. Foi, em matéria de pesos e medidas, um bom espectáculo. Ouvir o "Brother James", o "Hei Joni" ou o "Tom Violence", só para citar algumas das mais antigas, num mesmo concerto, é coisa pela qual um tipo se deve sentir privilegiado. Mas, e é um grande "mas", estando-se num festival em que metade do cartaz deve a sua existência aos Sonic Youth e usa mesmo o palco, como filhos de peixe que sabem nadar, para desafiar algumas das convenções que estes vieram a derrubar ao longo dos anos é, no mínimo, decepcionante ver os progenitores, para mais elevados a cabeças-de-cartaz principais, pouco capazes de arriscar fosse o que fosse (uma ausência total de coragem se nos lembrarmos da actuação dos My Bloody Valentine, por exemplo) ou de mostrarem algo mais do que aquele ar de tédio com que enfrentaram o palco (parecia até haver algum desconforto entre os elementos do grupo, quem sabe sintoma do regresso a uma editora independente). Foi tudo tão diferente quando, há oito anos, os vi nesta mesma Barcelona, a apresentarem o projecto "Goodbye 20th Century". Agora, no Primavera, foram apenas mais uma banda... como as outras, com um bom concerto... como os outros. Alinhamento (com * os temas do novo álbum, "The Eternal"): Brother James, Sacred Trickster*, Hey Joni, No Way*, Calming The Snake*, Antenna*, The Sprawl, Cross The Breeze, Anti-Orgasm*, Leaky Lifeboat*, What We Know*, Tom Violence, Pink Steam, Bull In The Heather (encore), Expressway To Yr Skull (encore).

Quatre. Steve Albini é Deus. Pouco depois de Jarvis Cocker, a quem Albini produziu o mais recente álbum, acabar no palco principal, voltou com os seus parceiros Bob Weston e Todd Trainer ao palco ATP, para ali produzir um dos maiores estrondos do festival. Som perfeito, coisa pouco frequente neste palco (pior ainda era o RockDeluxe, já agora), experiência e técnica a rodos entre os três, permitindo um entrosamento magnífico como banda, coisa também nem sempre frequente em muitas das outras bandas, especialmente as deste palco, e um alinhamento magnífico (fez falta o "Prayer to God"). Grande final com "The End of Radio", uma de várias que foram buscar ao último álbum, numa performance apoteótica, onde nem sequer a bateria, que foi desmontada peça a peça por Albini e Weston, sobrou. Memorável. Só por isto já teria valido a pena este Primavera.

Cinc. Os tampões para My Bloody Valentine. À entrada, nos dois primeiros dias, respectivamente os dos concertos dos irlandeses no palco principal e no auditório, a organização distribuía aos participantes tampões para os ouvidos. É que -- e eu só vi o concerto do palco principal -- o volume e o ruído que ali se produziram desafiou tudo o que até hoje já se viu, perdão ouviu, à frente de um palco. Não espanta que haja quem fique com a audição reduzida depois destes concertos de regresso da banda de Kevin Shields (a começar pelo próprio). A demonstração de maior coragem, tanto por parte da banda como do público, veio com "You Made Me Realise", com que os MBV têm encerrado estes concertos, onde no meio surgem quase vinte minutos de ruído intenso, só eventualmente comparável ao que se ouvirá no interior de um reactor de um avião ou pairando por entre nuvens em permanente colisão.

Sis. Outros concertos, outros barulhos. Houve outros momentos dignos de nota. Os Spectrum a tocarem Mudhoney; O stage diving de David Yow, dos Jesus Lizard, que apareceram em grande forma, mesmo passados todos estes anos; A simpatia dos Vaselines; A estranheza de ver Lightning Bolt num palco e com som baixo, o que foi uma pena, o que também afectou os Sunn O))); A presença em palco de Jarvis Cocker, que bastou para agarrar o público mesmo antes de cantar fosse o que fosse (nota curiosa - a dada altura, Cocker dirigiu-se ao público em castelhano macarrónico, que depois traduziu para "my hovercraft is full of eels", do célebre "Dirty Hungarian Phrasebook" dos Monty Python, sendo que pouco depois Bob Weston, baixista dos Shellac, repetiria a piada no palco ATP; A pop country do Jason Lyttle, que ainda tocou vários temas dos Grandaddy; a irreverência ié-ié dos Black Lips no final do festival, os quais ainda cheguei a ver num pequeno e surpreendente set acústico na tenda da Ray Ban; A bebedeira dos dois putos dos Wavves, que levou a que o concerto se tornasse, possivelmente, no mais caótico do festival; O nervosismo dos chineses Carsick Cars, que possivelmente nem tinham idade para entrar no festival sem ser acompanhados por adultos; O enorme colectivo -- parecia quase uma banda de afrobeat, de tantos que eram -- que acompanhava o Dan Deacon, outro espectáculo que ameaçou o caos, quando o músico fazia birra para que o público fizesse o círculo de dança; etc.
Não foi fácil conseguir ver-se tudo o que se queria, num festival como estes. Alguns tiveram que ficar de fora (Gang Gang Dance é o caso que mais me custou), outros foram apanhados a meio e/ou abandonados antes do final. Só não houve silêncio. Mesmo nos poucos momentos em que não havia ninguém a tocar nos palcos mais cercanos, era o barulho, curioso por sinal, dos copos de plástico a serem pisados e chutados por quem caminhava pelos acessos. E as conversas dos espanhóis.

Set. ¿Por qué no te callas? No público, ninguém conseguia comunicar, a não ser por gestos, durante o final do concerto dos My Bloody Valentine. Ninguém? Bom, talvez os espanhóis conseguissem. Como todos sabemos desde há muitos anos, o desporto favorito dos nossos vizinhos é falar, falar, falar, falar, falar o mais alto possível, do erguer ao deitar. É impressionante como, às cinco da manhã, no interior das carruagens de metro ou dos autocarros de Barcelona, se continua a ouvir a mesma cacofonia que já se ouvia durante o dia. A estas horas, qualquer português vai cansado, calado, mono, a dormir até. Mas em toda a Espanha escuta-se sempre o mesmo matraquear, seja que horas forem. Ora, nos concertos, especialmente aqueles em que o som é mais baixo ou nas periferias da plateia, nos outros, é impossível ignorar o adstrato sonoro produzido por estes grupos de espanhóis, que só param de falar no intervalo dos temas, para levantarem os braços e aplaudirem algo que não estiveram a escutar antes. É tão cómico que quase nos faz esquecer não nos terem deixado ouvir a música.

Vuit. O Forum cheira mal. A zona do Forum, junto ao mar que banha Barcelona, é um espaço cuja dimensão e configuração oferecem características ideais para se organizar um festival como este. Mas fede que se farta. Não é o mau cheiro típico de Barcelona. É um pivete proveniente ora de descargas de dejectos químicos, ora de esgotos, que se torna insuportável por vezes.

Nou. Primavera Marcas. Apesar de vocacionado para os públicos afectos a círculos mais independentes na música -- ou talvez mesmo por causa disso... -- o Primavera não deixa de ser um palco enorme para as duas principais marcas do festival, a da cerveja e a dos óculos escuros. A primeira é das piores bebidas que a Catalunha tem para oferecer (até a San Miguel sabe a cerveja por comparação). E se aquela andava nas mãos do público, a segunda outra marca omnipresente tinha o seu público nas mãos. Em cada um destes três dias, parecia que estávamos não num festival de rock, mas numa qualquer concentração ibérica de wayfarers...

Deu. Me duelen las rodillas, tio. Aguentar três dias de um festival como estes até ao fim é pôr à prova o corpo, principalmente dos joelhos para baixo. Percorrem-se quilómetros de palco em palco, da banca de cerveja às casas-de-banho, sem contar com as as caminhadas sempre obrigatórias pelas ruas de Barcelona. E, ao cansaço físico, junta-se o intelectual. Obrigamos o cérebro a mudar rapidamente de um Jason Lyttle, por exemplo, para uns Sunn O))) ou de um Jarvis Cocker para uns Shellac. Não é fácil, mas o esforço é recompensador e a vontade de voltar é algo que surge assim que os primeiros sinais de cansaço se dissipam.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fins després



Quinta-feira. THE VASELINES. She said she'll take me anyway, She'll take me everyway, As long as she stays with me. She said she'll take me everywhere, She'll take me anywhere, As long as I'm good and clean. Kiss kiss Molly's lips. Kiss kiss Molly's lips. Kiss kiss Molly's lips. Kiss kiss Molly's lips. She said she'll take me everytime, She'll take me anytime, As long as she stays with me. She said she'll take me everyday, She'll take me anyday, And it would be free..



Sexta. SHELLAC. To the one true God above: here is my prayer - not the first you've heard, but the first I wrote. (not the first, but the others were a long time ago). There are two people here, and I want you to kill them. Her - she can go quietly, by disease or a blow to the base of her neck, where her necklaces close, where her garments come together, where I used to lay my face... That's where you oughta kill her, in that particular place. Him - just fucking kill him, I don't care if it hurts. Yes I do, I want it to, fucking kill him but first make him cry like a woman, (no particular woman), let him hold out, hold back (someone or other might come and fucking kill him). Fucking kill him. Kill him already, kill him. Fucking kill him, fucking kill him, Kill him already, kill him, Just fucking kill him!



Sábado. NEIL YOUNG. Oh, Mother Earth, With your fields of green, Once more laid down, by the hungry hand. How long can you give and not receive And feed this world ruled by greed, And feed this world ruled by greed. Oh, ball of fire, In the summer sky, Your healing light, your parade of days, Are they betrayed by the men of power Who hold this world in their changing hands. They hold the world in their changing hands. Oh, freedom land, Can you let this go, Down to the streets, where the numbers grow, Respect Mother Earth and her giving ways Or trade away our children's days Or trade away our children's days. Respect Mother Earth and her giving ways Or trade away our children's days.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não têm nada que agradecer

Numa altura em que a música -- e a cultura africana em geral -- ganha visibilidade cada vez mais nítida nos círculos independentes, os Extra Golden constituem, por excelência, um interessante case study deste fenómeno de redescoberta. O que começou por ser apenas uma mera jam entre amigos norte-americanos e quenianos, em Nairobi, proporcionada na sequência da recolha para uma tese de doutoramento no local por parte de um dos primeiros, o músico e musicólogo Ian Eagleson, é hoje muito mais do que uma ligação efémera. É mesmo uma banda como muitas outras: grava discos -- este já é o seu terceiro álbum; faz digressões -- estiveram por cá no ano passado para concertos inesquecíveis. Apesar dos obstáculos vividos pelo caminho, o maior dos quais sendo a morte de Otieno Jagwasi, o queniano com que Eagleson e Alex Minoff gravaram o primeiro disco, os Extra Golden têm resistido ao tempo, fazendo com que esta curiosa ponte entre Ocidente e África se torne cada vez mais sólida. Resistiu às fronteiras que as potências ocidentais cada vez mais fecham aos músicos africanos (enquanto governador de Chicago, Barack Obama, teve um papel chave na carreira dos Extra Golden, ao facilitar uma digressão do grupo pelos EUA, ao que estes lhe responderam com uma magnífica canção de agradecimento, no anterior álbum). Resistiu às tensões étnicas verificadas resultantes das eleições presidenciais quenianas em Dezembro de 2007, que obrigou as famílias de Opiyo Bilongo e Onyango Jagwasi, a parte queniana dos Extra Golden na altura, a perder os seus pertences e a deixar as suas casas.
Entre os puristas, há, como seria de esperar, quem enjeite o processo, talvez os mesmos ou descendentes daqueles que há duas décadas apontavam o dedo à descoberta da África do Sul por Paul Simon. Afinal, nos Extra Golden, a guitarra de Minoff está longe de ser completamente fiel à tradição benga e, no final, temos algo meio indefinido entre o rock ocidental e a música de Nairobi. Mas essa é capaz de ser a principal das curiosidades e das virtudes do grupo. Este tom crioulo, que não é a língua do rock, que não é a língua das guitarras e dos ritmos africanos, é língua franca numa no man's land, território fértil de sofisticação, onde corpo e mente também dançam e também rockam e rollam.
Em "Thank You Very Quickly", o terceiro álbum, agora editado, entende-se todo este processo de crescimento e de consolidação de uma banda de que acima se falava. E também a gratidão dos elementos que a constituem, evidente logo no próprio título do disco, a todos aqueles que os apoiaram e continuam entusiasmados com esta ideia. Apesar de a maior parte dos temas terem sido gravados num único dia (e na sala das máquinas da casa dos pais de Eagleson!), é notória a maior riqueza dos arranjos e a coesão ao nível da mistura, num registo mais psicadélico, mais próximo dos Golden (a anterior banda de rock de Minoff e Eagleson, onde também militavam elementos dos Trans Am e dos Royal Trux). Estamos já muito longe do primeiro álbum do grupo, ainda que este, quase uma maqueta, pouco sirva de exemplo. Já por comparação com algo mais recente, "Here Ma Nono", o álbum anterior, não há aqui temas absolutamente irresistíveis e quase fiéis à tradição benga, como tínhamos em "Love Hijackers" ou, mesmo no campo da psicadelia, algo como escutávamos e sentíamos em "Obama". Há temas fortes, como o inicial "Gimakiny Akia", com os melhores e mais ricos arranjos do todo, mas "Thank You Very Quickly" é, acima de tudo, um disco para ser escutado como álbum (como é que explicamos isto à geração shuffle?), do princípio ao fim. "Thank You Very Quickly" está disponível em CD e LP, com edição Thrill Jockey e distribuição nacional a cargo da Mbari.
Estiveram a uma unha negra de regressarem a Portugal este ano, mas tudo indica que só os voltaremos a ter connosco, se assim tivermos essa sorte, em 2010. Era muito bom que assim fosse.

Hoje e amanhã, Rokia Traoré



Hoje na Casa da Música, amanhã no Lux.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Alguém corte os agudos, alguém ligue o compressor

Há quem gaste centenas de euros, milhares até, em equipamento para melhorar a experiência auditiva. Há quem, por muito, muito menos, faça uma lavagem aos ouvidos e consiga recolher muito mais frutos. Esta manhã fui fazer a minha lavagem regular, que realizo habitualmente três em três anos (desconfio que, pelos despojos de guerra de hoje, terão sido mais do que três anos desta vez). Neste primeiro dia, a relação com o mundo exterior é complicada, já que não é fácil para o cérebro entender toda esta nova cacofonia, amplificada tanto em volume como nas gamas de frequências, dos motores dos carros, do acender de um isqueiro, das conversas das velhas que, apesar do outro lado da rua, se tornam inteiramente perceptíveis ou até mesmo do matraquear do teclado com que escrevo isto. E já nem falo em música, que, neste estado, é terreno fértil para a experiência de autênticas epifanias auditivas. Por oito euros, o mundo é um lugar diferente. Para quem precisar, aqui ficam os contactos do enfermeiro responsável por este milagre: Centro de Enfermagem do Bairro das Colónias, rua Forno do Tijolo, 26 - 1º esq. (tel: 218138126).

Tinariwen e Sun Ra Arkestra na Arrábida

Há um novo festival de músicas do mundo, Arrábida World Music Festival (assim mesmo, em inglês), marcado para dias 3 e 4 de Julho. Nele vão estar presentes Tinariwen, a banda de acompanhamento do lendário Sun Ra, os Heavy Trash de Jon Spencer e Matt Verta-Ray, além de outros nomes como Tcheka, Legendary Tiger Man, Mazgani (e ainda... erm... DJs do Café del Mar...).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

FMM Sines programa completo!

Lee 'Scratch' Perry como principal cabeça-de-cartaz, The Ukrainians em Porto Covo (lembram-se da banda do guitarrista dos Wedding Present que nos anos 80 divertia John Peel com as suas versões dos Smiths?), a recente descoberta de Rupa & the April Fishes, o pianista cubano Chucho Valdés, os congoleses Kasaï All Stars (à terceira é de vez!), os nova-iorquinos Chicha Libre, reinventores das chichas/cumbias peruanas, são, entre outros, os principais destaques da 11ª edição do FMM, cujo cartaz a organização do FMM Sines acaba de divulgar. Vai haver música proveniente de quase todos os continentes (só a Oceânia ficou de fora), muita música portuguesa (entre outros, os Oquestrada abrem o festival e à guitarra portuguesa e, depois, a Janita Salomé, cabem as tradicionais honras de abertura do castelo), alguns regressos (caso dos diabólicos finlandeses Alamaailman Vasarat e dos polacos Warsaw Village Band), muitos cruzamentos de culturas, geografias e cronologias (os chineses Hanggai a trazerem os cantos guturais mongóis para o terreno da free folk, o alaúde electrificado da Speed Caravan, o avant-rock dos tunisinos L'Enfance Rouge, o afro-beat multi-étnico da Orchestra de Dele Sosimi, etc.) e muito mais para descobrir.
O FMM conta este ano com 37 concertos, além de outras actividades, e decorre por nove dias, de 17 a 25 de Julho. Eis o programa completo dos concertos, incluindo as notas da organização a respeito de cada projecto:

Porto Covo (17 a 19 de Julho)

Sexta, 17 de Julho
O'QUESTRADA (Portugal), 21h30
Criador de música misceginada - entre o fado e o funaná, entre a pop e a canção francesa -, o quinteto O’Questrada é um dos grupos mais comunicativos da história da música em Portugal.
RUPA & THE APRIL FISHES (EUA), 23h00
Nascida na Califórnia, filha de pais indianos e com uma adolescência passada em França, a cantautora Rupa Marya é a nova embaixadora da América musical cosmopolita.
CIRCO ABUSIVO (Itália), 00h30
Num universo estético próximo dos Gogol Bordello, com quem tem colaborado, o grupo Circo Abusivo junta a música cigana balcânica a outras músicas num espectáculo explosivo.

Sábado, 18 de Julho
VICTOR DÉMÉ (Burkina Faso), 21h30
Considerado uma das maiores revelações africanas dos últimos anos, o cantor e guitarrista Victor Démé é um verdadeiro trovador folk, cruzando tradição mandinga e influências latinas.
THE UKRAINIANS (Reino Unido), 23h00
Um dos melhores representantes da fusão entre a folk e a música punk com origem no Reino Unido apresenta o seu disco novo, “Diáspora”, dedicado à emigração ucraniana e de Leste.
DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA (Nigéria / Reino Unido), 00h30
Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director musical Dele Sosimi apresenta-se no FMM com a sua Afrobeat Orchestra, máquina de ritmo afro-funk que vai pôr Porto Covo a dançar.

Domingo, 19 de Julho
WYZA (Angola), 21h30
Autor de “Bakongo”, um dos mais surpreendentes trabalhos de um músico da África de língua portuguesa produzidos no novo milénio, Wyza é música angolana como não a ouvimos antes.
ORQUESTA TÍPICA FERNÁNDEZ FIERRO (Argentina), 23h00
Criada em 2001 por um grupo de estudantes de Buenos Aires, a OTFF faz tango com o charme de sempre transformado pela energia e a informalidade de uma nova geração de músicos.
DAARA J FAMILY (Senegal), 00h30
Vencedora dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 em 2004, a Daara J Family traz a Porto Covo o melhor hip hop africano, com surpreendentes temperos de Cuba e da Jamaica.

Sines (20 a 25 de Julho)

Segunda, 20 de Julho
MOR KARBASI (Israel / Reino Unido), 22h00, Centro de Artes de Sines
Israel sempre foi rico em vozes femininas e Mor Karbasi, uma jovem cantora interessada na herança judia da Península Ibérica, é mais uma diva a acrescentar a esta galeria dourada.
PORTICO QUARTET (Reino Unido), 23h30, Centro de Artes de Sines
Com o seu álbum de estreia nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor do ano pela revista Time Out, Portico Quartet já não faz jazz, mas “pós-jazz” eivado de espírito “indy”.

Terça, 21 de Julho
CORNELIU STROE & AROMANIAN ETHNO BAND (Roménia), 22h00, Centro de Artes de Sines
O folclore tradicional dos aromenos, um povo latino do Leste Europeu, tem nova dimensão através da criatividade efervescente do percussionista romeno Corneliu Stroe.
CARMEN SOUZA (Portugal / Cabo Verde), 23h30, Centro de Artes de Sines
O jazz vocal ganha expressão cabo-verdiana na voz de Carmen Souza, presente em Sines na companhia do saxofonista Jay Corre, que tocou com Sinatra, entre outros grandes dos EUA.

Quarta, 22 de Julho
MAMER (China), 18h30, Centro de Artes de Sines
Figura do movimento de redescoberta das raízes musicais pela nova geração chinesa, Mamer faz folk alternativa a partir da música tradicional do povo cazaque da região de Xinjiang.
TRILHOS - NOVOS CAMINHOS DA GUITARRA PORTUGUESA (Portugal), 21h00, Castelo
A guitarra portuguesa do músico sineense Rui Vinagre inicia os concertos no Castelo integrada num quarteto que abre novos horizontes para um instrumento extraordinário.
JANITA SALOMÉ (Portugal), 22h15, Castelo
Um dos cantautores com uma carreira mais consistente na música portuguesa, Janita apresenta um espectáculo onde canta o vinho através de textos de grandes poetas mundiais.
UXÍA (Galiza), 23h30, Castelo
Uma das maiores cantoras ibéricas há mais de 20 anos, Uxía promove um encontro emocionante de músicas e músicos da Galiza, de Portugal e de vários países da África de língua portuguesa.
ACETRE (Extremadura), 00h45, Castelo
Instituição da folk peninsular, o grupo Acetre traz de Olivença a Sines um espectáculo fundado na cultura raiana, com repertório cantado em português e castelhano.
L'ENFANCE ROUGE (Tunísia / França / Itália), 02h30, Av. Vasco da Gama
Considerado “um dos melhores grupos europeus” por Thurston Moore (Sonic Youth), L'Enfance Rouge faz rock experimental com bases de música tradicional árabe.

Quinta, 23 de Julho
ASSOBIO (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines
Composto por César Prata e Vanda Rodrigues, o duo Assobio expande material acústico popular através do espectro de novos sons e timbres que só é possível produzir por computador.
NARF & MANECAS COSTA (Galiza / Guiné Bissau), 19h30, Av. Vasco da Gama
O projecto “Alô Irmão!” junta as vozes e as guitarras (acústicas e eléctricas) do músico galego Fran Pérez (Narf) e de Manecas Costa, expoente contemporâneo da música da Guiné Bissau.
HANGGAI feat. MAMER (China), 21h30, Castelo
O património vocal e instrumental das estepes da Mongólia Interior tem brilho redobrado nas mãos de Hanggai, um dos grupos mais originais da nova música chinesa.
CHUCHO VALDÉS BIG BAND (Cuba), 23h00, Castelo
Um dos melhores pianistas do mundo e uma referência do jazz latino, Chucho Valdés chega a Sines com mais de 50 discos gravados e cinco Grammys conquistados, entre 14 nomeações.
KASAÏ ALLSTARS (Rep. Dem. Congo), 00h30, Castelo
Experiências domésticas de amplificação eléctrica de instrumentos tradicionais misturam-se com o espírito do rock e ritmos de transe nativos num espectáculo de grande força musical e visual.
RAMIRO MUSOTTO & ORCHESTRA SUDAKA (Argentina / Brasil), 02h30, Av. Vasco da Gama
Argentino radicado no Brasil, Ramiro Musotto cruza música baiana e música de vários pontos da América Latina num show de percussão a que a electrónica acrescenta cambiantes.

Sexta, 24 de Julho
PAULO SOUSA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines
Ex-guitarrista dos Essa Entente, Paulo Sousa apaixonou-se pela música da Índia e é hoje um exímio intérprete do sitar, que tocará em Sines na companhia das tablas de Makarand Tulankar, vindo directamente da cidade de Puna.
NJAVA (Madagáscar), 19h30, Av. Vasco da Gama
Formado por quatro irmãos e um primo a viver em Bruxelas desde os anos 90, Njava reflecte toda a riqueza da música do Madagáscar num espectáculo de dança de fusão “Ethnotic Groove”.
WARSAW VILLAGE BAND (Polónia), 21h30, Castelo
Revelação dos prémios de “world music” da BBC Radio 3 em 2003, a Warsaw Village Band é um dos grupos de culto da folk europeia e traz dois discos novos para mostrar no FMM 2009.
DEBASHISH BHATTACHARYA (Índia), 23h00, Castelo
Melhor artista da Ásia / Pacífico nos prémios da BBC Radio 3 em 2007 e nomeado para um Grammy em 2009, Debashish Bhattacharya é o grande mestre da “slide guitar” indiana.
CYRO BAPTISTA BEAT THE DONKEY (Brasil / EUA), 00h30, Castelo
Considerado um dos melhores percussionistas do mundo, o brasileiro radicado nos EUA Cyro Baptista vem a Sines com Beat the Donkey, um show rítmico e visual a não perder.
CHICHA LIBRE (EUA), 02h30, Av. Vasco da Gama
Chicha Libre reinventa, a partir de N. Iorque, a música incrível dos índios da Amazónia peruana, que nos anos 70 fundiam cumbias colombianas e melodias andinas com sons psicadélicos.

Sábado, 25 de Julho
MELECH MECHAYA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines
O espírito festivo do klezmer, a mais conhecida música secular do povo judaico, chega ao Centro de Artes de Sines através do quinteto português Melech Mechaya.
BIBI TANGA ET LE PROFESSEUR INLASSABLE (RCA / França), 19h30, Av. Vasco da Gama
Nascido na Rep. Centro-Africana e criado em França, o cantor e baixista Bibi Tanga chama o DJ Le Professeur Inlassable para uma actualização pessoal da grande música africana e afro-americana.
JAMES BLOOD ULMER (EUA), 21h30, Castelo
Considerado uma das referências da música negra, o cantor e guitarrista James Blood Ulmer enche o palco do Castelo com os seus blues cultivados pelo jazz, funk e rock psicadélico.
ALAMAAILMAN VASARAT (Finlândia), 23h00, Castelo
Acústico - embora, pela sua energia, não pareça - o quinteto instrumental Alamaailman Vasarat cruza músicas tão diferentes quanto o klezmer, o jazz e o heavy-metal.
LEE 'SCRATCH' PERRY (Jamaica), 00h30, Castelo
O fogo-de-artifício dispara com Lee Perry, um dos maiores visionários da música jamaicana, incluído na lista dos 100 maiores artistas de sempre publicada pela Rolling Stone em 2004.
SPEED CARAVAN (França / Argélia), 02h30, Av. Vasco da Gama
O baile de encerramento do FMM 2009 é comandado por Mehdi Haddab, músico de origem argelina que transformou o alaúde árabe numa máquina electrificada ao serviço do rock.

Os preços dos bilhetes variam entre os 5€ (por cada noite em Porto Covo e para os espectáculos de 22 a 25 no CAS Sines) e 10€ (por cada noite no Castelo de Sines e para os espectáculos de 20 e 21 no CAS). Os espectáculos realizados junto à praia têm, como é habitual, entrada livre.
Mais informação em fmm.com.pt

No próximo sábado...



(Apareçam. É também a minha festa de aniversário, por assim dizer.)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Hoje o Tivoli é uma tasca



Hoje há apresentação de "Tasca Beat", o primeiríssimo álbum dos Oquestrada, no Tivoli. A entrada custa 10 euros e o espectáculo está marcado para as 22h.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Novas do FMM e do MED

O MED Loulé, que este ano ocorre entre 24 e 28 de Junho, tem mais dois nomes, anunciados oficialmente, no cartaz. Assim, aos catalães Ojos de Brujo, juntam-se a cantora argentina Mercedes Sosa e o Bajofondo Tango Club, composto por músicos também argentinos e uruguaios, que regressa a Loulé dois anos depois. A organização promete "o maior e mais internacional cartaz de sempre".

Cerca de um mês depois, é a vez do FMM Sines entrar em acção (17 a 25 de Julho). Ontem foi anunciado, oficialmente, mais um nome: Cyro Baptista, o percussionista brasileiro radicado nos EUA, sendo reconhecido pelo seu trabalho com músicos como John Zorn, Paul Simon, Brian Eno, Wynton Marsalis, entre outros, vai tocar no Castelo de Sines no dia 24 (sexta-feira). O cartaz completo do FMM será anunciado em breve.

Breves de fim-de-semana

1. Os adeptos do ska em tons monocromáticos (não é um comentário pejorativo, mas sim referência aos tempos da editora 2-Tone) têm razões para estarem contentes com o regresso dos nova-iorquinos The Toasters, proporcionado amanhã, no MusicBox.

2. Por falar em ska, neste fim-de-semana há festival de reggae em Cascais. O Cascais Mesh, organizado pela Uguru e pela Positive Vibrations, vai trazer ao Pavilhão dos Lombos nomes como os de Luciano, Rootz Underground, Million Stylez, Souls of Fire e NuBai Sound (hoje, sexta-feira), e Ky-Mani Marley, Israel Vibration, Zion Train, Marrokan & The Charley, Skank Band e No Joke Sound (sábado).

3. Na ZDB, amanhã, sobe ao palco a cantora guineense N'Dara Sumano, acompanhada por cinco músicos, sendo um dos quais o grande mestre da kora (e seu familiar) José Braima Galissá. Na primeira parte, há uma proposta completamente diferente (ou não), com o americano Stag Hare.

4. Hoje, sexta-feira, é dia de festa da revista Bíblia, com o 13º aniversário a ser comemorado no Maxime, juntamente com o lançamento dos álbuns de Os 3 Maria e de On the Road (o projecto do Tiago Gomes e do Tó Trips à volta do texto de Kerouac), com espectáculos de ambos.

5. E, para acabar em beleza o fim-de-semana, domingo traz consigo concerto da mexicana Lila Downs no Casino Lisboa.

Afro tuga beat, o rescaldo

Dele Sosimi, antigo elemento dos Egypt 80, a última banda de suporte de Fela Kuti, e hoje instigador do afro beat em Londres (e não só: esteve pela Póvoa de Varzim no ano passado e volta em breve, para o FMM Sines) costuma dizer que não há razão nenhuma para que a sua música, nascida em Lagos, na Nigéria, nos anos 70, não seja tocada por gente de quaisquer outras raças, quaisquer outras nacionalidades. Num mundo que todos os dias derruba fronteiras, por vezes até demais, quando compromete o trabalho honesto de agricultores e outros produtores locais, a música continua, ainda assim, a ser um mapa com cores diversas. Há quem ainda fale em música negra, por exemplo... Esta noite, o concerto no MusicBox dos denominados Kota Cool, uma reunião de músicos dos Terrakota, Cool Hipnoise e Cacique '97, foi uma evidência magnânime da tese de Sosimi. Brancos e mulatos, portugueses na sua maioria, tocaram, como se lhes estivesse no sangue, temas de Fela Kuti, do filho Femi, "originais" dos Cacique, e até foram, já em encore, a uma magnífica rumba senegalesa e, depois, a um funk que rapidamente derivou para um soukous acelerado (uma espécie de rumba do antigo Zaire, mas com a velocidade a puxar mais para as pistas de dança contemporâneas). E com um groove daqueles que faz mente e corpo dançarem abraçados toda a noite (diga-se a propósito que o baixista é o Francisco Rebelo, dos Cool Hipnoise).
A festa repete-se todas as segundas quintas-feiras de cada mês. Não há como perder isto.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Os horários do Primavera Sound

Num festival com mais de 150 nomes em cartaz (um número pouco menor se contarmos apenas com os dias principais, de quinta-feira a sábado), em que meio mundo toca ao mesmo tempo que o outro meio mundo, a tarefa de desenhar um circuito pelas nossas preferências de partida transforma-se numa verdadeira dor de cabeça. E também em angústia, ao percebermos que para ver fulanos teremos de perder cicranos... eis a grande face obscura deste tipo de festivais. As diferentes ordenações de horários que o site do Primavera Sound disponibiliza não dão a melhor ajuda para se construir o tal circuito. Por isso, peguei naquelas listagens, passei-as a uma folha de cálculo e ordenei pela hora. Podem consultá-la aqui. Quem é amigo, quem é?
(Sempre podem pagar uma cerveja por lá, que não me importarei.)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Afro Tuga Beat

Na próxima quinta-feira, dia 14, o Musicbox vai servir de palco às Kota Cool Afro Beat Sessions, nome dado ao colectivo de 15 músicos provenientes dos Terrakota, Cool Hipnoise e Cacique 97. O reportório é feito inteiramente, claro está, de afro beat, sendo de esperar que a memória de Fela Kuti ocupe lugar primordial ao longo da noite, a qual se estenderá ainda pela noite fora com os discos de João Gomes e Tiago Santos. Os bilhetes custam 6€ (incluindo a habitual senha para bebidas até 2€) e já estão à venda.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Mais um nome excelente para o cartaz de Sines



Falei deles aqui há algumas semanas. Chamam-se Hanggai, vêm de Pequim e anunciam no seu myspace que vão estar no FMM Sines a 23 de Julho. Tentem imaginar os Akron/Family em retiro de aprendizagem de canto gutural na Mongólia...
O cartaz do FMM Sines, que decorre entre 17 e 25 de Julho, já conta com os seguintes nomes (com asterico, aqueles que foram anunciados oficialmente pela organização): Lee 'Scratch' Perry* (Jamaica), Chucho Valdés* (Cuba), Debashish Bhattacharya* (Índia), James "Blood" Ulmer* (EUA), Mor Karbasi* (Israel), Portico Quartet* (Inglaterra), Warsaw Village Band (Polónia), Acetre (Extremadura), OqueStrada (Portugal), Circo Abusivo (Itália), Kasaï Allstars (Congo-Kinshasa), Dele Sosimi (Nigéria/Reino Unido), Victor Démé (Burquina Faso), Speed Caravan (Argélia/França) e Chicha Libre (EUA).

terça-feira, 5 de maio de 2009

Kenneth Anger em Portugal

Por estes dias, a Fundação Serralves, a ZDB e a Cinemateca levam a cabo um conjunto de iniciativas dedicadas à divulgação da obra de Kenneth Anger, cineasta de culto, autor de "Scorpio Rising" (1963). No Porto e em Lisboa, o ponto alto da semana vai para a performance ao vivo do projecto "Technicolor Skull", conduzida pelo próprio Anger, no theremin, e pelo guitarrista Brian Butler, num programa que ainda inclui os franco-portugueses Mécanosphère acompanhados de... Mark Stewart! O ex-The Pop Group e ex-The Maffia está a trabalhar com os Mécanosphère no próximo álbum do grupo, depois da participação, a convite de David Tibet (Anger, Tibet... está tudo ligado), na colectânea de homenagem ao realizador, "Brother Focus: For the Inaugurator of the Pleasure Dome". Isto vai acontecer já amanhã, quarta-feira, na Fundação Serralves e, sábado, no Palácio Valadares, ao Largo do Carmo. Adolfo Luxúria Canibal participa no concerto do Porto, mas em Lisboa, porque há, no mesmo dia, Mão Morta no Barreiro, as tarefas vocais vão estar exclusivamente entregues a Mark Stewart.
Outras iniciativas da semana dedicada a Kenneth Anger:

PROGRAMA DE CINEMA
(As sessões contarão com a presença de Kenneth Anger)

5 de Maio
18h30 (Biblioteca de Serralves)
Conferência por Marco Pasi: "Angels without Tears: The occult films of Kenneth Anger"
21h30 (Auditório de Serralves)
"Fireworks" (1947)
"Inauguration Of The Pleasure Dome" (1954-66)
"Invocation Of My Demon Brother" (1966-69)
"Lucifer Rising" (1966-81)
"Ich Will!" (2008)

7 de Maio
21h30 (Cinemateca Portuguesa, Sala Dr. Félix Ribeiro)
Puce Moment (1949, 6 min, 35 mm, cor, som)
Rabbit’s Moon (1950, 16 min, 35 mm, p/b - colorido, som)
Eaux d’Artifice (1953, 12 min, 35 mm, p/b, cor)
Scorpio Rising (1964, 28 min, 35 mm, cor, som)
Kustom Kar Kommandos (1965, 3 min, 35 mm, cor, som)

(Ontem a Cinemateca exibiu já alguns outros filmes -- Fireworks, Inauguration of the Pleasure Dome, Invocation of My Demon Brother, Lucifer Rising, Ich Will! -- seguidos de uma conferência com Marco Pasi.)

EXPOSIÇÃO "Estrela Brilhante da Manhã - Bright Morning Star"
ZDB - Inauguração dia 8 de Maio, pelas 22h
Inaugura dia 8 de Maio pelas 22h na Galeria Zé dos Bois
Exposição colectiva internacional de artes visuais apresentada na Galeria Zé dos Bois, reúne, excepcionalmente, um conjunto de artistas que, numa abordagem alargada do espectro experimental, manifesta tangências interpretativas com o corpo de trabalho de Kenneth Anger:
John Bock, Manuel Ocampo, Jonathan Meese, Jannis Varelas, Joachim Koester, Alexandre Estrela, Markus Selg, António Poppe, Tamar Guimarães, Brian Butler e ainda o próprio Kenneth Anger.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A culpa foi do Vasco Granja

Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, morreu esta madrugada em Cascais. Tinha 83 anos.
(in Público)

Os anos passam e cada vez mais olhamos para trás, não só porque vamos carregando uma bagagem de memórias que ganha peso pelo caminho, mas também porque o chão que pisamos é cada vez mais diferente daquele de onde viemos. Se há algo de me orgulhe a sério do tempo em que cresci é o de ter sido educado por alguém como Vasco Granja. Vou ao ponto de achar que uma boa parte da minha geração -- algo meio indefinido onde coloco aqueles que nasceram entre o final dos anos 60 e os anos 70 -- desenvolveu o espírito da curiosidade, da tolerância (eu disse "uma parte da geração") e, se quisermos até, da rebeldia, no seu sentido criativo mais abrangente possível, à custa das manhãs e tardes passadas com o senhor de óculos e de cabelos grisalhos que apresentava com o mesmo entusiasmo as produções Hanna & Barbera e as Looney Tunes ou as demonstrações mais vanguardistas da animação checa ou canadiana.
As gerações seguintes (ou parte delas, para não entrarmos em generalizações injustas) teriam tido a ganhar com um Vasco Granja ao seu lado e a grande desilusão do crescimento para a minha geração é que o mundo evoluiu no sentido oposto ao que a minha geração aprendia naquelas aulas. Qualquer dia, vai parecer miragem que tenha existido alguém assim. Koniec

Hedningarna em Sendim

Já se encontra definido o cartaz para mais um Intercéltico de Sendim, com a grande notícia do regresso dos suecos Hedningarna:

Sexta, 31 de Julho:
HEDNINGARNA (Suécia)
MARIA SALGADO (Espanha)
LENGA-LENGA (Sendim)

Sábado, 1 de Agosto:
LLAN DE CUBEL (Astúrias)
BRIGADA VICTOR JARA (Portugal)
KORRONTZI (País Basco)

Mais informação em www.intercelticosendim.com