segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O fim do vinilo - desta é de vez?

Ao longo dos últimos anos, mais ou menos desde quando passámos a barreira do milénio, fui alimentando a esperança de que viesse a haver um ressurgimento do mercado do suporte de vinilo. E até houve, na verdade. Cada vez mais as edições, desde o underground mais underground até ao mainstream mais mainstream, vieram a incluir esse suporte. Cada vez mais vieram aparecendo lojas de discos especialmente dedicadas (tenho tentado fazer algum eco do que vai acontecendo por Lisboa neste roteiro), não só com o habitual e fácil mercado de segunda mão, mas também com as novidades. Não só no mercado da música de dança, para os profissionais, mas também em todas os géneros. As pessoas normais voltaram a comprar vinilo para ouvirem em casa. Até as lojas portuguesas da F*** criaram escaparates, ainda que com pouco tacto para a coisa, exclusivamente dedicados ao vinilo. Por aqui e ali, foram aparecendo novos gira-discos, para os mais diversos segmentos de mercado, para quem quer um objecto de design em casa, para quem quer ouvir música com qualidade, para quem tem numa ligação USB uma ponte entre maneiras antigas e actuais de ouvir e partilhar música.

Em parte responsáveis pelo ressurgimento do suporte, estiveram os DJs, tanto mais com a crescente importância que estes profissionais vieram a ter, pelo menos por cá, nos novos espaços e momentos de animação nocturna. Fala-se muito na evolução da oferta de concertos, que é notável, mas esta crescente movida, associada à abertura de novos espaços veio oferecer ainda mais oportunidades para se girar um disco e fazer disso uma festa. Mas... ainda é o vinilo o suporte de eleição, agora que nos aproximamos vertiginosamente do final da década? Cada vez menos, parece-me ser a resposta, se aquilo que vou encontrando por aí servir de amostra fiável. Entre os DJs internacionais, vê-se cada vez mais o uso do CD-R. Não tanto porque aderiram à facilidade da "pirataria", mas porque evitam assim o transporte de grandes malas pesadas (e o risco de as perderem nas viagens aéreas). E, para mais, os recentes leitores de CD da Pioneer e de outras marcas oferecem potencialidades que nem sequer estavam ao alcance dos gira-discos. E, depois, há também os portáteis carregados de MP3 e apetrechados de software que faz quase tudo. São cada vez mais habituais nas cabines de DJ. Há casos até em que ao gira-discos é apenas reservado o papel de fazer de controlo remoto, por assim dizer, para o scratch dos mp3, para conservar, digamos, uma réstia de "fisicalidade" ao acto de se passar música.

A haver uma estocada final sobre o mercado do vinilo, é a que é dada por esta notícia. A Panasonic terá, alegadamente, descontinuado a produção dos incontornáveis Technics 1200 e 1210. A ser verdade tal notícia, é o fim de um reinado de quase quatro décadas. Será também o fim definitivo do suporte, após os enterros antes de tempo que lhe fizeram no passado? Só o mercado não profissional terá uma palavra a dizer.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A marca Neubauten

Excerto da mais recente newsletter dos Einstürzende Neubauten, acabada de receber:

Dear friends of the Einstürzende Neubauten,

We've been pooling our thoughts, screening drafts and rejecting ideas for a long time.
And now, our new and amply full fan shop is finally online!!!
We believe that the result is quite impressive. The shop has much to offer and not just visually, but also with regard to content. So, for example, right on schedule for the start of the “cold season” we have a new logo cap and a logo cup for your hot Christmas punch in the program. A practical new DJ bag, an indispensable key chain and a stylish money clip enhance the varied offerings. Moreover, for all you vinyl junkies out there, we can now announce that a rich selection of “black gold” can be found in our shop, effective immediately.
Convince yourselves! Open your own user account, click through our up-to-date assortment and find unique Christmas presents for your loved ones or even for yourself.
Enjoy shopping at: http://www.einstuerzende-neubauten.org


É tão bom saber que os thoughts, os drafts e as ideas dos Neubauten andam por aqui...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Hoje há dedilhar no Nimas

Que é, como quem diz, fingerpicking. E pelas mãos, aliás, pelos dedos, de Ben Chasny, um dos mais nobres dos guitarristas a ter recuperado a técnica, por via da escola Fahey/Takoma, no seu projecto a solo Six Organs of Admittance. O projecto é solitário, mas, ainda assim, Chasny vem acompanhado de um grupo composto pelas guitarras de Elisa Ambrogio (Magik Markers) e Andrew Mitchell e pela bateria de Alex Nielsen (Tight Meat Duo, Bonnie 'Prince' Billy).
As portas do Nimas abrem às 21h15, assegurando a Filho Único que o bar vai estar a funcionar, e o concerto começa por volta das 22h. A entrada custa 10€.

Este é o primeiro concerto de uma digressão europeia de Ben Chasny, que vai contar, em algumas das datas, com a primeira parte dos Gala Drop: Donostia (25), Utrecht (27), Paris (28), Brighton (30) e Penryn (na Cornualha, a 1 de Dezembro).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Baile, desta vez em Lisboa

Até agora, O Baile levava músicos, DJs e outros artistas portugueses a Londres. Mas amanhã, sábado, inverte-se a direcção e são músicos de Londres (e não só) a vir cá parar para uma festa que promete ser de arromba. A encabeçar o cartaz, surgem Micachu & The Shapes, pop absolutamente marada feita com instrumentos improváveis, que se pode escutar num dos melhores discos lançados este ano, "Jewellery". Mas há muito mais na festa que vai acontecer no The Loft (diz-se que é uma discoteca de adolescentes, nas instalações do antigo Indústria). Há Jon Hopkins (um dos co-produtores de "Viva La Vida", dos Coldplay) e Tim Exile, da Warp. Há também, nos pratos, Quayola, Stereo Addiction, Heartbreakerz, Twofold e Mary B. A entrada custa 15€, com direito a bebida (até às 23h).



(E, a propósito, Micachu & The Shapes vai também estar hoje no Porto, no Plano B.)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

António Sérgio no lugar de entrevistado, em 2002

Em 2002, por ocasião da edição da primeira colectânea evocativa do programa Som da Frente, tive a honra de entrevistar o António Sérgio. A honra e os nervos em franja. Afinal, nas ocasiões em que ele me convidou para os seus programas, senti-me sempre esmagado pela sua capacidade notável de estabelecer uma conversa agradável, com conteúdo interessante. Desta vez trocávamos os papéis e era eu que tinha que encontrar a boa história, a boa conversa. Mas se o dom de comunicação estava do lado do Sérgio entrevistador, também estava do lado do Sérgio entrevistado. Deixo aqui a gravação, sem qualquer edição, em sinal de tributo a quem tanto fez abrir os meus horizontes de escuta (e de tanta outra gente):

Mais uma dos VW


Chama-se "Cousins" e é o segundo single de apresentação de "Contra", que sai em Janeiro.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sofa Surfers e música de Lisboa numa revista austríaca

Esta aqui ao lado é a capa do novo número da Fleisch, uma revista austríaca de artes, tendências, política, etc. Traz na capa os Sofa Surfers, que vão ter novo álbum em Janeiro do próximo ano. Mas este número da Fleisch traz também várias páginas dedicadas a Lisboa, por encomenda da publicação a Wolfgang Schlögl, o Sofa Surfer mais lisboeta do grupo, pelas várias vezes que por cá tem estado, boa parte delas para trabalhar com os Hipnótica, os quais, a propósito, também já têm novo álbum gravado e que vai uma vez contar com a ajuda do austríaco na produção e masterização.

O que há aqui então sobre Lisboa? Primeiro, uma compilação em CD, com Coldfinger, DJ Ride, Cacique 97, Cool Hipnoise, Dead Combo, Hipnótica, Noiserv, Micro Audio Waves, Gnu e B Fachada. Depois, um texto de Wolfgang Schlögl sobre a cidade. Finalmente, um texto sobre bandas actuais de Lisboa, aqui deste sempre vosso.

Aproveito para reproduzir o texto aqui, já que a Fleisch não é distribuída por cá, nem tão pouco haverá lojas de importação que a tenham. Na revista, tudo aparece, claro está, em alemão, mas deixo aqui a versão original em inglês, sem quaisquer cortes da edição. (Reparem que o texto foi escrito em Julho, antes da notícia do fim dos Vicious Five, e quando o Musicbox tinha aquelas quintas-feiras de afro beat.


Lisbon beyond the Fado
By Vítor Junqueira
July 2009

Nearly 500 thousand people live in the inner skirts of the city of Lisbon, a number that hits almost three million in the greater metropolitan area factsheet. There’s no surprise that most of the music acts that come from Lisbon were in fact raised over its suburbs. Take out the first name from the Lisbon band you’ll probably know best in these days: Buraka Som Sistema. Buraca, spelled with a C, is one of these suburbs. There lives a vast community of first through third generation African immigrants and it is a very common place to hear kuduro, the urban Angolan dance beats that BSS are taking all around the world. The hip hop scene, fronted by long lived Da Weasel or the producer and MC Sam the Kid, amongst endless other examples, also lives in suburbs of the same kind.

For rock matters, the river Tagus’ south bank has always been a fertile ground for new and enduring acts. Barreiro, a town in the old industrial belt south of Lisbon, is today’s rock’n’roll and avant rock place par excellence. That’s where growingly acclaimed festivals like Barreiro Rocks and Out.Fest are manned every year by groups of young people who amongst themselves play in several bands, many of the times with almost the same line-ups. That’s the case of Los Santeros, three manic Mexican-wannabes playing surf rock, The Act-Ups, psych-garage, or Frango, a noisy experimental act. And if you’re into avant rock, you should check Os Loosers, fronted by Lux DJ and bassist-guitarist Tiago Miranda, who along people from Out.Fest also started Gala Drop, whose dub-infected grooves are being acclaimed everywhere (check out their self-titled debut record).

Communities like these help to describe the way most bands are born all around Lisbon. In fact, it’s just a small capital and everyone knows each other. Even if not, there’s always a friend of a friend. Everyone ends up at the same venues, like the Galeria Zé dos Bois (ZDB for short), MusicBox, Lux, Lounge, Bacalhoeiro, to name a few of the ever growing list of places where bands can play live in Lisbon. The development in the Lisbon music scene owes significantly to this increase and diversification of venues over the last 10 years. People from Lisbon, and from all around Portugal in a broader sense, have more places to play but, perhaps more important, they also have more places to learn from bands that come more and more from everywhere in the world, and more places to hang out, to discuss their methods and ideas, to form new projects with akin souls.

One of the most peculiar communities to rise recently in Lisbon comes out from the Baptist Christian Church grounds. FlorCaveira (SkullFlower) is the name of the religion meets rock movement which nowadays comprises almost 20 acts that have been gaining an increasing space in the radio waves, a territory that, believe it or not, has been uncharted waters for the most of the new Portuguese bands for several years. Amongst these acts, the most acclaimed are Os Pontos Negros (The Strokes’ kind of mainstream rock) and singer songwriters Tiago Guillul, B Fachada, Samuel Úria and Bruno Morgado. “The new wave of Portuguese rock”, as every newspaper is now calling it, also embraces the Amor Fúria label, whose acts, Os Golpes being the most celebrated, share stages regularly with those from FlorCaveira.

All these bands from this “new wave of Portuguese rock” sing in Portuguese, something that became out of fashion since the eighties wide explosion of rock. Apart from groups like Madredeus and some few other bands, mostly of them coming from outside Lisbon, shame of being Portuguese was the most striking anathema for Portuguese rock in the nineties. The nation was still suffering from years of enclosure from the outside world, and it was adhering to everything it could that came from abroad. And that also showed up in the music itself. But the times are changing again. A project like Dead Combo (electric guitar and doublebass only) does hold on to Ennio Morricone spaghetti western kind of landscapes, but there is a quite subtle inner feeling of Portuguese sound coming from it, tracing out to common memories like those left by the late great guitarist Carlos Paredes. Also Norberto Lobo, a young, celebrated, and crafted fingerpicker does bring something evoking Paredes. In a clearer way, groups like Deolinda, who take the Madredeus heritage to present days, and O’Questrada are also making people realize that Fado – or some of its essence – it’s not only sorrow. It can also mean partying; it can also mean dancing with a shinny happy smile.

Over the last years, Lisbon also became home sweet home for a growing community of European young people, mostly Spaniards and Italians, who also started to create interesting bands, like the Italian-Swiss Anonima Nuvolari, who play old Italian songs in a Pogues-ish way. In the same scene, Farra Fanfarra and Kumpania Algazarra take the fit of the Balkan brass bands to play the streets and parties everywhere around town. On the grounds of noise and experimental music, Mécanosphère is one band living in Lisbon and it’s mainly operated by French artists. Panda Bear, from Animal Collective fame, also lives in the city.

As a matter of fact, in the recent years, if not always in its history, Lisbon became home for many cultures. For instance, it’s common to cross by excellent players from the old African colonies (Angola, Cape Verde, Guinea-Bissau, …) who live in the city. Take Kimi Djabaté and Braima Galissá, for instance, from the young generation of “griots” from Guinea-Bissau to come by. Music from Africa and other continents is also present in some other interesting bands from Lisbon, like Terrakota or Cacique ’97, whose members gather up regularly along with those of Cool Hipnoise, a quite interesting and nearly veteran funk local band, to produce the most intense afrobeat party (every second Thursday of the month, at MusicBox, if you’re thinking dropping by).

I’ve been talking mostly of new bands from Lisbon. There are also, of course, the veteran ones, the mainstream rockers Xutos & Pontapés being the most celebrated one with a 30 year old career. Emerging from the eighties, the dadaists Pop Dell’Arte, one of the most interesting acts to arise in Lisbon, are still running up, playing gigs and recording tracks. From the nineties, there’s Hipnótica, who started with the trip hop explosion and evolved to a kind of post rock, post jazz stuff over which Wolfgang Schlögl of Sofa Surfers collaborated.

Two final namedrops for The Vicious Five, who started around in the hardcore underground, developing a faithful mass of fans ever since, and for Bypass, scholar post rockers who deserve to jump out borders anytime soon.

There are a lot of bands in Lisbon. A great lot of good bands, indeed. This is only a tiny shortlist. Many of them were ignored over the above lines, due to lack of remembering, due to lack of space, due to intention on not letting this grow to a mere namedropping. Still, the best way to know bands from Lisbon (and Portugal) is to stay for sometime in the city and to attend to the venues cited above whenever you can.

Oumou Sangaré vous aime!

Ninguém devia deixar escapar esta oportunidade de rever uma das maiores vozes do Mali (e eu coço-me todo ao saber que, por motivos que não vêm ao caso, o terei de fazer.) Oumou Sangaré, 41 anos, vai estar amanhã, sábado, no CCB, a apresentar o seu novo álbum, "Seya". O espectáculo tem início marcado para as 21h e os preços variam entre os 18€ e os 35€.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um "mundo de música, artes e dança"

Numa deambulação pela net, encontrei por acaso o cartaz de um dos primeiros WOMAD (www.womad.org), o festival que surgiu pelas mãos, entre outros, de Peter Gabriel, e que se espalhou um pouco por todo o mundo ao longo destas quase três décadas. Reparem como num só festival se juntava gente como os New Order, The Fall, Nusrat Fateh Ali Khan, Franco, Thomas Mapfumo, The Pogues, Penguin Cafe Orchestra, Peter Hammill, The Go-Betweens, Jan Garbarek, Trilok Gurtu e outros mais. Cada nome, uma exclamação. Mais importante ainda, o cartaz mostra o ecletismo com que aquelas primeiras edições celebravam, afinal de contas, o mote do "mundo de música, artes e dança". A formatação "world music" é algo que só viria depois.

(Felizmente, o ecletismo está a voltar aos festivais deste e de outros géneros. E cada vez menos faz sentido falar em festivais deste e de outros géneros, o que é bom.)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mixtape da casa #9



Contribuições:
Xutos & Pontapés "Som da Frente" [1ª parte] (Portugal, 1982)
Palermo Disko Machine "Theme of Palermo Disko Machine" (Itália, 2009)
LCD Soundsystem "Bye Bye Bayou" (EUA, 2009 / Versão de Alan Vega)
Architecture in Helsinki "Like it or Not (El Guincho Remix)" (Austrália/Espanha, 2008)
The Very Best "Warm Heart of Africa (Architecture in Helsinki Remix)" (Malawi/Inglaterra/Austrália, 2009)
Bana Ngenge Stars Popote "Dunia Imelaniwa" [1ª parte] (Congo-Kinshasa/Quénia, 1980?)
Ferro Gaita "Rei di Tabanka" (Cabo Verde, 1999)
Izé "Tronku di Mundo" (Cabo Verde, 2007)
Fool's Gold "Surprise Hotel (Mad Decent Remix)" (EUA, 2009)
Rita Indiana y los Misterios "La Hora de Volve" (República Dominicana, 2009)
Digital Leather "Photo Lie" (EUA, 2009)
Roxy Music "Editions of You" (Inglaterra, 1973)
Los Flechazos "No Sabes Bailar" (Espanha, 1988 / Versão de "Nobody", de Human Beinz)

45'49" / 104MB

Disponível aqui e agora também no mixcloud.com:

Traços distintivos de uma geração, parte I

Por entre as inúmeras reacções de pesar à morte do António Sérgio, nos blogues, sites, redes sociais, jornais, televisão (cheguei a ver um deputado do PSD a recordar o Som da Frente com emoção, num debate da SIC Notícias), ou as que ontem se puderam ouvir na excelente emissão de homenagem que a Antena 3 realizou, há um aspecto que, com alguma graça, se afigura comum a toda esta geração e que pode ser resumido na seguinte frase:

«Eu ouvia o Som da Frente baixinho ou com headphones, porque os meus pais já estavam a dormir.»


E já que estamos nisto, uma brincadeira no facebook levou-me, entretanto, a ir apanhar outro traço característico desta geração:

«Eu pensava que o Tim cantava 'um avião para lá ir mais a miúda', não 'mais amiúde'.»

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mão Morta (ainda mais) ballardianos

Fica a nota rápida de que os Mão Morta estão a trabalhar na composição dos temas que farão parte do próximo álbum, a ser lançado em 2010, quando comemoram 25 anos de carreira (*). Diz o Miguel Pedro que há J.G. Ballard pelo meio.

(*) Para mim, a celebração dos 25 anos iniciava-se já neste mês de Novembro, na data em que o Joaquim Pinto se juntou ao Adolfo e ao Miguel Pedro para juntos darem os primeiros passos enquanto Mão Morta, mas isso sou eu que o digo.

Na próxima segunda-feira, a Antena 3 vai passar a noite a recordar António Sérgio

Sete horas da emissão da Antena 3, na próxima segunda-feira, a partir das 19h, vão ser ocupadas a recordar António Sérgio, com diversos convidados. Mais pormenores na notícia do site da no Blitz.

Liberdade e irreverência na "música para uma nova tradição"

"A música tradicional como espaço de liberdade e de irreverência." A frase de Carlos Guerreiro, surgida a meio da actuação dos Gaiteiros de Lisboa resumia de forma particularmente feliz a noite de ontem e o espírito que atravessou não só as actuações dos quatro grupos envolvidos mas também a mensagem deixada pelo homenageado, João Aguardela, e que os seus amigos pretendem continuar a fazer passar através das iniciativas do projecto Megafone 5. Tradição, liberdade e irreverência estão nos Gaiteiros desde o primeiro disco, estão na folia de tasca dos Oquestrada, surgem subrepticiamente nos instrumentais dos Dead Combo, estão na voz de Maria Antónia Mendes, d'A Naifa. Não havia maneira de celebrar melhor esta ideia.

A história do Megafone 5 é uma história bonita desde o princípio. Há nove meses, logo na noite imediata ao funeral de João Aguardela, Nuno Calado, da Antena 3, liga o chat do gmail e põe-se à conversa com Pedro Gonçalves (o jornalista). "Temos que fazer qualquer coisa." A bola passa para depois para o Luís Varatojo e para a Sandra Baptista, que desenvolvem a ideia até chegar ao ponto em que a conhecemos hoje. Megafone 5 não foi apenas a habitual noite de homenagem. É um site (www.aguardela.com) com tudo sobre a obra do João, incluindo o download livre dos quatro volumes de Megafone, as transformações que o músico fez de recolhas da música tradicional portuguesa, e é também algo que vai muito mais longe e se projecta no futuro da música feita por cá, com a criação de um prémio para distinção da nova música tradicional portuguesa, em colaboração com a SPA. E tudo isto começou com um "temos que fazer qualquer coisa".

Voltando à noite de ontem, a coisa começou por ameaçar correr mal. Os Gaiteiros de Lisboa, que continuo a ter para mim como um dos dois ou três melhores grupos portugueses, especialmente ao vivo (embora, infelizmente, isso pareça ser cada vez coisa mais rara), tiveram um som baixíssimo. Sou quase capaz de jurar que a percussão não estava amplificada. Em dias normais, a percussão dos Gaiteiros esmaga-nos contra as costas das cadeiras. Ainda por cima, o grupo aproveitou para introduzir variações particularmente curiosas nos temas (um deles até era, aparentemente, inédito). Depois da experiência do "Três Cantos", comecei até a recear que viesse aí a moda do "veja primeiro, oiça depois (com o CD e DVD)". Contudo, os níveis de volume atingiram o desejável na actuação seguinte, com os Oquestrada. E aqui o público acordou. Com a vocalista Miranda, sempre despachada, sempre irrequieta (o raio da mulher não aguenta mesmo o palco, passeia pela plateia, mete-se com fotógrafos e espectadores), a festa instalou-se no grande auditório do CCB. Só foi pena a actuação do "fadista pugilista" -- figura de Alfama que costuma animar, e bem, a "Incrível Tasca Móvel", o espectáculo que os Oquestrada têm com os Anonima Nuvolari -- que fugia constantemente aos tempos do fado que saía dos Casios do Lima e do Donatello (fado com Casios, claro -- "liberdade e irreverência"). Depois do intervalo, os Dead Combo levaram o espectáculo para o terreno da serenidade que tão bem conseguem recriar, especialmente em ambientes como estes do CCB. E se esta noite era como que um showcase da "música para uma nova tradição", aos Dead Combo ficou nitidamente atribuído o papel de enunciar que não é preciso cantar, nem tão pouco recriar ponto por ponto as frases melódicas e rítmicas da muitas músicas tradicionais portuguesas para conseguir exprimir algo que é intrinsecamente nosso. Para o final, veio A Naifa. Ao primeiro tema, o lugar de Aguardela estava ali guardado, vazio, mas poucos esperavam (nem tão pouco alguns dos elementos da própria organização) que aquele espaço viesse a ser ocupado pela... Sandra Baptista. E houve mais momentos bonitos e enternecedores na actuação d'A Naifa, como aquele em que a vocalista Maria Antónia Mendes revelou à audiência a história por trás das letras de "Uma Inocente Inclinação para o Mal", o último álbum do grupo. No disco, as letras surgem creditas a Maria Rodrigues Teixeira. Era o nome de uma avó de João Aguardela, e, afinal, era ele o verdadeiro autor das letras, sem sequer a própria banda o ter sabido na altura...

Foi uma noite muito bonita, muito bonita mesmo.

Uma sinfonia agridoce luso-argentina

Lembram-se da polémica "Bitter Sweet Symphony" vs. "The Last Time" ou, melhor, The Verve vs. Jagger/Richards? Pois agora oiçam isto e, depois, isto.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A grande noite de homenagem a Aguardela



É hoje que Gaiteiros de Lisboa, Oquestrada, A Naifa e Dead Combo se reúnem no palco do Grande Auditório do CCB para prestar tributo a João Aguardela, desaparecido a 18 de Janeiro deste ano. O espectáculo ganhou o nome "Megafone 5", na sequência do projecto de recolha e tratamento de música popular portuguesa que Aguardela vinha a fazer desde o final dos anos 90 e que ficou documentado ao longo de quatro discos. O preço dos bilhetes para esta noite é 20€, qualquer que seja o lugar. Esta é uma das três faces sob as quais se reveste o tributo ao músico e ao seu trabalho, à qual se junta o site www.aguardela.com e o prémio anual para a distinção da nova música tradicional portuguesa, criado em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Barreiro Rocks 2009: o cartaz!

Já foi divulgado o cartaz da próxima edição do Barreiro Rocks, que este ano decorre em Dezembro (11 e 12), um pouco mais tarde do que é habitual. Kid Congo é o principal nome deste fim-de-semana de rock'n'roll sempre a partir, mas há muito mais para ver, ouvir e sentir de uma forma geral:

11 Dezembro
22.00h – Singing Dears (Barreiro, Portugal)
23.00h – Destination Lonely (Perpignan, França)
00.00h – Tokyo Sex Destruction (Barcelona, Espanha)
01.00h – Kid Congo & The Pink Monkey Birds (Washington, EUA)
After:
02.30h – [D-66] (Londres, RU)
03.30h – Los Santeros (Chihuahua, México)

12 Dezembro
22.00h – Shake Shake & Show Me Your Pussy (Alcobaça, Portugal)
23.00h – The Sullens (Barreiro, Portugal)
00.00h – Jon Ulecia & Cantina Bizarro (Pamplona, Espanha)
01.00h – Tav Falco's Panther Burns (Memphis, EUA)
After:
02.30h – ALTO! (Barcelos, Portugal)
03.30h – Los Chicos (Madrid, Espanha)

É de contar também, em ambas as noites, com a presença já habitual do norte-americano DJ Shimmy a rodar 7".

Quatro EPs de remisturas para El Guincho, mas nada de propriamente novo no horizonte próximo

Enquanto se espera e desespera por aqui por algo de realmente novo que venha a suceder ao álbum "Alegranza", de 2007, o canário El Guincho prepara-se para lançar quatro EPs de remisturas dos temas "Antillas" e de "Kalise". A edição é da Young Turks, nos formatos 12" e mp3. As remisturas de "Antillas" saem no próximo dia 23 de Novembro, não havendo data ainda para os restantes EPs.


Antillas (Original)
Antillas (XXXchange Remix)
Antillas (Cee (Al Haca) Remix)
Antillas (Banana Clipz (Bersa Discos) Remix)


Antillas (Original)
Antillas (Architecture in Helsinki Remix)
Antillas (Prins Thomas Diskomiks)
Antillas (Bass Clef Remix)


Kalise (Original)
Kalise (Tanlines Remix)
Kalise (Delorean Remix)
Para Que Celebren Todos


Kalise (Frikstailers [ZZK] Remix)
Kalise (Jools MF Remix)
Kalise (Kubo Remix)
Kalise (Mumdance Remix)

Zu, hoje e amanhã, no Porto e em Lisboa



Hoje, no Passos Manuel. Amanhã, na ZDB. (Mike Patton não incluído.)

Charadas #531

domingo, 1 de novembro de 2009

As estepes encontram-se ainda mais desoladas. Morreu António Sérgio.

A morte é sempre uma má notícia, mas custa ainda mais quando a recebemos sem por ela esperarmos. Fiquei a saber há instantes que desapareceu um dos meus heróis de adolescência, que me ensinou a gostar de música sem fronteiras de qualquer espécie, uma companhia de muitas noites ligadas à rádio. Ainda há dias me interrogava pela aproximação do seu 60º aniversário. Infelizmente, já não vai acontecer. António Sérgio faleceu na noite de ontem, vítima de problemas cardíacos. O meu pensamento vai agora para a Cristina (vocês eram sempre o casal mais bonito que eu encontrava nos concertos), para os filhos e para todos que de perto trabalharam com ele.
O corpo do Sérgio vai ser velado hoje na Basílica da Estrela, a partir das 18h.
Notícia do DN
Notícia do Público

ACTUALIZAÇÃO:
Informa o Nuno Calado no Facebook que se realiza amanhã, pelas 15h, missa de corpo presente na Basílica da Estrela, seguindo depois o funeral para o cemitério dos Prazeres.