terça-feira, 31 de julho de 2007

Rescaldo do FMM (R-Z)

(continuação)

R de Rua do Centro de Artes.
O moderno Centro de Artes de Sines é constituído, à superfície, por dois edifícios. Pelo meio, há uma rua em piso de liés (é assim que se chama?), que durante as noites de segunda e terça-feira do festival teve um ambiente bastante familiar, com várias dezenas de pessoas sentadas no chão a assistir pacificamente pelas vitrinas ou pelo écran de tv os espectáculos que decorriam no interior do auditório. O quadro era bem bonito.

S de Seixas.
Há imensa gente a trabalhar neste festival. Mas como no cinema de autor, há o realizador, particularmente na acepção francófona de miseur en scene. Aqui, o director artístico, que acaba por ser muito mais do que isso, é o Carlos Seixas. A ele e à Câmara de Sines se deve este magnífico festival. Obrigado.

T de Taha.
Receava-se que, à semelhança do que se viu há pouco tempo no youtube, a propósito de um concerto realizado algures na Europa, Rachid Taha se entornasse mais do que devia e ainda viesse a cair rotundo no palco. No backstage, na primeira vez que o vi, eu quase receei que ele caísse para cima das saladas do buffet. Ai, ai. Mais tarde, encontrei o tour manager que me deu um abraço forte como se dele fosse um amigo de há longuíssima data. Ai, ai. Mas a grande verdade é que, depois, o concerto acabou por ser realmente aquilo por que se ansiava. Hora e meia de material ao qual o corpo não consegue resistir, com incursões por "Barra Barra", "Ecoute-Moi Camarade", "Rock El Casbah" e outros temas obrigatórios. No final, na parte dos agradecimentos, percebeu-se ainda que toda a banda estava quase tão entornada como Rachid Taha.

U de uivos da Erika Stucky.
A suíça Erika Stucky foi uma das maiores surpresas deste festival. O uso que faz da voz, seja no formato spoken word (magnífica a versão para "These Boots Are Made for Walking"), seja na canção, seja nos yodelays, aliado à boa disposição que atravessou toda a actuação, ajudou a que este espectáculo possa ficar retido na memória por bastante tempo.

V de Vegetariano.
Não sou propriamente vegetariano, mas cada vez mais ponho a carne vermelha de lado na minha dieta. Mas isso não vem para o caso. O que me intriga, desde a primeira vez que venho ao FMM (2000 ou 2001), é o desprezo que é dado aos vegetarianos. Porventura, os agentes de restauração locais não verão a excelente oportunidade de negócio que teriam se apostassem em ementas alternativas, dado o tipo de público que aflui ao FMM? Bom, já têm os restaurantes sempre cheios... Talvez seja por isso. Cá fora, vale a roulotte do "Sabor Supremo", presente todos os anos no festival.

W de World Music.
Ah. É apenas uma forma esperta de gastar o W.

X de X FMM.
Para o ano, teremos o décimo FMM. Dez anos de crescimento constante. Mais uma forma esperta de gastar uma letra.

Y de Youtube.
Pelo Youtube circulam já diversos vídeos com actuações e entrevistas aos artistas ao festival (vejam o blogue). À margem dos vídeos oficiais, também se encontram no Youtube alguns vídeos que o João Gonçalves gravou na sessão do Bailarico Sofisticado (aqui e aqui).

Z de Zzzzzzz.
Dormir mais do que três ou quatro horas por dia ao longo destes dias era um luxo. Isto é, se se queria aproveitar tudo isto...

Rescaldo do FMM (J-Q)

(continuação)

J de Jacky Mollard.
Foi, para mim, o primeiro grande estrondo do FMM deste ano. É certo que, em Porto Covo, os Etran Finatawa e o Darko Rundek já tinham rendido bastante, mas na segunda-feira, no Centro de Artes de Sines, o Acoustic Quartet do bretão Jacky Mollard produziu a primeira das grandes maravilhas ao vivo do festival. A canção irlandesa tem andado um pouco arredada dos festivais de música do mundo, se exceptuarmos naturalmente os intercélticos que se vão realizando pelo Norte do país. Quando se encontra um "fiddler" como o Jacky Mollard (parecido com o Fausto como qualquer outro bretão) é motivo de grande regozijo. Já para não falar do encontro de novo com ele na companhia do seu acordeonista na esplanada do bar do Salão Musical, para uma jam até às tantas da manhã...

K de K'Naan.
Não foi tão bom, quis-me parecer, quanto o concerto do ano passado. Talvez porque no ano passado, a estupefacção perante aquela surpresa aparecida do nada tenha contribuido para a mitificação do rapper somali. Mas ainda assim não há aqui nenhuma espécie de desilusão em excesso. K'Naan ao vivo continua a ser uma experiência única- Sente-se a vontade de levantar notre skinny fists em forma de protesto como ele o faz nas suas letras.

L de Lista dos melhores concertos.
Em primeiro, Gogol Bordello. Depois, ex-aequo no segundo lugar, Carlos Bica Trio Azul e o Rachid Taha. Em quarto, o Jacky Mollard Acoustic Quartet. Finalmente, em quinto, o guitarrista Harry Manx.

M de Mali.
Mais uma vez, o Mali e toda aquela região subsaariana, tão fértil em música, foram protagonistas do festival. Ora pelos Tartit, ora pela Oumou Sangaré, ora pela Mamani Keita, ora pelos vizinhos Etran Finatawa. Je veux aller au Festival au Desért, écoute-moi.

N de Noivos de Sines.
Este N tinha que ser para vocês, sim vocês que sabem quem são, o casal mais bonito de Sines. Vocês estão os dois aqui no meu peito, ó.

O de Orquestras.
Houve várias orquestras e big bands este ano. A orquestra latina do Señor Coconut, os alucinados La Etruria Criminale Bandam, os irmãos do Hypnotic Brass Ensemble ou até os próprios Bellowhead... Como dizia o blogue do festival, mais de duzentos artistas subiram aos diferentes palcos...

P de Praia.
Como diz a Joana, que bela rotina esta a que se viveu nestes dias. Acordar, tomar pequeno-almoço nos galegos, ir para a praia durante a tarde inteira, ver concertos e sessões de deejaying fabulosas até ao sol nascer, justamente ao longo da praia Vasco da Gama. Que se pode querer mais?

Q de er... Quecas?
Esta foi a sugestão para a letra Q por parte do João Gonçalves, roadie oficial do Bailarico. Ele lá deve saber do que fala quando sugere este tema para a letra Q.

(continua)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Rescaldo do FMM (A-I)

Ando desde ontem a abrir e fechar a página de edição de posts do blogger. Há naturalmente que falar destes nove dias fantásticos passados em Sines, mas tem sido doloroso recordar esta experiência. Mas antes que isto se arraste mais, aqui vai o rescaldo, servido através de um truque jornalístico frequentemente utilizado (e um tudo nada idiota):

A de Amigos.
Ninguém alguma vez pense ir para e estar em Sines sozinho. O FMM é para ir com amigos, é para estar com amigos, é para fazer novos amigos, é para celebrar esta capacidade tão engraçada que mulheres e homens têm de se relacionar uns com os outros.

B de Bellowhead.
Festa. Canções inglesas, ritmos irlandeses e muita festa no dia em que o castelo abriu as portas pela primeira vez à edição deste ano do festival.

C de Castelo.
Lá continua a servir de sala principal ao festival. Agora tem uma porta adicional, que facilita as entradas e saídas. No sábado à noite encheu ao ponto de ficar insuportável. Uma viagem da frente do palco até às casas de banho demorava imenso tempo.

D de Djambés.
Esta mania de alguns levarem djambés, pandeiretas, megafones e outros instrumentos para os recintos para com eles participarem nos concertos para os quais não foram convidados tem que acabar. Não foi nada que estivesse sempre a acontecer, mas se isto continua, ainda vou ficar com saudades do pessoal que bate palmas a acompanhar os temas por tudo e por nada.

E de Estrelas do céu de Porto Covo.
Nos primeiro fim-de-semana do FMM, que teve lugar em Porto Covo, o céu estrelado dava um ambiente magnífico aos concertos. A Lua, por sua vez, foi sempre crescendo até chegar à sua plenitude no último dia do festival.

F de Festival.
O FMM (ainda) é um festival na acepção mais genuína do termo. É sinónimo de festa entre todos, no público, na produção, nos artistas. É neste ambiente que acontecem de forma natural encontros como aquele que juntou Harry Manx com o percussionista da orquestra latina do Señor Coconut, numa improvisação que decorre da descontracção da festa.

G de Gogol Bordello.
Sábado à noite, a gogolândia instalou-se no Castelo. Não foi preciso muito para que aqueles milhares de pessoas começassem a suar abundamente aos pulos com que acompanhavam a música. Continuo a achar os Gogol Bordello demasiado azeiteiros, da voz a alguns padrões rítmicos muito semelhantes ao nosso "pimba", continuo a achar que estão muito longe de serem uma versão balcânica dos Pogues ou dos Ukrainians (porque estes sabiam tocar a sério e sem puxar alarvemente pelo lado "cheesy" da coisa), mas, porra, incendiaram o castelo (calhou-lhes bem o tradicional fogo de artifício do FMM). Fizeram aquilo que era pedido para terminar os concertos no castelo: uma enorme festarola.

H de Hypnotic Brass Ensemble.
Andaram pela praia, andaram pelas tasquinhas, andaram pelas ruas de Sines. Uma das mais belas surpresas deste FMM foi a brass band formada na sua maioria por filhos do trompetista da Arkestra de Sun Ra.

I de Instrumentos.
Todos os anos, o festival (como outros do género) ajuda a conhecer novas culturas e, com elas, novos instrumentos. Quem já viu Kepa Junkera ao vivo, já saberia o que é uma txalaparta, mas os outros tiveram oportunidade de a conhecer através das duas irmãs que formam o grupo Ttukunak. Outros instrumentos foram também protagonistas ao longo do festival, como as gaitas (no pun intended) dos Galandum Galundaina, a flauta (no pun intended again) do Rão Kyao, as percussões do Trilok Gurtu, a "sitarra" do Harry Manx, os gira-discos do DJ Ill Vibe, os saxofones de David Murray e amigos do WSQ, a voz de Erika Stucky, etc.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Que festival este, pá.

É sexta-feira, acho. O ritmo vertiginoso que se tem vivido aqui por Sines ao longo destes últimos sete dias esgotou o discernimento necessário para se poder afirmar com certeza que hoje é sexta-feira. Mas se assim é, de facto, se hoje é sexta-feira, temos um problema entre mãos. Está prestes a descer o pano do FMM 2007. Estes dias de música, praia, música, copos, música, festa, música, (des)amores e (des)humores e música, vão terminar amanhã. Os amigos que por aqui se encontram todos os anos, bem como os novos que aqui se fazem, vão regressar às suas terras de origem. Amanhã, dir-se-á "até para o ano, pá, e, olha, que festival este, pá".

Que festival este, pá. O festival das irlandices trazidas pelo Jacky Mollard (tanto no Centro de Artes como na jam no Salão Musical) ou pelos Bellowhead ou até mesmo pelo fiddler da banda de Trilok Gurtu. O festival do apelo irresistível do Mali e do deserto com os Etran Finatawa, os Tartit e a Oumou Sangaré. O festival das actuações explosivas do Hypnotic Brass Ensemble pelas ruas de Sines, o tal dos sete ou oito filhos do trompetista da Arkestra de Sun Ra. O festival do encontro improvisado em palco -- e só possível em ambientes como este -- do bluesman Harry Manx e um percussionista da orquestra latina de Señor Coconut. O festival da folia dos Galandum Galundaina e dos pauliteiros. O festival das fronteiras abertas do Azul de Carlos Bica (melhor concerto até agora?). O festival dos discos da Raquel, do António, do Gonçalo e do Álvaro pela madrugada fora.

Ainda que estejamos perto do fim, há tanto para acontecer nestas duas últimas noites: o raï chunga do Rachid Taha, o hip hop africano do K'Naan, a punk azeiteira dos Gogol Bordello, o jazz político do World Saxophone Quartet do David Murray, os merengues, salsas e chachachas sofisticados do Señor Coconut. E, claro, o bailarico de fim de festa até depois do sol nascer pela última vez na edição deste ano deste festival. E que festival este, pá.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Não há tempo...

...para vir aqui. Concertos magníficos, noitadas cheias de amigos, praia toda a tarde, amigos que anunciam casamento. É uma vida complicada esta a de Sines.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

A dois dias de Sines



Señor Coconut "Seven Nation Army" (ao vivo)

Já foi Lassigue Bendthaus, já foi Atom Heart, já foi Lisa Carbon, já foi Flanger (com Burnt Friedman), já foi várias dezenas de outros nomes e de outras músicas. Em 1996, o produtor e DJ alemão Uwe Schmidt foi viver para Santiago do Chile e instalou-se definitivamente na persona de Señor Coconut, revisitando para o efeito clássicos dos Kraftwerk e não só, primeiro sozinho e depois com a colaboração de orquestras latinas, como aquela que vai trazer a Sines, naquele que será o último concerto do FMM deste ano, junto à praia, no sábado, 29.

Charadas #376

terça-feira, 17 de julho de 2007

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A quatro dias de Sines



BITTY McLEAN ao vivo

A grande má notícia do FMM 2007 surgiu há poucos dias. A maior secção rítmica do reggae, Sly & Robbie, não vai poder estar em Sines. Robbie Shakespeare continua a convalescer de um acidente onde fracturou uma perna e vê-se assim adiado o regresso da dupla a Sines, depois daquele magnífico concerto de 2001 em que serviram de retaguarda aos Black Uhuru. Mas as luzes vão continuar a incidir sobre Bitty McLean, o inglês de ascendência jamaicana, que terá como secção rítmica os franceses The Homegrown Band. Vai ser no dia 26, quinta-feira, ao fim da noite, junto à praia.

Animal Collective no Má Fama, hoje


O Sérgio do Má Fama conseguiu apanhar os Animal Collective em Lisboa, há dias, numa passagem do grupo por Lisboa. Eles e o novíssimo álbum "Strawberry Jam", a editar em Setembro, serão o prato forte do programa de hoje. Convém não perder o directo, já que o podcast só estará disponível em meados de Agosto, por acordo com a Domino, a editora do álbum. É ouvir, hoje, a partir das 22h, na Rádio Zero.
ACTUALIZAÇÃO: o programa repete no próximo sábado, às 14h.

Charadas #374

domingo, 15 de julho de 2007

A cinco dias de Sines



TARTIT no Festival au Desert

Os Tartit, cinco mulheres e quatro homens, são provenientes da tribo tuaregue Kel Tamashek, onde na qual as mulheres ocupam uma posição social pouco habitual no seio das sociedades árabes. Dia 26, quinta-feira, vão subir ao palco do castelo para seduzir o povo com os ritmos repetitivos do deserto.

sábado, 14 de julho de 2007

A casa

A casa ainda tem pouca gente. Numa das paredes do hall de entrada, está pendurado o horário das actuações. À esquerda, o P. e o A. vendem discos. Na divisão imediatamente a seguir, alguém toca. É aí, nesse quarto escuro, que se concentram as primeiras visitas. O bar fica na cozinha e a cozinha ainda fica longe, a meio do interminável corredor. Pelo caminho há mais dois ou três quartos, com papéis pendurados nas ombreiras das portas, avisando quem ali vai actuar. Na cozinha, o Z. está a passar Holger Czukay. A cerveja é quente. Ao longo da outra metade do corredor há ainda mais quartos, uns vazios, outros ocupados ora de instrumentos e amplificadores, ora de casais de namorados. À medida que o tempo avança, as pessoas vão chegando. Os Gala Drop do T. e do N., aos quais se junta o baterista A., dão um belo concerto. Os Frango tocam ao mesmo tempo, no outro lado da casa. Entretanto, a casa está cheia. As garrafas de cerveja estendem-se encostadas às paredes, tal como as pessoas. O Kyp Malone anda por aqui, sempre com os dedos a tapar os ouvidos. O techno improvisado dos One Might Add é hipnotizante. A cerveja continua quente. A casa está cheia de miúdas bonitas. A única casa de banho em funcionamento tem uma fila desesperante. A casa ainda tem um pátio enorme. Melhor, a casa também funciona na fracção do lado esquerdo. É aí que tocam os Calhau! com o António Contador. É aí que os CAVEIRA e nós quase vamos parar ao andar de baixo. Que bela casa esta. E que noite...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A sete dias de Sines



ARONAS "Dance Dance Dance"

O jazz regressa em força ao FMM. Aos consagrados Don Byron e World Saxophone Quartet, onde milita o sineense honorário David Murray, e ainda aos húngaros Djabe e ao português Carlos Bica (com o seu trio Azul e o DJ Ill Vibe) junta-se, no cartaz, o pianista Aronas. Aron Ottignon, natural da Nova Zelândia, gravou o seu primeiro disco aos 14 anos e é visto como uma das grandes esperanças do jazz. Em Sines, vai estar acompanhado de um grupo composto por um baixo e duas baterias. Vai ser o concerto de fim de tarde junto à praia, no dia 27, sexta-feira.

Charadas #373

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Charadas #372

Finalmente, tanto tempo depois

Há mais de quinze anos que aguardava este concerto dos Mudhoney. Na altura, as cassettes rodavam que se fartavam no walkman, mas faltava o concerto. As descrições que ia lendo nos jornais ingleses, particularmente aquela inesquecível reportagem no NME a propósito do lamaçal de Reading em 1992, contribuiam ainda mais para cavar esta lacuna ontem preenchida, finalmente.
De perto, nota-se que Mark Arm tem os olhos mais sumidos. Os traços faciais estão mais vincados. Enfim, está mais velho, como todos nós, mas isso não transparece naquela voz rouca e aguda. Continua perfeita. A presença em palco, e isso também é válido para todos os Mudhoney, quase engana quem não conheça a história do grupo. Parece que se formaram ontem, que estão a dar os primeiros concertos. E não fazem frete a tocar para duas ou três dezenas de pessoas, como se o tempo não tivesse passado. Mesmo quando os parceiros de berço Pearl Jam tocam hoje para multidões de estádio (há coisas que custam a entender na vida). Houve temas de todos os discos, de "Superfuzz Bigmuff", de 1988, a "Under a Billion Suns", de 2006. Ao longo de cerca de duas horas, não se ouviu "Here Comes Sickness", mas deu para recordar coisas como "You Got It (Keep It Outta My Face)", "Touch Me I'm Sick", "Suck You Dry", "Burn it Clean" (alguém que me confirme se não estou a sonhar com esta), "When Tomorrow Hits", o mais recente "Where is the Future", ou ainda as versões de "Hate the Police", dos Dicks, e "Fix Me", dos Black Flag, com que terminou a noite. Há mais de quinze anos que eu esperava por este concerto. E é incrível como tanto tempo de expectativa acumulada não saiu dali defraudada, bem pelo contrário.
Costumo dizer que os D3Ö são a minha banda favorita de Coimbra, desde há três ou quatro anos. E ontem, o trio ajudou-me, uma vez mais (um tipo não se cansa dos concertos destes gajos) a confirmar essa opinião. O termostáto da sala rebentou -- também não era preciso muito, se formos pelo lado literal da coisa -- e os Mudhoney estiveram lá sempre do princípio ao fim, seguindo o concerto com manifesto prazer.
Também protagonista da noite foi o Culto Club. Já não há salas assim. Uns 150 metros quadrados, limitados por paredes pintadas a cor-de-sangue por onde escorre o suor, um mezanino, empregados/donos com ares de velha guarda rock dos anos 80 e 90, um clima de aparente intranquilidade face ao receio de que algo comece a ruir a qualquer momento, enfim... Uma sala de rock, ideal para o que ontem se assistiu em Cacilhas.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A 9 dias de Sines



K'NAAN "Soobax" (Videoclip)

O nome com que foi baptizado revelou desde logo o seu destino. K'naan -- "o viajante", na língua somali -- nasceu em Mogadíscio há 29 anos. Viveu a infância no meio da guerra civil, que muito se vê reflectida nas suas letras, e, aos 11 anos mudou-se com a mãe para Nova Iorque, para mais tarde vir a fixar residência em Toronto, no Canadá. O hip hop de intervenção, com carácter africano, surpreendeu o ainda pouco público (era segunda-feira) que o apanhou no FMM do ano passado, num concerto junto à praia. Por mérito próprio, K'Naan regressa este ano a Sines, num dia mais concorrido (sábado, 28) e num palco maior (o do Castelo).

Última hora

Kyp Malone, o guitarrista barbudo dos TV On the Radio, tem estado por Lisboa desde o concerto do grupo no Super Rock. Abandona-nos no sábado, mas antes, já amanhã, quinta-feira, vai passar pelo Lounge, para um concerto a título individual. A entrada é livre, como sempre, e o início está marcado para as 23h30. Após o concerto, há pratos do Mr. Mitsuhirato.

Charadas #371

terça-feira, 10 de julho de 2007

Duas boas razões para esta quarta-feira ficar marcada a carregado na agenda



MUDHONEY "Here Comes Sickness" (videoclip)



MUDHONEY "Suck You Dry" (videoclip)


E, como bónus, uma versão ao vivo do ano passado para esse hino da adolescência de alguns de nós, "Touch Me I'm Sick":

Sexta, 13... 13 concertos na Avenida

Nesta próxima sexta-feira, o primeiro andar do 211 da Avenida da Liberdade vai servir de palco para uma maratona de concertos e jam sessions entre a malta da improvisação e do rock mais marado de Lisboa, Barreiro e arredores. Vai também haver uma banca com discaria e afins da Flur, da Searching Records, da Creative Sources, da Headlights, da Rafflesia, da Ruby Red e ainda edições de autor e material em segunda mão. A sessão começa às 21h30 e a entrada custa €5. Eis o programa:

CAVEIRA
Tropa Macaca
Manuel Mota + Margarida Garcia
David Maranha
Pedro Boavida + André Gonçalves
Gala Drop
António Contador + Calhau!
One Might Add
Stellar (Países Baixos)
Riff Drivel (Países Baixos)
Ernesto Rodrigues + Guilherme Rodrigues + Carlos Santos
Alfredo Costa Monteiro
Frango

Charadas #370

segunda-feira, 9 de julho de 2007

A 11 dias de Sines



MAHMOUD AHMED ao vivo

Aos 66 anos, o etíope Mahmoud Ahmed é uma das mais lendárias vozes africanas. A BBC Radio 3, o principal meio de projecção no Ocidente das músicas do mundo, distinguiu-o como o Melhor Músico Africano de 2006. Ele vai estar no Castelo de Sines, na quinta-feira, dia 26.

Mudhoney atravessam o Tejo

Finalmente, as dúvidas foram esclarecidas. Vai mesmo haver -- iupiiiii -- concerto de Mudhoney, nesta quarta-feira, com D3Ö na primeira parte, só que o local mudou do Paradise Garage para o Culto Club, em Cacilhas. O preço dos bilhetes também se mantém, ou seja, €20 na compra antecipada, €22 no próprio dia. O anúncio da organização aponta as 21h30 para o início dos concertos.

Charadas #369

sábado, 7 de julho de 2007

A 13 dias de Sines



GALANDUM GALUNDAINA em Cinfães, 2006

Os bem dispostos e humorados gaiteiros de Miranda do Douro tem as honras de abertura do FMM deste ano. Dia 20, em Porto Covo.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

A guitarra é uma arma

O António Pires chama-lhe a "maior banda rock do mundo". Entende-se perfeitamente o exagero e quase se toma por verdade absoluta o epíteto. É que daquelas três guitarras nas mãos dos Tinariwen brota energia que rebentaria com dezenas e dezenas de festivais de rock.
Embora a guitarra eléctrica não fosse um instrumento comum entre os povos tuaregues, até há bem pouco tempo, já há algumas décadas que se ouve com frequência na música do Mali, do Senegal, das Guinés, dos Camarões, enfim, de toda a África Ocidental. E os blues, afinal, nasceram ali, nas margens do Níger. Mas estes antigos guerrilheiros da libertação tuaregue, contaminados pelas distorções que ouviam nos discos de rock nos campos militares líbios, fazem das suas guitarras autênticas armas, enquanto na sua língua procuram chamar a atenção para a história de opressão vivida por este ancestral povo nómada. Tal é o chamamento dos riffs e das escalas pentatónicas dos Tinariwen que o corpo, na melhor e mais característica qualidade do rock, se deixa levar imediatamente aos primeiros ritmos. Foi o que aconteceu, por exemplo, na noite de ontem, com a plateia do São Jorge Sauna Club a levantar-se logo desde os primeiros instantes e a entregar-se à torrente sónica que subia desde o palco. Nem o calor que a sala ultra-lotada e a inexistência de ar condicionado patrocinavam foi impeditivo para a celebração do maior ritual já alguma vez inventado pelo homem (ah, o "concerto de rock"). As guitarras -- mais uma vez, é impossível fugir ao protagonismo delas --, apesar de apoiadas apenas num pobre djambé e num resistente baixista, mas também elas compensadoras da parte rítmica, foram enredando-se em padrões repetitivos -- não é quase sempre assim a melhor música popular, dos monges budistas aos LCD Soundsystem? -- os quais, como ondas, iam provocando impacto nos corpos e almas em redor. No final, ninguém os queria deixar ir embora e teve que haver um segundo encore, mesmo depois das luzes da sala terem acendido. Inesquecível.
(No sábado Hoje, sexta-feira, há mais, para quem for ou estiver em Évora.)

Charadas #368

quinta-feira, 5 de julho de 2007

É nestas coisas que me dá quase vontade de virar neo-liberal

Com que fundamento se faz, na metrópole que é Lisboa, um concerto como o dos Tinariwen num espaço de lotação limitada e com entrada a preço zero? Como é que isto se explica, ainda para mais, numa edilidade que apresenta o maior défice orçamental do país?

Não é para aqui chamada a universalidade do acesso à cultura (que é um argumento perfeitamente sustentável e desejável noutros contextos) porque não havia, naquela longa fila de interessados, ninguém que não pudesse e não estivesse afim de dar 10 ou 15 euros por ver os malianos... Só há um nome para isto: gestão desastrosa. A ver se a partir de dia 16 temos outra gente naqueles lugares. O mais provável é continuar tudo na mesma...

Melhor que TV on the Radio e Interpol juntos



Esta noite, às 23h30, o cinema São Jorge recebe os Tinariwen, a fina flor dos tuaregues guitarristas do Mali, em mais um episódio do África Festival 2007. Antes do concerto serão exibidos dois documentários, um sobre Ali Farka Touré ("Le Miel N'Est Jamais Bon Dans une Seule Bouche", às 20h, com a duração de 90 minutos) e sobre os próprios Tinariwen ("Les Guitares de la Rébellion Touareg", às 22h, cm duração de 51 minutos).
A entrada é gratuita, mas a lotação é limitada, naturalmente, e o São Jorge vai começar a distribuir bilhetes daqui a pouco, às 13h. Toca a correr para lá.

Charadas #367

Relato muito telegráfico de ontem

Clap Your Hands Say Yeah - Aquela voz ao vivo é de fazer desesperar qualquer um.
Maxïmo Park - No palco parece que desfilam uma série de (boas) bandas inglesas com mais de vinte anos.
Jesus and Mary Chain - Tenrinhos. Feedback não houve, enganos sim, e com pedidos de desculpa, imagine-se (!). Açucarados demais estes manos Reid.
LCD Soundsystem - Com a secção rítmica a dar o toque da festa, James Murphy e amigos não precisaram de muito mais para produzirem o grande (e único) estrondo da noite. Tremendo.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Adolescência revisitada

Tem piada, que numa postagem ali mais atrás, falasse dos Mudhoney e dos Young Gods. Hoje deve ser o dia N, de nostalgia. Talvez porque logo à noite vão subir ao palco do Super Rock os Jesus and Mary Chain, aquela que foi uma das minhas maiores paixões de adolescência. Tal como os Young Gods e os Mudhoney, entre muitos outros. Mas os escoceses foram especiais no crescimento auditivo. Literalmente, porque a eles se deve grande parte dos estragos feitos nos meus ouvidos. A eles e aos Sonic Youth e aos Neubauten, claro, ou ainda, noutro departamento, aos Hafler Trio, por exemplo. Num tempo em que a mesada dava -- com algum jeito e se não gastasse dinheiro noutras coisas -- para apenas um disco a cada mês e meio, os Jesus and Mary Chain foram aquela primeira banda em cujos LPs investi mais. Não é por isso de estranhar que hoje seja um dia especial. E que não tenha ouvido outra coisa desde manhã que não seja as Peel Sessions deles. Primeiro, porque era o que estava mais à mão. Segundo, porque cobre, de forma mais ou menos interessante, boa parte da carreira do grupo. Terceiro, porque o despojamento de produção das Peel Sessions relega estas canções para o habitat primário dos Jesus and Mary Chain: muito feedback e melodias simples. E é isso que se quer logo à noite. Nostalgia ou nevralgia, vai ser bom voltar a vê-los quinze anos depois da chinfrineira no Carlos Lopes.

Charadas #366

Dúvidas

Afinal, vai haver concerto de Mudhoney no Garage? E de Young Gods no Marés Vivas, em Gaia?

terça-feira, 3 de julho de 2007

A 17 dias de Sines



TRILOK GURTU ao vivo no Novi Sad Old Gold Jazz Festival 2003

O mais consagrado dos percussionistas volta a Sines no dia 25, quarta-feira, agora apoiado por uma banda, depois da companhia dos Misra Brothers naquele que foi possivelmente o melhor concerto do FMM 2006 (digo eu...).

Charadas #365

domingo, 1 de julho de 2007

A 19 dias de Sines



HAYDAMAKY "U 46-m Roci" (Ao vivo no Przystanek Woodstock 2005)

Os ucranianos Haydamaky vão encerrar os concertos de Porto Covo, no Domingo, dia 22, com este "Ska dos Cárpatos".