quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Na sex shop com...

(Aproveito o dia de hoje para recuperar uma entrevista que fiz a Ann Shenton há cinco anos atrás, para a Musicnet. Ann Shenton militava então nos add n to (x), dando hoje cara pelo projecto Large Numbers, que sobe ao palco da ZDB esta noite, num programa que ainda inclui o mui-aguardado-por-estes-lados espectáculo da ex-Raincoats Ana da Silva.)

NA SEX SHOP COM?
ADD N TO (X)
Outubro de 2000


Os britânicos add n to (x), ou seja, Ann Shenton, Barry 7 e Steve Claydon, estiveram recentemente em Lisboa para promover o seu terceiro e novíssimo trabalho, "Add Insult to Injury". Depois da estreia, há mais de dois anos, com "On the Wires of Our Nerves", e de "Avant Hard" (1999), já pela Mute, os add n to (x) continuam a sua cruzada em prol da pop electrónica praticada em exclusivo sobre instrumentos da era analógica, encontrados em sucatas e antiquários. "Add Insult to Injury" é mais uma inteligente e divertida descarga de energia sonora, algures entre a pop esquizofrénica dos Devo, o terrorismo sonoro dos Suicide e o heavy metal electrónico dos Trans Am, embrulhado pelo visual sado-ciber-pornográfico, que esteve aliás na base da escolha do sítio para a realização das entrevistas com a imprensa portuguesa: uma... sex shop. Foi aí que a Musicnet teve uma desinibida conversa com Ann Shenton, a dominatrix do grupo.

Alguma vez foi entrevistada numa sex shop?
Nunca. Esta é a minha primeira entrevista numa sex shop [N.R.: ainda que isso pouco interesse, também era a primeira vez do entrevistador. Primeira vez que fazia uma entrevista numa sex shop, entenda-se].
Qual é o seu item favorito aqui?
As cabines. Assim que cheguei percebi logo que tinha que ir ver alguns shows. Vi o das duas pessoas a fazerem sexo, o "double", vi a Nicki e - fui lá três vezes (risos) - vi a Doris.
É uma fã do porno?
O meu filme porno favorito é com uma dinamarquesa chamada Bodil, a "horse woman". Talvez não seja na verdade o meu filme favorito mas eu fui levada pelo seu estilo de vida. Ela adorava animais (risos) e na aldeia em que ela vivia, com um realizador dinamarquês de porno famoso (não me recordo do nome dele), toda a gente lhe chamava nomes, tendo ela acabado por se matar na companhia do seu cavalo. Ela tinha umas botas lindíssimas, enquanto era comida por um cavalo...
Se tivesse que escolher, "Deep Throat" ou "Behind the Green Door"?
Não conheço o "Behind the Green Door"... O meu namorado tinha um vídeo com vários "clips". Um numa quinta com uma mulher a fazer sexo com um cão e coisas assim que um amigo dele havia feito há montes de tempo. Esse era o melhor vídeo que eu alguma vez tinha visto. Mas a sua mãe, que era muito religiosa, encontrou-o. Quando ele chegou a casa não o encontrou na sua colecção de vídeos no seu quarto. Desceu e viu-o na sala de estar. A mãe dele havia gravado por cima um programa religioso qualquer...
Quem desenhou a "add n to (x) fucking machine" [visível no videoclip de "You Plug Me In", por exemplo]?
Foi feita por um tipo que trabalhou no filme "Alien". Agora tenho-a no meu apartamento em Londres Ocidental e as minhas companheiras de casa odeiam-no.
Já alguma vez brincou com ela?
Aquilo trabalha e tudo, mas o "dildo" é muito frouxo. É mais uma coisa visual e acho que não servirá para muito mais que isso. Eu fiz demonstrações na sala de estar e era aqui que ele estava, mesmo no meio da carpete, mas as raparigas de lá de casa chatearam-me para eu o tirar e agora está na cozinha, debaixo da mesa e com uma toalha por cima. Elas têm medo. Algumas pessoas acham-lhe graça, outras assustam-se.
Qual foi o pior comentário feito aos vídeos de "You Plug Me In" ou "Metal Fingers in my Body"? [N.R.: videoclips que geraram alguma polémica, devido aos seus conteúdos menos católicos.]
Não houve nada de particularmente mau. Até foi engraçado e simpático. Foi estranho [o vídeo de "Metal Fingers in my Body"] não ter sido autorizado para passar no Japão, porque o desenho da mulher tinha pelos púbicos e no Japão os pelos púbicos não são permitidos. Foi uma coisa que me deixou magoada. No Japão, os desenhos manga são tão violentos mas tudo bem, não têm pelos púbicos. O nosso vídeo foi censurado no Japão porque um desenho tinha pelos púbicos. Achei isso insultante e estúpido.
Qual é a sua ideia de sexo virtual? [N.R.: atenção, a entrevista foi feita ao vivo e nada se passou depois da mesma.]
Aqui há alguns anos, havia uma rapariga conhecida minha que estava a fazer pesquisa nessa área e estava à procura de voluntários para testar os aparelhos. Eu ia mesmo fazê-lo, mas depois não aconteceu. Queria mesmo tê-lo feito e ainda o quero.
É boa a matemática?
De maneira nenhuma.
Se Leon Theremin [N.R.: Lev Sergeivitch Termen, russo que inventou o theremin, o primeiro instrumento musical a ser tocado sem o contacto físico do intérprete] fosse vivo, o que lhe diria?
Diria-lhe: "pode-me construir um daqueles [theremins] grandes de madeira, como o do Jon Spencer?". Eu perguntei ao Jon se ele queria trocar o dele e ele mandou-me dar uma volta. Quero um dos grandes, dos originais. Eu tenho um bom, um etherwave assinado pelo Bob Moog, mas adoraria ter um dos originais.
E ao Bob Moog [N.R.: inventor do MOOG, outro dos instrumentos analógicos - um sintetizador, neste caso - mais utilizado pelos add n to (x)] , o que diria se o encontrasse?
Já tivemos - eu, o Barry e o Steve - esta conversa antes. Não achamos que o Bob Moog iria gostar de nós. Ele fez o MOOG para sintetizar outros instrumentos e nós usamo-lo como o raio de uma máquina com uma sonoridade louca.
Qual é a sua boysband favorita?
Iggy Pop and The Stooges.
David Holmes ou John Holmes?
Nenhum deles.
Aphex Twin ou Cocteau Twins?
Cocteau Twins. Creio que Liz Fraser é uma das mais incríveis mulheres assustadoras e estranhas. Liz Fraser, Marianne Faithful, Janis Joplin, Nico, ... eu sempre gostei destas mulheres. Estranhas, pouco comuns, ... Adoraria poder sair com Janis Joplin. Gostaria de ter uma noite de raparigas com a Mariane Faithful, a Liz Fraser, a Janis Joplin e a Anita Pallenberg.
E se fosse uma noite com rapazes?
Tom Verlaine, Iggy Pop e os Black Sabbath (todos eles). Isso seria uma óptima noite. Uma vez estive no Idaho, no centro da América, e saí com uns motoqueiros - os Irmãos Velocidade - e eles eram óptimos tipos para com quem se sair. Se o Iggy Pop lá estivesse teria sido ainda melhor.
Suicide ou Devo?
Eu adoro ambos. Eu vi os Suicide tocarem três noites seguidas no Garage, em Londres, e foi tão, tão barulhento que fiquei surda no fim... Nunca vi os Devo ao vivo, pelo que acho que devo escolher Devo, até porque me sinto mais intrigada por eles. Já conheci o Martin Rev e o Alan Vega e já os vi tocar uma série de vezes, mas nunca conheci ninguém dos Devo, nem nunca os vi a tocar ao vivo. E também porque eu pareço, toda a gente o diz, uma mongolóide, quando acordo de manhã (risos), e isso é uma das grandes canções deles [N.R.: "Mongoloid", do álbum de estreia "Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!"].
Brian Eno ou Brian Ferry?
Eu conheci o Brian Ferry num restaurante e consegui o seu autógrafo. Penso que deve ser um dos homens velhos mais atraentes na Terra, mas eu adoro o cabelo do Brian Eno e ele tem um óptimo equipamento analógico, também.
Qual é o significado de "Peanuts for Eno", título de uma das faixas do novo álbum?
(Risos) Nós temos estas frases entre nós... Não é necessariamente um insulto. Temos outra em que, em vez de dizermos Enio Morricone, dizemos Uncle Morricone. Apenas mudamos palavras fazendo nonsense a partir delas, a partir dos nomes das pessoas. Quando estamos aborrecidos em estúdio começamos a fazer palavras estúpidas.
Spice Girls ou Chicks on Speed?
Chiiiiiicks on Speeeeed!!!!!
Walter ou Wendy Carlos?
(Risos) Wendy? Vá lá, a Wendy tem que ser mais feliz que o Walter, ou então o Walter não se tinha tornado na Wendy, vá lá... E eu poderia sempre lhe pedir emprestado o seu bâton ou poderíamos fazer o penteado uma à outra. Adorava sair com a Wendy.
O que acha da Goldfrapp? [N.R.: Allison Goldfrapp participou no anterior "Avant Hard" e é colega de editora, isto é, na Mute]
Fui ver a Allison tocar num clube londrino na passada semana. Acho que ela consegue mesmo agarrar uma assistência. Ela tinha todos estes tipos estranhos a olhar para ela. Nós também temos tipos estranhos nos nossos concertos, e eu gosto de tipos estranhos, mas ela atrai homens que estão apaixonaaaaaaaados por ela e nós atraímos pessoal que está mais interessado no material analógico. Eu trabalhei durante algum tempo numa instituição psiquiátrica e consigo lidar com malucos, talvez a Allison não consiga. Posso lhe dar algumas lições.
Costumam acontecer coisas menos comuns na primeira fila dos vossos concertos?
Sim, e isso é óptimo. É esta coisa catártica, louca e sexual. Se alguém se quer despir, despe-se. Se alguém se quer masturbar, masturba-se. Já vi um pouco de tudo em concertos.
Quem é o "Regent" que aparece em todos os vossos discos?
Morreu, graças a Deus. É uma trilogia que chega ao fim. Tínhamos o "Black Regent", depois o "Revenge of the Black Regent" e agora está morto, cometeu suicídio (N.R.: "Add Insult to Injury" termina com a faixa "The Regent is Dead"]. Era uma coisa das trevas que nos assombrava, um terrível e estranho conde vestindo roupas negras que andava sempre com um olho nos add n to (x) e agora matámo-lo. E não vai ser como o Bobby Ewing. Ele não vai voltar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

A propósito de Jarboe

A propósito da vinda da ex-Swans Jarboe a Portugal, importa esclarecer que afinal não se vai realizar o concerto na Caixa Económica Operária. As duas datas confirmadas são:

1 Novembro @ Teatro Miguel Franco - Leiria
Bilhetes: 12,50 euros (pré-reserva / venda antecipada) / 15 euros (próprio dia)
Lotação limitada a 220 pessoas
Informações e Reservas: alquimiazone@mail.pt / 96 231 25 47 / 244 836 688

2 Novembro @ Casa das Artes - V.N. Famalicão
Lotação - 500 pessoas
Informações e reservas: casadasartes@cm-vnfamalicao.pt

terça-feira, 27 de setembro de 2005

Desejos blitzianos

Não era bom que:

...fosse criada uma caderneta com os Cromos do Rock do Esgar Acelerado, com carteirinhas e tudo? Já vai no cromo 187...

...todos os textos publicados na rubrica "Estas Cidades", da autoria do Manuel Fernandes Vicente, fossem compilados em formato livro, no final?

Confirma-se o cacilheiro

Em resposta a uma questão surgida num comentário mais abaixo, confirma-se a presença dos Animal Collective para um concerto num cacilheiro (os navios de passageiros que habitualmente fazem a ligação Lisboa-Cacilhas ou Lisboa-Trafaria). E vai haver primeira parte.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Vamos a ver se a algibeira aguenta

Hoje, Smog. Na quinta, a Ana da Silva. No domingo, a Fanfare Ciocarlia. Para a outra semana, o Barreiro Rocks. Depois, os Animal Collective, o Kimmo Pohjonen, a Jarboe, os Young Gods, e... na altura pensar-se-á no que ainda está para vir.

Fico contente...

Image hosted by Photobucket.com...por saber que a Josephine Foster pode cumprir o seu desejo de voltar a Portugal em Setembro (bom, não vai ser exactamente em Setembro, mas no primeiro dia de Outubro). Vai ser no Festival para Gente Sentada, em Santa Maria da Feira, e o cartaz já está completo, como se pode ver pela imagem ao lado.

domingo, 25 de setembro de 2005

Exploratory music from Portugal 05

Mais um ano e mais uma edição da compilação "Exploratory Music from Portugal". O Miguel Santos continua empenhado no seu trabalho de divulgação da música portuguesa em terras britânicas. A compilação -- que mais uma vez será distribuída com a revista The Wire (próxima edição) e junto de todos os profissionais da feira Womex -- vai incluir faixas de Joana Amendoeira, Hélder Moutinho, Dead Combo, The Legendary Tiger Man, WrayGunn, Fat Freddy, Ana da Silva, The Gift, 1-Uik Project, Blasted Mechanism, Luís Tinoco, Carlos Bechegas, Américo Rodrigues, Adriana Sá, Ernesto Rodrigues c/Guilherme Rodrigues, Sei Miguel (quinteto com César Burago, Fala Mariam, Manuel Mota e Rafael Toral), Manuel Mota, Margarida Garcia e Rafael Toral.

sábado, 24 de setembro de 2005

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Soulseeking

O Cláudio chamou em boa altura a atenção para este texto do Nick Southall, da Stylus Magazine:

Part of me has been wondering, for a while now, whether I simply don't care anymore.
I should contextualise that. In autumn 2003 I got broadband. I also separated from my girlfriend (we're very happily back together now, just so you know). Alone and lonely too, I started an accidental crusade (because I had nothing better to do, probably) to hear everything I possibly could. So I downloaded. I searched. I queued. I browsed the files of strangers. I looked for and tried to listen to everything any other writer at Stylus recommended. I hung around I Love Music far more than is healthy, making mental checks of every name, past and present, that seemed to have any degree of significance or interest attached to it. I was a music journalist, of a sort, and I needed to have an opinion, and that opinion needed to cover anything and everything, because otherwise... I tried to crowbar my mind as wide open as it would go, and then some, and cram everything in there. And I mean everything. Wire, grime, Cabaret Voltaire, Colleen, the Warp catalogue, Britney Spears, Timbaland, those old Can albums I hadn't bought and couldn't be bothered to pay for until they were remastered, Ludacris, Dave Douglas, Bubba Sparxxx ('no, I need to download the American version because it's more postmodern when he segues into "Cry Me A River", don't you understand?'), old dance tunes I remember from being a kid at the disco, rare stuff by groups like Orbital where I own every album and most of the singles anyway but needed that never-released remix of the Equinox theme, Disco Inferno's EPs (just try finding them on eBay), The Zombies, 13th Floor Elevators, Mountain Goats, The Zephyrs, Jay-Z, Cannibal Ox, Madlib, Sugababes, Guns N Roses, Basement Jaxx, dozens and hundreds of others that I forget... (I even thought about downloading some Metallica, just to piss Lars off, but didn't.)


O texto continua, como é óbvio. E é precisamente nessa continuação -- vale a pena perder alguns minutos a ler até ao fim -- que são levantadas algumas questões curiosas, com as quais muitos de nós já nos defrontámos. Leiam também os comentários ao próprio artigo ou a discussão no Forum Sons.

E mais um amigo que surge nas vizinhanças

Já abriu portas o tasco do Bruno Barros, comparsa no Bailarico Sofisticado e noutras aventuras: takemybeat.blogspot.com.
Reggae, ska, dancehall, ragga e tudo mais marcam presença num blogue cheio de informação e, muito importante, som: não faltam podcasts e formas de ouvir temas soltos relacionados com as pistas deixadas escritas pelo Bruno. Quem não o acompanhar com regularidade é um rude boy sem qualquer ritmo!

Esqueçam...

Não façam caso da posta de há dois dias relativamente aos La Pulquería!. Já é tanto o azeite que me escorre pelos ouvidos que há que o admitir: esqueçam os La Pulquería!

terça-feira, 20 de setembro de 2005

...e o Kimmo Pohjonen também

Mas há mais regressos. Kimmo Pohjonen, por exemplo, volta em Outubro, agora com o projecto multimédia Animator, no qual se junta à realizadora Marita Liulia para um espectáculo de música e imagem fora do comum. Datas? Dia 21, na Casa da Música do Porto. Dia 22, no novíssimo Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Dia 25, no Teatro Aveirense. Dia 27, no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, e, finalmente, dia 29, no Teatro Municipal da Guarda. Lisboa deverá ficar afastada desta mini-digressão do acordeonista finlandês. A não ser que haja boas notícias entretanto.

Meira Asher de volta


Depois de ter passado por Portugal em ocasiões diferentes como aquelas que foram o festival "Ó da Guarda!", na capital beirã, e o festival "Tom de Festa", em Tondela, a israelita Meira Asher volta na companhia de Guy Harries para mais concertos. A Guarda volta a recebê-la no seu novo Teatro Municipal, dia 11 de Novembro, e, no dia seguinte, é a vez da Casa das Artes de Famalicão servir de palco ao duo. Aguarda-se mais informações relativamente a outras eventuais datas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

World's End Girlfriend

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WORLD'S END GIRLFRIEND "The Lie Lay Land" (Noble, 2005)

Ele não deve gostar muito de aparecer. Faz tudo para permanecer incógnito, inclusive pedir à editora para suprimir a sua "bio" do site daquela. Sabe-se, porém, que vem do Japão e que começou a compôr desde os 12 anos, com uma guitarra, um piano, vários gravadores de cassette e uma vasta colecção de discos do pai. Diz-se que desde então criou cerca de 600 canções.
Esta é a história de um bedroom musician (como se chamava nos anos 90 aos putos que começavam a despontar na electrónica home-made, como Aphex Twin ou Squarepusher) que quer ser, sozinho, uma banda rock. "The Lie Lay Land" é já o terceiro álbum de World's End Girlfriend, depois dos excelentes "Farewell Kingdom" (Noble, 2001) e Dream's End Come True (Noble, 2002). Da discografia constam ainda vários EPs, participações em compilações diversas e um álbum gravado sob outra designação, Wonderland Falling Yesterday. O que se pode escutar em "The Lie Lay Land" não se afasta muito do que já se ouvia naqueles discos anteriores: um microscópico trabalho de corte e costura que envolve orquestrações e cadências roqueiras muito próximas de grupos como os godspeed you! black emperor ou os Rachel's, cosidas com a mais fina linha que costureiros de elite como DJ Shadow, Amon Tobin ou o português Kubik utilizam nas suas obras. Escutam-se muitos violinos e violoncelos, muitas guitarras eléctricas, conjuntos completos de bateria e percussão, saxofones, bandolins, realejos, blips, clicks e outros ornatos electrónicos, pássaros e passarinhos, estranhas vozes e estranhos sussurros, ruídos dispersos e um conjunto aparentemente inesgotável de outras fontes sonoras. Perpassa por todo o disco uma velha ideia de cinematografia que lhe confere um charme romântico que nos habituámos a conhecer em certas cenas indie europeias, como a da Islândia dos Sigur Rós, Múm e Apparat Organ Quartet. Mas agora é (ou parece ser) a vez do Japão dar cartas. O resto do catálogo da Noble, selo que começou precisamente com World's End Girlfriend, parece estar ali a dizer que é coisa para não ficar por aqui...
(8/10)
Ouçam We Are the Massacre e vejam também o videoclip.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Avalancha de concertos

Não param de chegar notícias de concertos para um Outono que começa a ficar mais carregado que um cacho de uvas nas vésperas da vindima:

30 de Setembro - Woven Hand @ Festival Para Gente Sentada
1 de Novembro - Jarboe @ Caixa Económica Operária
12 de Novembro - Hairy Fairy (Devendra Banhart) @ Aula Magna
22 de Novembro - Mercury Rev @ CCB

É uma frase batida, mas não há bolsa que aguente isto!

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Gitano. Hoy me siento gitano.



LA PULQUERÍA "Corridos de Amor" (Sony BMG, 2004)

Tenho que agradecer ao Cláudio (e o blogue? não actualizas?) por ter-me "passado" este disco. São espanhóis, de Valencia, um tanto ou quanto azeiteiros, é certo, mas com uma pedalada que oscila entre o ska, o punk, o el son e o metal... Festarola, à atenção dos promotores de eventos de músicas do mundo e não só...
Fica aqui um cheirinho de um tema ska: Gitano

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Concertos & tampões

O Nuno Barros perguntava-me, num comentário à posta anterior, se usava alguma protecção para os ouvidos. Não, esta resposta não vai ser ao estilo do Diário de Maria ou de um qualquer Consultório do Especialista que habitualmente vemos nas revistas, até porque não há aqui especialistas e, talvez pior ainda, nunca houve desta parte grandes preocupações com o assunto em causa...
Houve uma altura, há uns quinze anos ou mais, em que, por causa dos ensaios em que participava ou a que assistia, bem como por causa dos concertos, que não eram tantos como hoje, tive essa preocupação. Primeiro com aqueles tampões de espuma amarela, que abafavam tudo, depois com outro tipo, fabricado em borracha (?), com umas formas côncavas sobrepostas. Duraram pouco tempo. Lembro-me perfeitamente de estar a assistir a um concerto de Bizarra Locomotiva no Johnny Guitar e de chegar à conclusão que os tampões alteravam drasticamente a equalização do som (só ouvia, praticamente, as frequências mais graves). Assim que tirei os tampões, "entrei" a sério no concerto. E desde então nunca mais usei nada.
A história não tem grande piada e os meus ouvidos já tiveram melhores dias, certamente. Aqui e ali ouço histórias de gente do meio -- jornalistas, músicos, técnicos, etc. -- que passaram maus momentos, que se viram obrigados a fazer intervenções cirúrgicas ou que, pura e simplesmente, estão surdos que nem uma porta. É assustador quando pensamos muito nisto. E quando me lembro de concertos como os de Soulfly no Coliseu dos Recreios ou o de Frank Black na Aula Magna, vem-me sempre à memória a história dos tampões.
Posto isto, acabo com uma interrogação semelhante à do Nuno Barros. Alguém aconselha uma protecção eficiente?

Corolário

Hora de almoço. O écran da estação de metro (a propósito, quando é que se reune um colectivo a sério para vandalizar continuadamente estes novos "media"?) emitia uma notícia que dava conta de um qualquer estudo sobre a deterioração das capacidades auditivas dos jovens, por causa dos walkmen, leitores de mp3, etc. Duas estações depois, entrei numa grande superfície para a compra de algo que afinal não havia. Porém, encontrei um leitor de mp3 que já andava a namorar há algum tempo. Comprei. Os headphones vão voltar a dar cabo de mim.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Mais amigos na vizinhança

Numa altura em que se pensava que esta coisa dos blogues já era chão que tivesse dado uva, eis que dois novos tascos catitas e bem arejados abrem ali do outro lado da rua:

Sound + Vision, do Nuno Galopim e do João Lopes, jornalistas do Diário de Notícias.

1 pouco mouco, do Pedro Gonçalves, ex-director do Blitz, actual responsável pela programação cultural das lojas F***.

(Curiosamente, houve três dias de diferença entre o início de ambos os blogues, mas tanto o sound + vision como o 1 pouco mouco usam o mesmo template e as mesmas cores...)

Regresso ao cacilheiro

Depois do mítico concerto de Felix Kubin a bordo de um cacilheiro, em 1999, por alturas de um já saudoso Festival Atlântico, chega a notícia, via Blitz, de que os Animal Collective vão agora usar o mesmo palco sobre o Tejo para um dos três concertos que darão em Portugal no mês de Outubro. Desta forma, o grupo, que se prepara para editar o fabuloso "Feels", vai estar no Teatro Académico Gil Vicente, de Coimbra, a 18 de Outubro, passando no dia seguinte pela Casa da Música do Porto, subindo depois a bordo de um cacilheiro, a dia 20.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

O novo antro do Bairro

O bar Mercado fez bem em mudar-se das Janelas Verdes, em Santos, para as Taipas, junto ao Bairro Alto. Pelo menos, numa certa perspectiva (a minha). A ampla cave do antigo restaurante da rua das Taipas, a poucos metros da esquadra de polícia, parece oferecer as condições necessárias para que o Mercado se estabeleça como um clube obrigatório de copos & funk, copos & hip hop, copos & rock (grande concerto o dos Vicious Five no passado sábado), copos & etc. Espera-se, no entanto, que as temperaturas abafadas deixem de ser um incoveniente. Espera-se ainda que a proximidade à esquadra não se torne noutro problema.
Próximos eventos do Mercado:
13 - Bootleg Nights (Ricardo Manaia + J:K)
14 - Sagas apresenta "Rostu Limpu" (ao vivo - 22h), com Fuse, D-Mars, Sam the Kid, Milton e Nel'Assassin
15 - Mr. Lizzard (ao vivo - 22h) + Johnny
16 - Ricardo Manaia / Tó-Zé Diogo (Via Latina)
17 - Ka§par feat. vocals by Melo D + J:K
20 - Bootleg Nights (Ricardo Manaia + Lil'John)
21 - Encruzilhada Showcase (Tekilla, Regula, Beto - ao vivo - 22h)
22 - Sessão bateria & baixo #1: Mee_K / Undercode
23 - Philarmonic Weed (ao vivo - 22h)
24 - Antony Millard / Rui Trintaeum
27 - Bootleg Nights (J:K / Mars One)
28 - Prince Wadada (ao vivo - 22h)
29 - Johnny
30 - Ka§par / Gonçalo Siopa

ZDB, Lisboa Bar, Mercado, Clube Lua, e todos os demais espaços... Lisboa está a ficar cada vez mais interessante.