quarta-feira, 30 de junho de 2004

Ficou branco!

O blogue ficou branco!! Faço refresh, refresh e mais refresh e nada. Branco como a cal!
Eu sabia que não devia ter andado por um site do Benfica à procura de imagem para as charadas... BAH! Corrompeu o blogue todo!
Porém, alvo mas não santo!

David Bowie já não vem ao Dragão

David Bowie cancelou os seus concertos de Julho na Europa. Segundo o Cotonete, que cita o site oficial do músico inglês, tal deve-se a uma lesão sofrida num ombro, durante um concerto em Praga, no passado dia 23.
Aguardemos pela reacção da produtora do festival, a Tournée.

Ó da Guarda! 2004

Na sua 8ª edição, o festival de música improvisada e experimental Ó da Guarda vai apresentar na capital da Beira Alta, entre 12 e 18 de Julho próximos, mais um programa interessante.

Concertos:
Dia 16 - Wadada Leo Smith e Ikue Mori
Dia 17 - Rafael Toral
Dia 18 - Z'EV

Workshop:
Dia 17 - Workshop de Música Experimental, por Albrecht Loops

Projecções na mediateca:
Dia 12 - The Work of Director Chris Cunningham
Dia 13 - Twelve Stories About John Zorn
Dia 15 - Mostra da Semana Internacional de Música Experimental de Barcelona ? Metrònom

(para mais informações, contactem cultura@mun-guarda.pt.)

Charadas #19

terça-feira, 29 de junho de 2004

Cantemos, pois!

As crónicas do Miguel Esteves Cardoso, de ontem e de hoje, são na maioria das vezes de dois tipos: óptimas e excelentes. Mas se umas vezes valem apenas pelo traço cativante que o monárquico imprime à sua escrita, isto é, em situações em que não concordamos com a tese em causa ou em que ela nos é, no mínimo, indiferente, há outras vezes, porém, em que tanto o tema como a abordagem se aliam de uma forma absolutamente apaixonante. E a crónica de hoje no Blitz é para mim um deste último tipo de casos. O Miguel foi buscar um tema que porventura mais ninguém se lembraria e que, bem vistas as coisas, aparece fundamentado de forma inapelável. Apesar de vinte anos mais novo, também me recordo de ouvir o povo a cantar na minha meninice e adolescência. A peixeira que andava pelo bairro das colónias a cantar o peixe que tinha para vender. A vizinha do pátio do prédio ao lado, que tinha sempre uma modinha para cantar enquanto pendurava a roupa. As ladaínhas e lenga-lengas que as velhas sentadas à soleira da porta de casa cantavam aos miúdos que brincavam na rua. O amolador que enchia a rua de melodia com a sua flauta de pan. As palavras de ordem que o povo cantava (e não disparava apenas) nas manifestações (bom, isto ao menos está a regressar). Onde pára isso hoje? Nos toques de telemóvel?

Ó Mourinha...

Ainda lhes dás troco?

Fohr-sar!

Em vésperas de dia importante, o Juramento Sem Bandeira propõe -- à semelhança aliás do que já fez mais de meio blogosfera nacional -- que todos cantemos o hino do Euro, originalmente interpretado pela nossa querida Nelinha que tantas alegrias nos dá lá fora. O Juramento Sem Bandeira andou a fazer (*) uma pesquisa pela letra e encontrou amiudemente coisas engraçadas como "Como uma forca" ou "Fora! Fora!", mas aquela que se segue é que é a verdadeira letra da cantiga, pois só ela permite perceber o que ali se ouve.

(*) é giro falar na terceira pessoa do singular, como o Jardel ou como a Ampola :>

Fohr-sar

It is the passion flowing right on through your veins
And it's the feeling that you're oh so glad you came
It is the moment you remember you're alive
It is the air you breathe, the element of fire
It is that flower that you took the time to smell
It is the power that you know you got as well
It is the fear inside that you can overcome
This is the orchestra, the rhythm and the drum

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

It is the soundtrack of your ever-flowing life
It is the wind beneath your feet that makes you fly
It is the beautiful game that you choose to play
When you step out into the world to start your day
You show your face and take it in and scream and pray
You're gonna win it for yourself and us today
It is the gold, the green, the yellow and the grey
The red and sweat and tears, the love you go. Hey!

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Como uma fome kei nehn-guim paude matá
Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar!
Fohr-sar!

Closer to the sky, closer way up high,
mais perto do céu, mais perto do céu!

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça kei nehn-guim paude pahrá
Fohr-sar! Fohr-sar!
Cómumaf órça, Cómumaf órça
Fohr-sar! Fohr-sar!
Como uma fome kei nehn-guim paude matá

Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar! Fohr-sar!
Fohr-sar! Fohr-sar!

Tau grandy, Tau forty,
come on!


(Nem mais! Tau grandy, tau forty, come on!)
(Já agora, se o autor original da letra andar por aí ou alguém o conhecer, que diga, que eu gostava de lhe mandar um abraço e, quem sabe, um rabo de bacalhau.)

Charadas #18

Devendra Banhart confirmado em Portugal

O venezuelano Devendra Banhart, nova coqueluche da "cantautoria", vai estar em Portugal ao vivo. Uma das datas confirmadas, segundo o Blitz de hoje, é a de 2 de Outubro, num festival especialmente dedicado a este género de abordagem musical, o Festival para Gente Sentada (belo nome!), que decorrerá no Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, neste dia e na véspera. Outra(s) data(s) de Devendra Banhart em Portugal, para este ano, poderão ser ainda confirmadas a seu tempo.

segunda-feira, 28 de junho de 2004

À Sombra de Deus: o volume 3

Vai ser apresentado, no próximo dia 9 de Julho, no Insólito, em Braga, a colectânea "À Sombra de Deus - Vol. 3". O evento está inserido no aniversário da Rádio Universitária do Minho e terá direito a transmissão em directo. "À Sombra de Deus - Vol. 3# é editado pela Câmara Municipal de Braga tem como objectivo a divulgação e promoção de bandas e artistas do concelho de Braga, à semelhança dos dois volumes anteriores, e pretende ser um retrato da música que se faz em Braga (excepto o jazz e a música clássica/contemporânea). Tem o seguinte alinhamento e a seguinte ficha técnica:

1. André Leite - Queen of Fools
2. Big Fat Mamma - Alcoholic Blues
3. Demon Dagger - Away
4. Freequency - Stone
5. Jack in the Box - Empty, Alone, Barren
6. Mão Morta - Sobe, Querida, Desce (comentário pessoal: é um tema que poderá surpreender algumas pessoas... e é muito bom!)
7. Mécanosphère - O Cavalo Branco
8. Os Seis Graus de Separação - Não Lugar Sem Sombra
9. Phi - Electrified
10. Spank The Monkey - Half a Man
11. The Neon Road - The Junkie Park
12. VortexSoundTech - Distances
13. Wave Simulator- Adeus Mutante
14. Zero - Quantas Vezes

Produzido por Miguel Pedro
Co-produzido por Nelson Carvalho
Gravado por Nelson Carvalho, Nuno Couto e Miguel Pedro, na Casa do Rolão
Misturado e masterizado por Nelson Carvalho nos MB Estúdios
Capa de Andreia Alves Mendes (Visual D)
Fotografias do Arquivo Fotografia Aliança/ Museu de Imagem
Editado pela Câmara Municipal de Braga

O CD poderá ser adquirido, numa primeira fase, nos concertos e actuações das bandas
participantes e só posteriormente é que deverá ter distribuição comercial.

Angariação de apoio


Lili Caneças a Ministra da Cultura, já!

Charadas #17

domingo, 27 de junho de 2004

sexta-feira, 25 de junho de 2004

Um exercício em redor das listas pitchforkianas

Percorrendo as listas das décadas de 70, 80 e 90 do pitchforkmedia.com, é possível conceber um novo rol de discos, agora com os trabalhos mais importantes, segundo o site, para cada ano, de 70 a 99 (qualquer dia -- haja tempo para tal -- faço a minha):

1970: The Stooges "Funhouse"
1971: Sly & The Family Stone "There's a Riot Goin' On"
1972: Rolling Stones "Exile on Main Street"
1973: Stevie Wonder "Innervisions"
1974: Brian Eno "Here Come the Warm Jets"
1975: Bob Dylan "Blood on the Tracks"
1976: Ramones "Ramones"
1977: David Bowie "Low"
1978: Wire "Chairs Missing"
1979: The Clash "London Calling"
1980: Talking Heads "Remain in Light"
1981: This Heat "Deceit"
1982: Michael Jackson "Thriller"
1983: R.E.M. "Murmur"
1984: Prince and the Revolution "Purple Rain"
1985: Tom Waits "Rain Dogs"
1986: The Smiths "The Queen is Dead"
1987: Sonic Youth "Daydream Nation"
1988: Pixies "Surfer Rosa"
1989: Beastie Boys "Paul's Boutique"
1990: Public Enemy "Fear of a Black Planet"
1991: My Bloody Valentine "Loveless"
1992: Pavement "Slanted & Enchanted"
1993: Nirvana "In Utero"
1994: Pavement "Crooked Rain, Crooked Rain"
1995: Radiohead "The Bends"
1996: DJ Shadow "...Endtroducing"
1997: Radiohead "OK Computer"
1998: Neutral Milk Hotel "In the Aeroplane Over the Sea"
1999: The Flaming Lips "Soft Bulletin"

(A metodologia empregue -- percorrer a lista a partir do 1º lugar em busca do disco melhor classificado para cada um dos anos -- pode não ser a mais católica, mas os resultados são interessantes...)

Bola em Glastonbury, ontem

(in http://www.nme.com/festivals/news_story.htm?ID=108933)
FOOTBALL MANIA AT GLASTO!
This year's GLASTONBURY FESTIVAL has started off with a bang with tens of thousands of music fans cheering on ENGLAND's football team in EURO 2004.
Because of England's success in the tournament, the group were drawn against hosts Portugal in the quarter final, which kicked off this evening at 7.45pm (June 24).
Festival organisers played the game on video screens at the side of the Pyramid Stage, and tens of thousands of fans turned up to watch the match - a crowd comparable to most headline acts who have appeared at Glastonbury over the years.
One fan at the festival told NME.COM: "The atmosphere was amazing in front of the stage, I think there's probably more people here than an at the actual game in Lisbon. My guess is 60,000 people, it was like having another headliner at the festival this year, just brilliant."
Within the first five minutes Glastonbury-goers were given a boost, when Michael Owen scored and put England in front.
However, the mood was dampened when Portugal equalised, forcing the game into extra time. The game eventually finished 2-2 in normal time, with Portugal winning the game after a penalty shoot-out.
A fan told NME.COM: "If I was anywhere else but Glastonbury I'd be too annoyed for words. As it is, I'm going to have a wander around the site and try to find some hippies to feel my pain!"
(...)

A lista do pitchforkmedia.com: os 20 primeiros

E chega ao fim a publicação da lista dos melhores discos da década de 70 para o pitchforkmedia.com. "Low", de David Bowie, é o álbum que encabeça as escolhas, assumindo portanto a posição de "melhor disco dos anos 70". Entende-se.
Já agora, a respeito das apostas de ontem e dos cerca de dez discos que sugeri, há que acabaram mesmo por estar nestes vinte mais: "Electric Warrior" (20º), dos T-Rex, "Unknown Pleasures" (9º), da Joy Division, "IV" (7º), dos Led Zeppelin, e o já referido "Low" (1º). Esqueci-me ingloriosamente do "Funhouse", dos Stooges, do "Another Green World", do Brian Eno, do "Trans-Europe Express", dos Kraftwerk, do "Marquee Moon", dos Television, e, finalmente, do "London Calling", dos Clash. Por outro lado, é inteiramente descabido que o pitchforkmedia.com não considere o "Horses", da Patti Smith, nos cem melhores discos dos anos 70...

020: T.Rex: Electric Warrior [Reprise; 1971]
019: Can: Ege Bamyasi [United Artists; 1972]
018: Miles Davis: Bitches' Brew [Columbia; 1970]
017: Funkadelic: Maggot Brain [Westbound; 1971]
016: Buzzcocks: Singles Going Steady [IRS; 1979]
015: The Who: Who's Next [Decca; 1971]
014: The Velvet Underground: Loaded [Cotillion/Atlantic; 1971]
013: Nick Drake: Pink Moon [Island; 1972]
012: The Stooges: Funhouse [Elektra; 1970]
011: Rolling Stones: Exile on Main Street [Rolling Stones; 1972]
010: Brian Eno: Another Green World [Island; 1975]
009: Joy Division: Unknown Pleasures [Factory; 1979]
008: Gang of Four: Entertainment! [Warner Bros; 1979]
007: Led Zeppelin: IV [Atlantic; 1971]
006: Kraftwerk: Trans-Europe Express [Capitol; 1977]
005: Bob Dylan: Blood on the Tracks [Columbia; 1975]
004: Sly & The Family Stone: There's a Riot Goin' On [Epic; 1971]
003: Television: Marquee Moon [Elektra; 1977]
002: The Clash: London Calling [CBS; 1979]
001: David Bowie: Low [RCA; 1977]

Charadas #16

quinta-feira, 24 de junho de 2004

De onde raio é que vem o nome? #15: Laibach

Laibach foi o nome que os nazis deram à capital da Eslovénia, Ljubljana (ou Liubliana, se preferirem) durante os anos de ocupação da 2ª Guerra Mundial. Os Laibach sempre se manifestaram apolíticos, invocando que a utilização de simbologia nazi na sua obra apenas tinha que ver com a recolha de memórias visuais, tal como acontecia na música, com as suas reinterpretações de Opus ("Life is Life"), Queen ou Beatles. Na verdade, muitos dos artistas que trabalharam com eles nas capas dos discos eram activistas anti-nazi.
(Fica aqui a explicação para o passatempo das "Charadas" de hoje.)

Obituário & Bizarrário

Soube há pouco, através do mais recente número da Wire, das mortes de vários artistas na área da improvisada, do rock ou do jazz. O saxofonista Steve Lacy, que por várias vezes esteve em Portugal, morreu de cancro no passado dia 4. Robert Quine, guitarrista e uma das figuras fundamentais de Nova Iorque, que trabalhou com Richard Hell nos Voidoids, com Lydia Lunch, Tom Waits, Lou Reed (as suas gravações piratas de concertos dos Velvet Underground foram editadas há pouco tempo pela Universal, sob o nome de "The Quine Tapes"), entre muitos outros, suicidou-se no dia 31 do mês passado. Já não tanto novidade para mim, há também a nota da morte de Elvin Jones, baterista de Coltrane, e ainda de John Mayer.
No capítulo das bizarrias, há o regresso a um palco, neste caso ao Astoria de Londres, dos Throbbing Gristle. As fotografias de Genesis P. Orridge são no mínimo assustadoras :), mesmo sendo quem é, que sempre gostou de se enfiar dentro de roupas de mulher. Aqui há uns anos, encontrei o Genesis P. Orridge na banca de acreditações do Sonar. A dentuça de prata, aquele penteado de tigela e a garrafa de whisky na mão não assustavam ninguém, mas se o visse tal como aparece nas fotos da Wire, acho que... fugia!
Excelente parece estar a entrevista ao Damo Suzuki, também nas páginas desta edição. Não é difícil, sei por experiência própria.

Charadas #15

Vamos lá a apostas, então

Para encabeçar a lista dos 70s do pitchfork.com, eu aposto em:

"Horses", Patti Smith (podia ficar em primeiro este)
"Unknown Pleasures", Joy Division
"Low" e "Heroes", David Bowie
"Catch a Fire" ou "Burnin'", Bob Marley
"Country Life", Roxy Music
"The Basement Tapes", Bob Dylan (err... se só se contar com a edição oficial, pois acho que a bootleg é dos anos 60)
"Transformer", "Berlim", e, quem sabe, "Metal Machine Music", do Lou Reed
"IV", Led Zeppelin
"Electric Warrior", Marc Bolan

E chega. Quer dizer, há muitas mais escolhas, mas o tempo e a memória não abundam.

The top 100 albums of the 1970s: a segunda leva

Já saiu a segunda parte da lista dos melhores discos dos anos 70 para o pitchforkmedia.com, designadamente aquela que corresponde às posições 60º-21º. Bem fiz em não ter apostado fosse o que fosse relativamente aos discos que o pitchfork.com escolherá para integrar o top20. É que alguns deles ficaram já pelo caminho, nesta secção, como é o caso do "Here Comes the Warm Jets", do Brian Eno (24º), do álbum homónimo dos Ramones (23º), do homónimo dos Suicide (39º), do "Future Days" (56º) e do "Tago Mago" (29º), ambos dos Can, do "Starsailor" do Tim Buckley (50º), do álbum dos Sex Pistols (51º) ou do "Pink Flag", dos Wire (22º). É altura, portanto, de repensar a aposta.

060: John Lennon: Plastic Ono Band [Apple; 1970]
059: Ramones: Rocket to Russia [Sire; 1977]
058: Miles Davis: A Tribute to Jack Johnson [Columbia; 1971]
057: Paul Simon: Paul Simon [CBS; 1972]
056: Can: Future Days [United Artists; 1973]
055: Nick Drake: Bryter Layter [Island; 1970]
054: Creedence Clearwater Revival: Cosmo's Factory [Fantasy; 1970]
053: Steve Reich: Music for 18 Musicians [ECM; 1978]
052: Elvis Costello: This Year's Model [Columbia; 1978]
051: Sex Pistols: Never Mind the Bollocks [Warner Bros; 1977]
050: Tim Buckley: Starsailor [Warner Bros; 1970]
049: Marvin Gaye: What's Going On [Motown; 1971]
048: Miles Davis: Live-Evil [Columbia; 1972]
047: Al Green: Call Me [Hi; 1973]
046: The Congos: Heart of The Congos [Black Art; 1977]
045: Talking Heads: More Songs About Buildings and Food [Sire; 1978]
044: The Clash: The Clash [CBS; 1977]
043: Michael Jackson: Off the Wall [Epic; 1979]
042: The Specials: The Specials [2-Tone; 1979]
041: Fleetwood Mac: Rumours [Reprise; 1977]
040: The Modern Lovers: The Modern Lovers [Beserkley; 1977]
039: Suicide: Suicide [Red Star; 1977]
038: XTC: Drums and Wires [Virgin; 1979]
037: Elvis Costello: My Aim Is True [Columbia; 1977]
036: Pink Floyd: Wish You Were Here [Columbia; 1975]
035: The Pop Group: Y [Radar; 1979]
034: Various Artists: Saturday Night Fever [Polydor; 1978]
033: Wire: Chairs Missing [Harvest; 1978]
032: Pink Floyd: The Wall [Columbia; 1977]
031: Talking Heads: Fear of Music [Sire; 1979]
030: Miles Davis: On the Corner [Columbia; 1972]
029: Can: Tago Mago [United Artists; 1971]
028: The Beatles: Let It Be [Apple; 1970]
027: Led Zeppelin: III [Atlantic; 1970]
026: Stevie Wonder: Innervisions [Tamla/Motown; 1973]
025: Neu!: Neu! [Brain; 1972]
024: Brian Eno: Here Come the Warm Jets [Island; 1974]
023: Ramones: Ramones [Sire; 1976]
022: Wire: Pink Flag [Harvest; 1977]
021: Serge Gainsbourg: Histoire de Melody Nelson [Philips; 1971]

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Sons em Trânsito complicado

A edição de 2004 do "Sons Em Trânsito", festival de músicas do mundo que se realiza em Aveiro e que no ano passado contou com um cartaz de encher o olho (e o ouvido), vai realizar-se, mas sem o apoio do Instituto das Artes. Quem o afirma é a organização, que assim receia não poder cumprir com alguns dos objectivos almejados na edição de 2003, como por exemplo a ligação do evento a outras cidades além da de Aveiro. Seja como for, fica dada a garantia que o SET2004 será uma realidade.

:(

Estou neste momento a ouvir o álbum dos albicastrenses Norton, "Picture from Our Thoughts", e a pensar na notícia que recebi esta semana. Já perdi alguns amigos com a mesma idade do guitarrista e teclista da banda, Carlos Nunes, e imagino o que a família, os Norton e todos os seus amigos estarão a passar nestes momentos horríveis. Um grande abraço a todos.

BJ e os No Neck

Numa aparente estratégia de contagem de espingardas, o meu caro amigo Marmeleira aka BJ iniciou no Forum Sons uma discussão a propósito dos comentários sobre o concerto da No Neck Blues Band que esta madrugada aqui deixei (ver VJ e os No Neck - obrigado JG pela dica numa posta mais abaixo). Vou fazer como ele e responder-lhe aqui, portanto.

«1- Onde não chegam os NNCK?»
Não chegam à mais básica de entre as múltiplas essências da folk que pretenderão recrear. Não faço ideia se conheçaram ou não a folk através das gravações do Alan Lomax (e não Sam, como lhe chamei por engano), mas, ao vivo, os No Neck de ontem não foram, na minha opinião, mais que uma exibição de pedantaria. Até pode funcionar bem em gravações (e do que eu conheço, funciona), mas ao vivo soa a onanismo, soa a preguiça. Os Animal Collective, quando vieram ao Número, quase resvalaram para este mesmo beco sem saída, mas estes ao menos conseguiram pôr o cérebro, senão mesmo o corpo a dançar. Pelo contrário, tirando raros momentos que acabavam por não ter qualquer encadeamento, os No Neck não foram capazes de construir mais do que simples sequências rítmicas sempre iguais, que não motivam sequer qualquer resposta de dança por parte do corpo ou do cérebro. Neste sentido, não foram nada diferentes dos tipos da electrónica mais abstracta que tu mesmo criticavas nas primeiras edições do Número.

«2 - A que folclore te referes? À performance, aos objectos que caíam no chão. Os sons que surgiam de forma espontânea? À fluxus misturada com o rock e o improv?»
Não tinha ido tão longe nas pequenas notas que escrevi, mas concordo com o que a tua pergunta trás no bico. O folclore dos chifres de veado ou de vaca, daquele tronco falso que surgia como ícone no palco... Acho que só o Jorge Reyes consegue ser mais ridículo...

«3 - Deixa-me dizer que acho que tua leitura bastante primária....e que ela me deixa espantado ainda para mais quando vem de alguém que aprecia muito os GY!BE. Mas também é um facto que estes possuem uma fórmula. Os NNCK não»
Eu começo é a ficar farto desse argumento primário que é o de invocar os godspeed sempre que eu não gosto de determinado coisa... Parece que é a única coisa que ouço... Enfim. Não chego sequer a perceber o que queres saber/dizer com esta terceira questão. Os godspeed possuirão uma fórmula (deve ser a fórmula resolvente...) e os NNCK não. E depois? Como é que descalçamos isto? Valorizarás mais quem não tem uma fórmula, é isso?

Outras notas soltas:

- O concerto de ontem dos NNCK corresponde a um frequente paradigma das artes perfomativas (e das artes em geral):
a) Grupo x usa de abordagem radical em palco.
b) Facção y do público (posso até ser uma única pessoa) acha-os preguiçosos, indolentes, inconsequentes, punheteiros.
c) Facção z acha-os geniais, pela forma como esticam as fronteiras, pela forma como se enquadram neste ou naquele movimento artístico (que, na maior parte das vezes, é multi-disciplinar), pela negação implícita, pelo etc. Um indivíduo z quando ouve os comentários do indivíduo y, apelida-os de primários.

- Eu até gosto, do que conheço, de os ouvir nos discos...

- Não sinto que tenha mais ou menos razão nas minhas opiniões por ter mais ou menos gente do meu lado. Se gostaste, ainda bem. Tenho todo o respeito por isso. Agora não andes a contar espingardas ou acabas por parecer a malta que vai a estes concertos e que, sem estar a perceber nada do que se está a passar, vai na onda da adulação porque o amigo do lado, que ouve muita música, diz que é bom, ou porque vinha na capa da última Wire (eheh, é apenas uma provocação: eu sei que nunca seria esse o teu caso).

- Os Osso Exótico foram muito melhores que os No Neck, eheh!!

- E já perdi muito tempo a falar disto.

Charadas #14


Começa hoje a lista 70s do pitchforkmedia.com

Anunciada desde há algum tempo, começa hoje finalmente a publicação da lista dos 100 melhores discos da década de 70 para o pitchforkmedia.com. Hoje é assim divulgada a fracção 100º-61º da referida lista, enquanto que amanhã e sexta serão publicadas as restantes porções, respectivamente 60º-21º e 20º-1º.
São estes os discos classificados entre as posições 100º e 61º (o melhor mesmo, havendo tempo para tal, é consultar as páginas com os comentários a cada álbum):

100: Brian Eno: Before and After Science [Island; 1977]
099: Neil Young : After the Gold Rush [Reprise; 1970]
098: Robert Wyatt: Rock Bottom [Virgin; 1974]
097: Various Artists: The Harder They Come [Mango; 1972]
096: Iggy Pop: The Idiot [RCA; 1977]
095: Led Zeppelin: Physical Graffiti [Swan Song; 1975]
094: King Crimson: Starless and Bible Black [Atlantic; 1974]
093: Jimi Hendrix: Band of Gypsys [Capitol; 1970]
092: Kraftwerk: The Man-Machine [Capitol; 1978]
091: Throbbing Gristle: 20 Jazz Funk Greats [Industrial; 1979]
090: Fela Anikulapo Kuti & Africa '70: Zombie [Celluloid/MIL; 1977]
089: Devo: Q: Are We Not Men? A: We are Devo! [Warner Bros; 1978]
088: Giorgio Moroder: From Here to Eternity [Casablanca; 1977]
087: Roxy Music: For Your Pleasure [Warner Bros; 1973]
086: Joni Mitchell: Blue [Reprise; 1971]
085: Wire: 154 [Warner Bros; 1979]
084: Nilsson: Nilsson Schmilsson [RCA; 1971]
083: Iggy & The Stooges: Raw Power [Columbia; 1973]
082: George Harrison: All Things Must Pass [Apple; 1970]
081: David Bowie: The Rise and Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars [RCA; 1972]
080: David Bowie: Hunky Dory [RCA; 1971]
079: Randy Newman: Sail Away [Reprise; 1972]
078: Anikulapo Kuti & Africa '70: Expensive Shit [Editions Makossa; 1975]
077: David Bowie: Aladdin Sane [RCA; 1973]
076: Blondie: Parallel Lines [Chrysalis; 1978]
075: Led Zeppelin: Houses of the Holy [Atlantic; 1973]
074: Leonard Cohen: Songs of Love and Hate [Columbia; 1971]
073: Van Halen: Van Halen [Warner Bros; 1978]
072: King Crimson: Red [Atlantic; 1974]
071: James Brown: The Payback [Polydor; 1973]
070: Pink Floyd: Dark Side of the Moon [Harvest; 1973]
069: Faust: IV [Virgin; 1973]
068: Herbie Hancock: Head Hunters [Columbia; 1973]
067: Pink Floyd: Meddle [Harvest; 1971]
066: Big Star: Third/Sister Lovers [PVC; 1978]
065: Neil Young: On the Beach [Warner Bros; 1974]
064: Iggy Pop: Lust for Life [RCA; 1977]
063: Cluster: Zuckerzeit [Spalax; 1974]
062: The Cars: The Cars [Elektra; 1978]
061: Beach Boys: Surf's Up [Brother; 1971]

No Neck Blues No I Don't Give a Shit

Não gostei. Houve momentos particularmente interessantes, mas não foram o suficientes. Ao contrário do que as pistas das gravações em disco podem oferecer, os No Neck ao vivo não são nada mais do que um grupo de putos da cidade que terão apanhado uma cassette do Sam Lomax e que se divertem a imaginar o folclore em seu redor. Não chegam lá. Como dizia o meu amigo Pedro, o Rui Júnior estaria ali muito melhor. Eu diria, da minha parte, que preferia ver um daqueles vídeos que de tempos a tempos vemos na RTP a propósito das recolhas do Michel Giacometti.

Scusilo

Desculpai a posta futebolística mas, depois desta noite, depois deste jogo, depois daquele belíssimo final, depois daquela magnífica desilusão do Cassano (eheh), vejo-me obrigado a prestar aqui homenagem a uma das minhas selecções favoritas do Euro 2004. E... arriverderci italiani del catanaccio!!

terça-feira, 22 de junho de 2004

Detector de metais

Ontem à entrada do Fan Park, para ver o Inglaterra-Croácia:

Eu: the plastic bag they gave you is for you to put your metal...
O Scott: heavy metal? man! THEY CAN'T TAKE THE METAL OUT OF ME!!
:)

iTunes chega à Europa

O Público dava ontem conta desta notícia aparentemente importante para a indústria musical, em particular para a do velho continente. O serviço de distribuição comercial de música digital via internet lançado pela Apple, o iTunes, que tanto sucesso tem feito nos EUA, segundo os relatos que chegam do lado de lá do Atlântico, está a instalar-se na Europa. Para já, britânicos, franceses e alemães são os primeiros europeus a conseguir comprar faixas musicais -- como o "Bam Thwok", dos Pixies, para citar uma faixa inédita e alegadamente exclusiva -- através do iTunes. Lá para Outubro, o serviço será alargado a outros países. Cada faixa custa cerca de 99 cêntimos de euro. Fica aqui o link para a notícia do Público.

Charadas #13



segunda-feira, 21 de junho de 2004

Tu, meu paspalho, aqui?

Há pouco, enquanto lia a crítica do AllMusicGuide ao "Louden up Now", dos !!!, deparo a dado momento com as seguintes palavras: "Antiwar, anti-Giuliani, anti-Bush and Blair", onde "Bush" surge com um link. Pensei: "olha tu queres ver que o AMG fez o link para a entrada dos ingleses Bush?". Enganei-me... Confiram aqui.

A rede

"Provavelmente, só deixarei isto quando for para debaixo da terra." Era assim que o Damo Suzuki respondia neste sábado a uma de muitas questões que lhe fiz: "por quanto tempo mais vais continuar com a never ending tour?" Aos 54 anos, Damo, o mítico vocalista dos Can era 70-74, é um poço imenso de vitalidade. Quem o escuta inunda-se de fascínio. Nas coisas mais simples, como a comemoração da vitória da República Checa, depois da sua Alemanha ter empatado, ou o mal menor do molho de manteiga no robalo ("vocês, com peixe tão bom e tão fresco, deviam comê-lo o mais natural possível") a teses mais profundas, como o cancro que ultrapassou, o que lhe trouxe "uma nova vida" e um regresso à música, 11 anos de ausência depois, ou aquilo que o leva, desde os dezasseis anos, a girar constantemente à volta do mundo, ou ainda todo um conjunto de noções simbólicas e filosóficas que sustentam o conceito do "instant composing".

O que é o "instant composing"? Numa palavra, improvisação. Damo raramente conhece os músicos com quem toca nos locais por onde passa a digressão -- a "never ending tour" -- do Damo Suzuki Network. No sábado, por exemplo, só conhecia o baixista italiano Massimo Pupillo, dos Zu, porque com ele havia tocado nos dias anteriores, em Vigo e no Porto. Do resto da formação do concerto na ZDB, os portugueses Marco Franco (bateria) e Nuno Rebelo (guitarra) eram os únicos que estavam mais à vontade entre si. E o quinto elemento, um americano de origem francesa que tocou flauta transversal e clarinete baixo, é a ilustração perfeita do conceito de "instant composing": a cerca de meia-hora do início do concerto, Damo, eu, o Scott Nydegger e o Pilot Rouge, dos Mécanosphère, entrámos na sala vazia da ZDB, onde este indivíduo, com ar de professor, tocava flauta sozinho, para ele próprio; pouco depois, Damo dizia-nos: "vou falar com o técnico de som, gostava que este tipo tocasse connosco." O músico americano seria mais um "sound carrier" -- é assim que Damo chama a si próprio e aos músicos que o acompanham nestas aventuras.

Damo coloca muito ênfase, para explicar a forma como entende aquilo que faz, no termo "comunicação". Uma comunicação que ocorre entre um grupo de pessoas "que partilham as mesmas parcelas de espaço e de tempo". Comunicação entre os "sound carriers", entre estes e o público, entre as pessoas que compõem a plateia da ZDB. E é isso o que acontece ao longo das mais de duas horas (?) de improvisação. É, obviamente, sobre Damo que recaem os olhares do público. Dali saem frases melódicas e hipnóticas como aquelas fizeram de álbuns como "Tago Mago" ou "Future Days" obras primas eternas. Dali sai uma entrega que abala, logo desde o início, com qualquer postura mais indiferente que o espectador possa imaginar. Entre os outros "sound carriers", é Marco que se destaca, comandando a improvisação rítmica, fornecendo pistas ao resto do grupo, com a preciosa ajuda de Massimo, que contanstemente maltrata o seu instrumento, tal como mostrara em Zu, meses antes. Também o Nuno compreende de forma soberba os caminhos que a secção rítmica lhe abre e assume a autoridade suficiente para, frequentemente, lançar, ele próprio, deixas sublimes para todos os outros. O flautista americano compõe o cenário com altivez, principalmente na primeira do espectáculo, improvisando linhas livres que assentam e cristalizam sobre a torrente de lava sónica que do palco corre. Improv meets rock meets free jazz meets metal meets Damo.

Perto do fim, o japonês mergulharia nos braços da assistência, enquanto os outros "sound carriers" se entregavam ao último, porventura o mais agressivo, dos caos sonoros que naquela sala foram fabricados. A "comunicação" tinha acontecido e, ao fim da noite, entendia-se melhor o que Damo antes explicava acerca da sua forma de ver a música. Afinal, não se tratava de meros símbolos, de meras teorias de "proggie". Era mesmo a música a assumir o seu mais ancestral desígnio, amplamente disseminado pelas civilizações desde a idade da pedra. Magnífica comunhão de espaço e tempo.
(10/10)
(entrevista com Damo Suzuki para breve, algures)

Charadas #12

sexta-feira, 18 de junho de 2004

Concerto de Mão Morta em Lisboa cancelado

O concerto que os Mão Morta se preparavam para dar em Lisboa, no dia 21 de Julho, na primeira vez que o grupo se deslocaria à capital após o lançamento de "Nus", foi cancelado, por razões que lhes são alheias. Neste momento estão a ser pesquisadas alternativas.

Charadas #11

quinta-feira, 17 de junho de 2004

Irmãos gémeos? #4


James Dean Bradfield, vocalista dos Manic Street Preachers, e Keith Caputo, vocalista dos Life of Agony.

Mondo Bizarre #19 este fim-de-semana

Começa este fim-de-semana a ser distribuído mais um número da revista Mondo Bizarre. Os destaques desta edição são os seguintes:
Devendra Banhart, The Icarus Line, Franz Ferdinand, Mão Morta, Glenn Branca, Blanche, Made In Japan, The Aluminum Group, Minimal Compact, The Divine Comedy/Perry Blake, Wraygunn, Division Of Laura Lee, The Dt's, Grant Lee Philips, The Magnetic Fields, Zeke, Colégio De Meninas, Cex, Morrissey, The Streets, Eagles Of Death Metal, The Datsuns, Sonic Youth, Iron & Wine, PJ Harvey, Blonde Redhead, The Devastations, Weird War, Pan Sonic e Trapist.

Charadas #10

quarta-feira, 16 de junho de 2004

Too tough to die!

Notícia de hoje no Pitchforkmedia.com: Johnny Ramone no hospital, lutando contra um cancro na próstata. Depois de Joey, que morreu de cancro linfático, depois de Dee Dee, que foi levado numa overdose de heroína, mais um Ramone enfrenta o precipício da morte. John Cummings, que o mundo do rock'n'roll conhece como Johnny Ramone, o guitarrista de cabeleira mais lisa do punk nova-iorquino, tem vindo a lutar contra a doença desde há cerco de quatro anos, mas segundo os relatos, perante o avanço sério do cancro, as chances de vitória são cada vez mais reduzidas. Johnny Ramone tem 55 anos e já não é a primeira vez que dá de caras com a morte. Em 1983, numa briga violenta com um elemento de uma outra banda, um pontapé na cabeça provocou-lhe lesões cerebrais que obrigaram a uma cirurgia. Depois de recuperado, os Ramones lançaram o álbum "Too Tough to Die", possivelmente o último grande disco do grupo.
GABBA GABBA HEY, JOHNNY!

Charadas #9


terça-feira, 15 de junho de 2004

Damo Suzuki no Blitz

Excelente a entrevista do Gonçalo Palma ao Damo Suzuki, nas páginas da edição de hoje do Blitz. Faz o apanhado histórico da carreira do vocalista japonês e obtém dele as descrições essenciais para que percebamos conceptualmente o que é Damo Suzuki tanto hoje como no passado.
Não esquecer que o Damo Suzuki Network vai estar ao vivo, já no próximo fim-de-semana, no Maus Hábitos (sexta-feira) e na ZDB (sábado). Além de Damo, o palco preencher-se-á com Scott Nydegger (o americano também conhecido pelo seu projecto Sikhara, e pela colaboração íntima com os Mécanosphère), Massimo Pupilo (italiano, baixista dos Zu, que já passaram por Portugal este ano, numa série de concertos fantabulásticos) e, dispensando apresentações, os portugueses Nuno Rebelo e Marco Franco.

Charadas #8

segunda-feira, 14 de junho de 2004

Bam Thwok

Os Pixies gravaram um novo tema, conforme é anunciado por todo o lado: "Bam Thwok".
Depois de o ouvir, espero que o grupo vá mais longe na composição de novo material. Sendo grande a curiosidade para ouvir os Pixies de hoje, com canções de hoje, portanto, este "Bam Thwok" soa-me a desilusão às primeiras audições. College rock muito "radio friendly" para os dias que correm, com a voz de Kim Deal cheia de coros a fazer lembrar as Breeders. Tem cunho Pixies, sem dúvida, quanto mais não seja pelos riffs de guitarra facilmente reconhecíveis, mas... vejamos o que o futuro nos traz, se é que nos vai trazer alguma coisa.

Jazz em Agosto

Está para breve o regresso do Jazz em Agosto, a mostra de jazz que a Fundação Calouste Gulbenkian habitualmente recebe nos seus jardins e auditórios, em Lisboa. Eis o programa, retirado do jazzportugal.net:


NOW ORCHESTRA
3 de Agosto, 3ª feira, 21h30
Anfiteatro ao ar Livre
---------------
PEGGY LEE BAND
4 de Agosto, 4ª feira, 21h30
Anfiteatro ao ar Livre
---------------
THE THING
5 de Agosto, 5ª feira, 18h30
Auditório 2
---------------
FRANÇOIS HOULE ELECTRO-ACOUSTIC QUARTET
5 de Agosto, 5ª feira, 21h30
Anfiteatro ao ar Livre
---------------
GÜNTER ?BABY? SOMMER
6 de Agosto, 6ª feira, 18h30
Auditório 2
---------------
OTOMO YOSHIHIDE NEW JAZZ QUINTET featuring MATS GUSTAFSSON
6 de Agosto, 6ª feira, 21h30
Anfiteatro ao ar Livre
---------------
ARVE HENRIKSEN
7 de Agosto, Sábado, 15h30
Sala Polivalente
---------------
MARTIN TÉTREAULT / OTOMO YOSHIHIDE
7 de Agosto, Sábado, 18h30
Auditório 2
---------------
FRANZ HAUTZINGER REGENORCHESTER XI (*)
7 de Agosto, Sábado, 21h30
Anfiteatro ao ar Livre
---------------
NUNO FERREIRA/JESUS SANTANDREU
8 de Agosto, Domingo, 15h30
Sala Polivalente
---------------
PAUL PLIMLEY/LISLE ELLIS
8 de Agosto, Domingo, 18h30
Auditório 2
---------------
PAUL CRAM ORCHESTRA
8 de Agosto, Domingo, 21h30
Anfiteatro ao ar Livre


(*) Esta é uma dica do quantumducks.blogspot.com: sabiam que o colectivo FRANZ HAUTZINGER REGENORCHESTER XI integra nas suas hostes o Christian Fennesz? Ah pois é...

Charadas #7

domingo, 13 de junho de 2004

Breves notas a propósito do 11 de Junho

Loosers & X-Wife
Melhores os segundos que os primeiros, talvez pela rodagem, talvez porque os X-Wife funcionem melhor num ambiente de festa como o que se pretendia neste dia (nota mental: não perder loosers na ZDB, por exemplo, numa próxima ocasião), talvez porque os Loosers tiveram a ingrata tarefa de abrir um dia de festival a uma hora quente, que obrigava a rumar às tendas de cerveja, enquanto ainda se podia fazê-lo com calma.

Liars
SÃO OS MAIORES! OS M-A-I-O-R-E-S! Com um espectáculo ainda mais avariado que aquele que trouxeram ao Lux, no ano passado (nota rememorativa: concerto do ano, do ano passado), os Liars começaram por partir parte da louça que os Pixies teriam, não fossem os nova-iorquinos, inteiramente por sua conta. Angus Andrew (nota eu-já-disse-isto-aqui: o australiano parece-se mesmo com o Nick Cave, não só pela cara, mas também por aquela silhueta esguia que atira um braço ou outro para a frente a tomar o pulso ao ritmo... GÉMEOS!) prometeu que o grupo estava a planear mudar-se para Lisboa. Sim, para Lisboa. Ao que parece, ficaram a gostar desta coisa e querem tornar-se alfacinhas. Eu pago-lhe um copo se isso for verdade. Um não, dois ou três.

Wray Gunn
Cinco músicos em palco, acompanhados de um coro de gospel. Mas... que raio de som. Foi melhorando progressivamente, mas o equalizador mental teve algumas dificuldades em acompanhar as mudanças. No entanto, e não querendo desprezar a banda de Coimbra (nota justa: grande disco, o último), serviu muito bem para aquecimento aos Pixies que estavam quase, quase a pisar o palco principal.

Pixies
SÃO OS MAIORES! OS M-A-I-O-R-E-S! A loucura instalou-se rapidamente. Assim que começou a soar a linha de baixo de "Bone Machine", foi furar, furar, furar, furar, furar, até, ufff., chegar à frente, onde toda a gente pulava, dançava, "slamava", enfim... a maior das alegrias por ver e ouvir de perto o quarteto fantástico. Por duas ou três vezes, os ténis iam ficando pelo caminho, os óculos saltando, as forças faltando, mas... cada momento era celebrado como se nada mais fosse importante. Cada tema tocado servia de motivo a enormes explosões de alegria, de gozo pela experiência ali sentida. "Where is My Mind", "Hey", "Caribou", "In Heaven (Lady in the Radiator Song)" ou "Monkey Gone to Heaven" foram momentos mágicos. "I Bleed", "Something Against You" (quase inaudível para quem estava lá mais à frente), "Isla de Encanta" ou "Vamos" foram absolutamente trepidantes. Mas houve muito mais. Nunca mais esquecerei o final, perfeitamente diabólico, com "Tame"...

E o resto
O resto? Não há muito que falar do resto. Depois dos Pixies, nada mais interessava. A não ser aquele bófia agarrado aos... err... Bom, o que interessava mesmo é que houvesse mais barracas da cervejeira (nota etílico-facciosa: e que porcaria é aquela marca de cerveja) que patrocina o evento, para que as filas (nota de rigor: filas? aquelas multidões que mais pareciam a plateia do Coliseu dos Recreios em volta do palco, perdão, da barraca de cerveja?) não se tornassem literalmente impossíveis... Mais de uma hora à espera por um cachorro frio é desesperante, não? 50 ou 60 ou 70 mil pessoas é muita, muita gente. E quando não há logística de apoio, a paciência perde-se facilmente. Tanto para mais quando no palco se pavoneia um azeiteiro de segunda (nota agrícola: se fosse um azeiteiro de primeira, a coisa ainda puxava pelo lado kitsch). O resto ficou, portanto, para ver... Alguém quer continuar?

quinta-feira, 10 de junho de 2004

Esta noite na ZDB


Dois dos mais esperados espectáculos deste ano, nos meandros da música experimental, acontecem hoje na ZDB: Fursaxa (na foto) e Six Organs of Admittance. Aqui fica um pequeno BI para cada um dos projectos.

Fursaxa
Nome verdadeiro: Tara Burke
Álbuns: "Madrigal in Duos" (Time-Lag Records, 2004), "The Cult From Moon Mountain" (cdr ed. autor, 2003), "Fursaxa" (Ecstatic Peace!, 2002), "Trobairitz Are Here From Venus" (cdr ed. autor, 2002), "Mandrake" (Acid Mothers Temple, 2000).

Six Organs of Admittance
Nome verdadeiro: Ben Chasny
Álbuns: "For Octavio Paz" (Holy Mountain, 2004), "Compathía" (Holy Mountain, 2003), "Dark Noontide" (Holy Mountain, 2002), "Nightly Trembling" (Pavillion, 2000/Time-Lag, 2004), "Dust & Chimes" (Pavillion, 1999/Holy Mountain, 2001), "s/t" (Pavillion, 1998/Holy Mountain, 2003)

quarta-feira, 9 de junho de 2004

Mécanosphère na ZDB

Aquilo que várias dezenas de pessoas viram na passada sexta-feira na ZDB, não foi um concerto de Mécanosphère. Ou melhor, também foi, mas não inteiramente. Confuso? Explica-se facilmente: obrigados a optar pela pura performance, em detrimento da componente musical, por força das condições que ali encontraram, os quatro Mécanosphère não estiveram mais do que uma hora em palco a tentar remediar o que não tinha remédio. E aquelas cadeiras não voaram do backstage para o palco por um qualquer acaso ou por qualquer opção performativa inocente.

Charadas #6

De volta

Afinal não é só em Évora que faz calor. Também Lisboa é atravessada por uma vaga de temperaturas altas que promete só aliviar lá para Setembro. :(
Por falar em Évora, fica um aviso a potenciais giradisquistas que venham a passar pela Sociedade Harmonia Eborense. Os anfitriões são donos da maior simpatia e são do mais hospitaleiro que se possa imaginar, mas aqui fica o conselho: informem-se previamente das condições, em termos de material, e -- a melhor solução -- levem vocês mesmo o vosso material, nem que o tenham de alugar. Passar música -- apenas CDs! -- em tijolos de levar para a praia, numa mesa que não permite sequer pré-escuta, só com uma grande dose de pragmatismo e compreensão (afinal, os rapazes trabalham que se fartam para, numa cidade depauperada como é Évora nos últimos anos, providenciarem uma destacada oferta em termos de eventos culturais mais alternativos). Não deixem por isso de visitar o belíssimo espaço que é a Harmonia, quando em visita àquela cidade alentejana. Apesar de tudo, eles merecem.

sexta-feira, 4 de junho de 2004

Mécanosphère, hoje, na ZDB



Ouve-se um respirar ofegante sob uma frequência grave. Respira. No palco, ou melhor, no capot do Rolls-Royce que percorre a auto-estrada a alta velocidade, uma bailarina de trajo andrajoso, mas provocante, desperta para o espectáculo. Dança em cima do capot. Respira. Dança. O Rolls-Royce corre pela auto-estrada e atravessa cada um dos quadros bizarros que compõem o cenário, até, claro, se esmigalhar numa valeta, como sempre esteve previsto nesta história de ficção científica. Há nesta bailarina, frágil mas arrebatadora das mais violentas paixões, um coração ciborgue que bate com um vigor que contagia o público. E que o oprime. Respira. Dança. Bum bum! Vêem-se filmes eróticos, filas de carros acidentados, pára-brisas estilhaçados, pára-choques embutidos e as coxas de uma mulher. Respira. Dança. Bum bum! Por aqui há Bilal, com os seus heróis, Nikopol e Hatzfeld, e os seus cenários de decadência urbana. Por aqui há também Ballard e as obsessões sexuais por chapa retorcida e sangue no asfalto do seu Vaughan. Respira. Dança. Bum bum! A lascívia terrificante com que a bailarina pisa o palco, o capot, o peito do espectador, convoca a atenção. Respira. Dança. Bum bum! Bum bum! BUM BUM!

No Rolls-Royce esmigalhado encontram-se quatro indivíduos. Dois franceses, um português e um americano. O primeiro dos franceses é Benjamin Brejon. O outrora aluno do percussionista de jazz Sunny Murray vive actualmente em Lisboa, mas foi em Paris que deu início ao projecto Mécanosphère. É, desde a origem, o guardião máximo do tipo de abordagem artística em causa, simultaneamente teorista e meteur en scene do contexto electro-acústico em que é trabalhado o beat, o smashed beat, o beat estilhaçado, se quisermos. O outro Mécanosphère é o português Adolfo Luxúria Canibal, que desde há vinte anos assume a frente do grupo mais subvertido do rock'n'roll português, os Mão Morta. É o principal responsável pela contaminação verbal do disco. Até à altura que Adolfo integrou o projecto, Benjamin nunca pensou fazer uma banda com um vocalista, mas agora os textos recortados e colados que aquele debita, numa simbiose perfeita entre a música e a palavra, cumprem um dos móbeis do projecto - cruzar as fronteiras da música - que em qualquer altura, como já aconteceu no passado, poder-se-á alargar a outros campos da criação artística. Além do mais, a voz de Adolfo, na maior parte das vezes gravada previamente, é trabalhada como se de qualquer outro instrumento se tratasse. Em última análise, Mécanosphère não ganhou um vocalista, mas sim um músico e performer de spoken word que constrói imagens com o seu instrumento, a sua cava voz. Voz essa que se funde no magma de loops dos tais beats estilhaçados, como sangue que se impregna nas carcaças dos automóveis acidentados.

Para este disco, outros dois músicos, elementos satélite de Mécanosphère, deram um contributo vital. O percussionista e alucinado performer Scott "Sikhara" Nydegger, colaborador de nomes tão díspares da cena musical mundial como Steve MacKay (Stooges), Lightning Bolt, Nobody Scott (Psychic TV) ou Damo Suzuki (Can), preenche na perfeição a figura do andarilho musical, que anda de terra em terra, conhece pessoas e locais e cria redes de intercâmbio artístico (exemplo: a integração de Mécanosphère no Rádon Ensemble, o colectivo de Steve MacKay). O baterista e produtor LePiloteRouge vive actualmente em Lisboa e vem do rock mais convencional, embora rapidamente se tenha convertido à abordagem Mécanosphère.

"Bailarina" é, à semelhança dos anteriores discos, o EP "Lobo Mau" e o álbum "Mécanosphère", irrepetível, característica que assiste também aos concertos do projecto. Nenhuma das onze faixas que o compõem será alguma vez reproduzida ao vivo, apesar de haver elementos que possam ser integrados na mistura em tempo real que é proporcionada em palco. Em "Bailarina" sente-se menos a electricidade de "Mécanosphère", porventura, mas o coração que marca o ritmo continua a ser meio humano, meio maquinal. Ruído, percussão e voz sobrepõem as suas fronteiras entre si, justapondo-se e transformando o terreno bravio e labiríntico por onde os nossos ouvidos prosseguem o seu trekking de grau difícil. Respira. Dança. Bum bum! Bum bum! Respira. Dança. Bum bum! BUM BUM!

Charadas #5


terça-feira, 1 de junho de 2004

Recordação da noite



Só falta a barraquinha das farturas aqui ao lado. Já fazia falta novo álbum destes casiomaníacos finlandeses. Nos últimos anos têm havido apenas singles. Saiu entretanto um sete polegadas -- Team Yamaha (olha, mudaram de marca de teclado foleiro) -- feito em colaboração com os Apparat Organ Quartet (tem tudo a ver), entre outros nomes.